No próximo mês, a Universidade Marxista, plataforma de cursos do Partido da Causa Operária (PCO), terá a sua próxima atração: o curso A história da Revolução Bolivariana. Ministrado pelo dirigente nacional Henrique Simonard, o curso abordará a experiência mais profunda de luta contra a política neoliberal na América do Sul.
Para compreender o processo revolucionário venezuelano, uma questão fundamental é o Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR-200), uma organização política e militar clandestina criada em 1982 por Hugo Chávez e outros oficiais progressistas das Forças Armadas da Venezuela. Seu nome homenageia o bicentenário do nascimento de Simón Bolívar, libertador da América do Sul, cujas ideias de soberania, união continental e justiça social inspiraram o grupo.
O MBR-200 teve um papel central na história contemporânea da Venezuela, sendo o embrião da Revolução Bolivariana que mais tarde levaria Chávez à presidência do país. Sua trajetória representa um marco na luta contra o domínio imperialista, a corrupção da oligarquia venezuelana e o regime bipartidário que servia aos interesses do capital estrangeiro.
No início dos anos 1980, a Venezuela vivia uma profunda crise social e econômica, agravada pela dependência do petróleo e pela submissão do país aos ditames do Fundo Monetário Internacional (FMI). A desigualdade, o desemprego e a corrupção corroíam o país, enquanto os partidos tradicionais — Ação Democrática (AD) e COPEI — revezavam-se no poder sem oferecer qualquer saída para o povo trabalhador.
Nesse cenário, Chávez e outros militares nacionalistas e patrióticos, como Jesús Urdaneta, Felipe Acosta Carlés e Raúl Baduel, criaram o MBR-200 como uma organização clandestina dentro do Exército. A intenção era organizar um movimento popular e patriótico que, a partir das Forças Armadas, rompesse com o regime burguês e abrisse caminho para uma nova ordem nacionalista, popular e soberana.
A ideologia do MBR-200 estava profundamente enraizada no pensamento de Simón Bolívar. O movimento também se inspirava em outras figuras históricas do nacionalismo anti-imperialista, como Ezequiel Zamora, Simón Rodríguez, Che Guevara e Fidel Castro.
O MBR-200 defendia:
- A soberania nacional frente ao imperialismo norte-americano;
- A refundação do Estado venezuelano com base em princípios populares;
- A justiça social e a distribuição da riqueza nacional;
- A integração latino-americana como estratégia de libertação continental.
Era, portanto, um movimento de conteúdo revolucionário, embora não marxista, e que buscava articular o Exército com o povo pobre da Venezuela.
A ação mais conhecida do MBR-200 foi a tentativa de golpe militar liderada por Chávez em 4 de fevereiro de 1992 contra o governo de Carlos Andrés Pérez, responsável por massacres de protestos populares como o Caracazo de 1989. A rebelião fracassou do ponto de vista militar, mas representou um divisor de águas na política venezuelana.
Chávez, ao ser preso, assumiu a responsabilidade pelo levante em rede nacional e pronunciou sua histórica declaração de que os objetivos “não foram alcançados… por agora”. Essa frase virou símbolo de esperança para milhões de venezuelanos que enxergavam no MBR-200 uma alternativa ao regime opressor.
O levante revelou a insatisfação latente nas Forças Armadas e no povo, preparando o terreno para o colapso do sistema político tradicional e para a ascensão de Chávez à presidência em 1998.





