Política internacional

O que está acontecendo na Venezuela e no Irã?

Manifestações armadas pelo imperialismo colocaram em marcha uma nova situação política internacional que precisa ser claramente compreendida

A onda de calúnias promovidas pela grande imprensa e pela esquerda pequeno-burguesa em relação à República Islâmica do Irã e à República Bolivariana da Venezuela revelou uma completa desorientação em relação ao papel do país persa na luta revolucionária mundial.

Em primeiro lugar, deve-se considerar que a operação de 7 de outubro em Gaza, a gloriosa Operação Dilúvio de Al-Aqsa, não foi uma ação isolada da resistência palestina. Pelo contrário, foi uma ação conjunta do chamado Eixo da Resistência, no qual estão envolvidos o Iêmen, o Hesbolá libanês, o Hesbolá iraquiano, além do próprio Irã, que chegou a bombardear “Israel” em determinado momento. Diante disso, o imperialismo observou a situação e concluiu que era necessária uma contra-ofensiva para tentar revertê-la. A Venezuela, por sua vez, é um país aliado da Rússia, da China e do Irã, o que acaba sendo um grande problema para o imperialismo por ser um aliado dessas potências no que os Estados Unidos consideram seu quintal, a América Latina.

O que está ocorrendo, antes de qualquer discussão sobre o caráter do regime político de cada lugar ou sobre a existência de uma “democracia”, é que se enfrenta uma guerra efetiva do imperialismo contra esses países. Esse processo começou com a questão ucraniana, da qual o imperialismo não abre mão, passou pelo cerco da Venezuela e, recentemente, pelos acontecimentos no Irã. Tais fatos no Irã colocaram em marcha uma nova situação política internacional que precisa ser claramente compreendida. É uma nova situação porque o que ocorre no Irã já não é mais uma tentativa de “revolução colorida”, visto que as tentativas anteriores fracassaram. Após a guerra de 12 dias, quando “Israel” e os Estados Unidos atacaram o Irã, a possibilidade de uma mobilização popular pacífica contra o regime iraniano desapareceu quase por completo.

As “manifestações” dos últimos dias já são um ato de guerra. Embora a grande imprensa brasileira — que atua como sucursal da grande imprensa imperialista internacional — procure apresentar a situação de maneira falsificada, a realidade é que houve um movimento armado articulado de fora para dentro do país na tentativa de criar uma situação caótica. Não havia condições, mesmo com esse movimento armado, de derrubar o regime político; a intenção era criar o caos e a confusão para permitir uma intervenção militar imperialista.

Essa tentativa, no entanto, foi debelada com relativa facilidade pelo governo iraniano. Para se ter uma ideia da escala, o governo do Irã interceptou um carregamento enviado ao país com cerca de 60 mil armas de fogo. Isso evidencia que não se trata de um movimento popular, mas de uma verdadeira guerra organizada contra o Irã. Trata-se de um ato de guerra que seria completado com uma agressão militar externa coordenada com as ações internas. Contudo, nesse caso também se revelou a fraqueza do imperialismo, que não conseguiu levar o plano adiante de maneira bem-sucedida. O governo iraniano controlou essa microinsurreição armada e convocou o povo às ruas, resultando em manifestações gigantescas que colocaram todo o plano em xeque. Há afirmações de que aviões prontos para agredir o Irã teriam retornado às bases ao avistarem a magnitude das manifestações populares; embora seja uma informação não confirmada, é uma possibilidade plausível dada a violência dos fatos.

É difícil definir como o fracasso dessa ofensiva influirá no futuro, mas pode-se dizer com segurança que, tanto na Venezuela como no Irã, a ameaça de guerra continua presente. Na Venezuela, houve um acordo com o governo norte-americano para a venda de petróleo venezuelano, gerando diversas interpretações. Há a acusação de que o acordo teria sido uma rendição ou de que o controle do país teria passado aos Estados Unidos, mas elas não se sustentam na realidade. Outros apresentam a venda de petróleo como uma traição da cúpula chavista, o que também é desinformação visando desmoralizar o regime venezuelano.

Conforme publicado pela emissora russa Russia Today (RT), para as empresas petrolíferas norte-americanas, o acordo é insatisfatório, pois elas não estão dispostas a participar sem garantias de investimento, as quais só viriam com uma mudança efetiva do regime político. Na realidade, enquanto não houver mudança de regime, não se pode falar em vitória do imperialismo. A compra de petróleo venezuelano pelos Estados Unidos representa, na verdade, um alívio para a pressão sobre o país, implicando na suspensão parcial do bloqueio.

Pensar em mudança de regime sem guerra é impossível. Por isso, os setores da imprensa que pedem essa mudança estão, na prática, pedindo uma guerra contra a Venezuela. É preciso atenção para discursos que afirmam que o imperialismo já tomou conta do país, pois isso desarma o movimento de repúdio à agressão. Se o movimento é dado como derrotado, facilita-se uma futura invasão, embora invadir a Venezuela ou o Irã não seja uma tarefa fácil. A progressão desses acontecimentos sugere um processo de guerra por etapas: desestabilização interna, bombardeios para enfraquecimento e, por fim, a tentativa de ocupação ou troca de regime, como ocorreu no Iraque. Venezuela e Irã são os alvos atuais; o próximo será a Rússia e o último e mais importante será a China.

É preciso acompanhar o desenvolvimento dessa situação, pois o imperialismo não está apenas preparando, mas já executando seu plano de guerra. A organização acelerada de forças militares europeias, norte-americanas e japonesas demonstra a proximidade do conflito. Os eventos no Irã, pela escala e violência da operação, mostram que o caminho da guerra já foi adentrado no presente.

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