Na segunda edição da Análise Política da Semana deste ano, Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) analisou a ofensiva global contra a liberdade na Internet. Ele criticou a União Europeia por apoiar leis que restringem o acesso de adolescentes às redes sociais, classificando a medida como “totalitária”. Para ele, a alegação de proteção à criança é apenas um pretexto para a censura política, já que “a informação política em tempo real não dá para fazer fora da Internet”.
O dirigente também alertou para a tentativa do governo trabalhista britânico de implementar um “RG digital”. Pimenta explicou que a Inglaterra historicamente não possui um registro de identidade civil e que essa medida representa um fichamento antidemocrático. “Como a gente pode ver, toda semana nós trazemos aqui notícias de ataques às liberdades democráticas, em particular a liberdade de expressão, que é a pedra fundamental de todas as liberdades”, disse Rui Pimenta. Ele reforçou que, sem ela, as liberdades de organização e manifestação “caem no vazio”.
Rui Pimenta dedicou parte da análise a um homenagem ao sexto aniversário do martírio do general iraniano Qassem Soleimani. O dirigente definiu Soleimani como o “arquiteto do Eixo da Resistência”, que une forças na Palestina, no Iraque, no Líbano e no Iêmen. Pimenta ressaltou que, diferentemente de outras figuras históricas e heroicas, como Che Guevara, Soleimani ainda teve o mérito de organizar uma operação que foi altamente bem-sucedida por se basear na autonomia e na autossuficiência das forças locais.
Segundo o dirigente, o general ensinou grupos como o Hamas e o Hesbolá a fabricarem seus próprios armamentos, permitindo resistência prolongada mesmo sob cerco. “Uma esquerda revolucionária deveria, pelo contrário, não apenas valorizar a atividade do general Soleimani, como deveria aprender daquilo que foi feito no que diz respeito à luta dos palestinos em Gaza”, defendeu Pimenta, criticando a esquerda que ignora o legado do general por preconceitos religiosos ou ideológicos.
Ao abordar a crise venezuelana, Pimenta denunciou a “máquina de desinformação” da imprensa burguesa. Ele refutou a ideia de que o governo chavista teria se rendido diante Donald Trump. Segundo sua análise, o sequestro de Nicolás Maduro serviu como um “álibi” para que os Estados Unidos pudessem realizar um acordo de compra de petróleo venezuelano sem que Trump parecesse estar capitulando diante do chavismo.
Citando a revista The Economist, Pimenta observou que até órgãos do imperialismo reconhecem que a negociação é “colaborativa” e não coercitiva. “O resultado da agressão imperialista até o momento, o único resultado foi o de suspender, pelo menos parcialmente, o bloqueio econômico”, explicou. Ele defendeu que, enquanto o poder político estiver nas mãos do chavismo, não há rendição, e criticou duramente a esquerda que adota a postura de “nem Trump, nem Maduro“, classificando-a como uma sabotagem à defesa nacional de um país agredido.
No cenário nacional, Rui Pimenta classificou o veto de Lula ao projeto da dosimetria penal como “jogo de cena”. Segundo ele, já existe um acordo costurado entre o governo e o STF, com mediação internacional, para reduzir as penas dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, mantendo apenas a inelegibilidade de Jair Bolsonaro. “Tudo isso é jogo de cena, encenação, porque na verdade já existe o acordo”.
Sobre as eleições futuras, Pimenta alertou para a força de Flávio Bolsonaro, que aparece com cerca de 30% das intenções de voto. Ele avaliou que Flávio pode ser um candidato mais “palatável” para o grande capital do que o pai, por ter um perfil menos abrupto. “Não há uma contradição profunda do ponto de vista dos objetivos entre o bolsonarismo e o grande capital”, afirmou, explicando que o receio da burguesia com o Bolsonaro pai é a sua base popular fanatizada, que o torna difícil de controlar.





