No dia 15, foi divulgada uma pesquisa do instituto Genial/Quaest em que 53% dos entrevistados disseram confiar nas urnas eletrônicas, enquanto 43% afirmaram desconfiar.
É preciso lembrar sempre que a maior parte das pesquisas de opinião é realizada por institutos ligados à imprensa burguesa, que cotidianamente divulga mentiras em seus veículos, como emissoras de televisão e jornais; portanto, devem ser vistas com a devida desconfiança. No entanto, quase sempre buscam conter algum elemento de verdade, para manter um mínimo de credibilidade.
Neste caso, a imprensa burguesa fez questão de destacar que a maioria dos entrevistados demonstrou confiança na urna eletrônica, o que seria uma vitória da burguesia e da Justiça Eleitoral, que faz ampla campanha para defender seu instrumento contra qualquer questionamento. Essa defesa ocorre apesar da falta de transparência do sistema e do fato de ser elaborado e controlado por empresas privadas ligadas a determinados grupos políticos, que fabricam e distribuem os equipamentos, organizam o processo eleitoral e, muitas vezes, produziram resultados no mínimo suspeitos. Além disso, nenhum eleitor ou partido político tem acesso, de fato, ao funcionamento da urna eletrônica, o que demonstra tratar-se de um mecanismo antidemocrático.
Mas o que chama a atenção é o número muito expressivo de eleitores que afirmam não confiar no aparelho, mesmo diante de toda essa propaganda.
No último período, principalmente durante as eleições, a Justiça Eleitoral intensificou a propaganda de que a urna eletrônica seria um instrumento confiável, completamente inviolável, imune a qualquer tentativa de acesso ao seu sistema. Além disso, houve grande repressão contra aqueles que apontaram alguma dúvida sobre sua credibilidade e sua suposta inviolabilidade, como se a urna e os que controlam todo o processo fossem a única coisa no mundo incapaz de apresentar erros ou mesmo fraude.
É evidente que essa propaganda e a repressão aos questionamentos tiveram efeito contrário e fizeram com que uma parcela importante da população passasse a ter dúvidas crescentes sobre as urnas e os resultados que saem delas.
A esquerda adotou a política de que vale tudo para lutar contra o fascismo, inclusive aceitar como regra tudo o que dizem a burguesia e o Judiciário, como a defesa intransigente da desconfiável urna eletrônica. No entanto, o que se vê, na realidade, é uma parcela significativa daqueles que, com todas as razões, não acreditam nessa propaganda enganosa sobre algo que não está submetido a qualquer controle popular, nem ao controle da maioria dos partidos.





