O MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores) segue firme em sua missão de trabalhar como porta-voz de Donald Trump e do imperialismo. O título do artigo Trump afirma que a Venezuela o entregará o petróleo e Delcy Rodríguez busca dialogar com o imperialismo, publicado nesta quarta-feira (7) no portal Esquerda Diário, caberia muito bem em qualquer publicação da imprensa burguesa.
Logo no primeiro parágrafo, o MRT atesta que “sem intenção de manter as aparências, Donald Trump foi explícito ao celebrar o que considera um avanço em seus interesses petrolíferos na Venezuela e anunciar que o governo venezuelano teria concordado em entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo, correspondentes ao petróleo acumulado nos depósitos venezuelanos durante esses meses de bloqueio militar da marinha ianque sobre as costas do país caribenho”.
Trump pode falar o que bem entender, a questão é dar crédito, pois, no mesmo parágrafo está escrito “o petróleo será comprado a preço de mercado. Segundo diversas fontes jornalísticas, a petroleira Chevron já teria carregado um navio com petróleo e outra dezena estaria a caminho da Venezuela”. O MRT, na pressa de atacar o governo venezuelano, sequer se dá ao trabalho de ler aquilo que escreve. Se os EUA vão pagar preço de mercado, o petróleo não está sendo “entregue”. E, mais importante, tem que ser derrubado o embargo, o que figura uma vitória do governo e do povo.
Adiante, com virulência, o MRT afirma que “a presidente em exercício, Delcy Rodríguez, embora não tenha confirmado se realmente assinaram algum tipo de acordo pela entrega do petróleo, vem dando claros sinais de submissão aos interesses imperialistas” – grifo nosso.
Como se vê, o MRT afirma que o governo está dando, sim, petróleo para os EUA, enquanto eles próprios confessam o contrário. Por acaso seria interesse dos Estados Unidos pagarem preço de mercado?
Mais à frente, criticam a presidenta por um comunicado em que teria afirmado a vocação do país por convivência pacífica. E o que há de errado nisso? Apenas coloca na parede os Estados Unidos, que vivem de agressões. O fato de Delcy Rodríguez querer trabalhar com os EUA em uma agenda de cooperação é benéfico para a economia venezuelana e para a população.
O grupo também critica Delcy Rodríguez por manter negociações com uma nação agressora, mas o fato é que os negócios nunca foram interrompidos.
Papagaios do imperialismo
O tempo todo o MRT se utiliza da grande imprensa para desmoralizar os chavistas. Escreve, por exemplo que “essas declarações a favor da cooperação com o agressor imperialista parecem ser confirmadas por diversas versões midiáticas. O jornal El País (Espanha)” comenta…; ou, ainda, que “O Wall Street Journal, por sua vez, afirma que ‘O governo de Trump vem falando secretamente com Rodríguez sobre uma transição pós-Maduro há meses, segundo informou na segunda-feira o Financial Times’…” etc.
A fonte do MRT é o imperialismo. Falam que “as versões jornalísticas tendem a insinuar a possibilidade de que a entrega de Maduro tenha sido orquestrada por setores do próprio regime. As nulas intenções de Rodríguez de organizar algum tipo de resistência à brutal interferência imperialista que passa por cima de todos os acordos internacionais e da soberania nacional venezuelana parecem corroborar isso”.
Essas versões “jornalísticas” defendem os interesses de quem, do imperialismo, ou do povo venezuelano? Pior, com base nessas “versões”, o MRT joga seu veneno, de que Maduro possa ter sido entregue. E que nulas intenções de organizar algum tipo de resistência seria essa se o governo armou a população? Foi isso que impediu o desembarque dos EUA.
Mais calúnias
Tudo o que o governo faça é motivo de críticas para esse grupo que se diz revolucionário. No artigo, lê-se que “Rodríguez e ministros venezuelanos fazem política como se no Caribe houvesse ‘normalidade’. Enquanto a Venezuela está no foco do mundo inteiro após os recentes acontecimentos militares, a Presidente verifica a produção agrícola ou os empreendimentos cooperativos”.
Por acaso a presidência não deveria se preocupar com a produção agrícola? O país está sob um criminoso embargo econômico e a produção agrícola é fundamental. Se faltarem alimentos, o MRT será o primeiro a apontar o dedo para dizer que se formam filas por comida, que existe escassez. Trata-se de um verdadeiro cretinismo político.
É ridículo, mas os chavistas estão sendo criticados por procurarem fazer aquilo que é correto, cuidar de todos os setores da economia para que o povo sofra o mínimo, dado que os bloqueios econômicos penalizam demasiadamente a população.
Somente em um pequeno parágrafo o artigo se lembra de mencionar que “é real que o governo venezuelano atua neste momento sob a pressão da bota ianque sobre sua cabeça”. Mesmo assim, utiliza esse fato para ataques ainda mais duros.
O MRT afirma que “diante dessa pressão extrema e da ameaça vigente, as últimas declarações da presidenta interina da Venezuela mostram que está disposta a aceitar essas condições e a negociar com o governo estadunidense”. E mais, que “além das primeiras declarações contra o ataque, o governo venezuelano (como ocorreu antes com Maduro) não mostra nenhuma perspectiva de desenvolver a mais ampla mobilização da classe trabalhadora e das grandes maiorias para enfrentar o ataque imperialista”. E os milhões de venezuelanos treinados, armados, alistados nas milícias seriam o quê? Não é uma ampla mobilização?
Cortina de fumaça
Não basta os venezuelanos terem de enfrentar a agressão do imperialismo, precisam lidar com uma gente que se diz de esquerda, mas que só fica roendo a corda.
Para disfarçar sua adesão ao imperialismo, o MRT chama palavras de ordem que tentam parecer muito radicais. Fala que “esta luta também é a luta para disputar a consciência anti-imperialista em toda a região”; ou, ainda, sobre o “desenvolvimento da mais ampla mobilização e auto-organização”; “destruição do imperialismo… greve continental…”. Tudo conversa fiada. Armar a população é um milhão de vezes mais radical do que esse blá-blá-blá.
O MRT está tentando fazer aquilo que o imperialismo não consegue: enfraquecer o apoio da população ao governo. Nesse sentido, é uma peça que está a serviço dos agressores, não do povo, e muito menos da revolução.





