Antônio Carlos Silva

Professor de Matemática. Fundador do PCO, integra a sua Executiva Nacional. Atuou na fundação do Coletivo de Negros João Cândido. Liderou a criação e coordenação dos Comitês de Luta contra o golpe e pela liberdade de Lula. Secretário Sindical Nacional do PCO, coordena a Corrente Sindical Nacional Causa Operária, da CUT.

Coluna

O maior de todos os roubos

“O lucro de uns poucos parasitas não pode continuar a ser financiado com o sacrifício de milhões de trabalhadores”

Enquanto o país debate a alocação de parcos recursos, a principal sangria do orçamento federal ocorre de forma silenciosa e criminosa: a manutenção de uma política monetária de juros abusivos, que garante lucros estratosféricos para uma meia dúzia de banqueiros, em detrimento das necessidades básicas da população.

A decisão de manter a taxa Selic, por exemplo, no patamar extorsivo de 15%, mesmo diante do estrangulamento da economia nacional e dos enormes sacrifícios impostos ao povo, é um atestado de submissão do Banco Central e do Copom ao mecanismo da “Bolsa Banqueiro”. Os números são brutais: em 2025, o gasto com juros e amortizações da chamada Dívida Pública Federal consumiu mais de R$2,135 trilhões, correspondendo a 42,24% de todo o orçamento federal.

Em contraste, áreas vitais para o desenvolvimento e o bem-estar social — Saúde, Educação e Meio Ambiente — ficaram com migalhas. A Saúde recebeu cerca de um décimo do que foi destinado ao Sistema da Dívida; a Educação ficou com apenas 3,18%; e a gestão ambiental, em ano de COP 30, recebeu míseros 0,39%. O resultado é inequívoco: a dívida pública, em termos líquidos, retira R$102 bilhões das áreas sociais, desmentindo a falácia de que o endividamento serve para financiar políticas sociais.

Com essa política, a Dívida Pública Federal não para de crescer, saltando para R$11,496 trilhões em dezembro de 2025, um aumento de R$1,7 trilhão no ano. Isso sem contar a manobra de omissão de R$2,861 trilhões em títulos públicos entregues ao Banco Central para as “operações compromissadas”. A maior parte dos juros é contabilizada como “amortização”, uma fraude que afronta o Art. 167, III, da Constituição Federal, como denuncia, há anos, o movimento Auditoria Cidadã da Dívida.

É urgente e inadiável suspender o pagamento dessa dívida sem lastro e submetê-la a uma auditoria conduzida por organizações populares, o que só pode ser conquistado por meio de uma ampla mobilização das organizações dos trabalhadores.

Somente estancando essa hemorragia de quase metade do orçamento público — e enfrentando o brutal endividamento das famílias, causado pelas taxas abusivas de juros — é que o país terá condições de garantir os recursos necessários para assegurar o atendimento das necessidades de Saúde, Educação, Moradia e Saneamento para todos os brasileiros.

O lucro de uns poucos parasitas não pode continuar a ser financiado com o sacrifício de milhões de trabalhadores.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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