O sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e a tentativa de impor um governo fantoche em solo estrangeiro constituem uma vitória parcial do imperialismo, mas revelam, ao mesmo tempo, os limites da força militar do imperialismo. Trata-se de um movimento tático de extrema gravidade que visa a desestabilização da região e a desmoralização das forças progressistas na América Latina. Contudo, ao contrário do que apregoa a propaganda oficial, a derrubada de um regime de massas não se resolve com operações de inteligência ou proclamações de gabinete.
A vitória parcial obtida até aqui não garante o controle efetivo do território nem a submissão do Estado venezuelano. O chavismo não se resume à figura de um presidente; é um regime assentado em um processo de mobilização popular radical e profundamente enraizado na sociedade venezuelana. Diferentemente de outros países, existem milhões de civis organizados em milícias armadas, integrados a uma estrutura militar que possui quadros ainda mais radicais que o atual comando político, como é o caso do ministro Diosdado Cabello.
Para que o imperialismo obtenha uma vitória total, ele será obrigado a cruzar a fronteira terrestre e sustentar uma guerra de ocupação. Esse é o cenário mais perigoso para o próprio imperialismo. A história recente demonstrou a fadiga do poderio militar norte-americano: a derrota iminente na Ucrânia, a retirada humilhante do Afeganistão e a incapacidade de derrotar a resistência na Palestina provam que a máquina de guerra dos Estados Unidos está em profunda decadência. Uma invasão terrestre na Venezuela significaria mergulhar em uma guerra contra uma população armada e doutrinada para a resistência longa.
Sem o controle real do solo e sem a rendição das milícias, a agressão criminosa poderá ser pouco efetiva. A “vitória total” exigiria um nível de violência e de baixas que o imperialismo terá dificuldade de sustentar politicamente em um mundo já bastante rebelado contra sua dominação.





