Eduardo Vasco

Jornalista. Materiais publicados em dezenas de sítios, jornais, rádios e TVs do Brasil e do exterior

Coluna

O Irã está libertando as mulheres muçulmanas

“Não tardará para que os povos de todo o Oriente Médio, do alto do trono dos reis, xeiques e sultões depostos, gritem vivas à República Islâmica do Irã”

A opressão da mulher faz parte do eixo central dos ataques propagandísticos da CIA contra o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979. Todos os meios de comunicação, think tanks, ONGs, partidos e personalidades que compõem a extensa folha de pagamento da CIA acusam o Irã de oprimir as mulheres. Essa campanha de demagogia atingiu níveis assustadores quando o governo americano decidiu dar um golpe através de uma revolução colorida fracassada e agora bombardeia incessantemente a nação persa.

Os acontecimentos cotidianos, no entanto, invariavelmente jogam por terra essa demagogia e desmascaram implacavelmente sua hipocrisia.

Esse movimento feminista artificial até recebe autorização de seus financiadores para denunciar o machismo de Trump ou a violência de Netanyahu quando essas denúncias não têm o poder de afetar a política geral do imperialismo e não representam nenhum enfrentamento contundente a esses governos. Ou quando os democratas e liberais querem minar o poder da extrema-direita unicamente para colher frutos eleitorais. Em todo caso, esse fenômeno não passa de massa de manobra imperialista.

As palavras de ordem dominantes sobre a opressão da mulher seguem à risca o roteiro dos grandes banqueiros e capitalistas europeus e americanos. O mesmo acontece com a demagogia em torno da opressão dos negros, dos homossexuais, dos índios, dos imigrantes e das diversas “minorias”.

Basta ver que todo esse aparato monstruoso de propaganda, que tanto teatro fez contra o machismo de Trump, presta todo o seu apoio às agressões imperialistas lideradas pelo presidente dos Estados Unidos. Ou alguém viu a CNN, BBC, DW e Rede Globo denunciando o sequestro da primeira-dama e deputada venezuelana Cilia Flores, junto com Nicolás Maduro? Será possível encontrar uma opressão maior contra as mulheres que o massacre de ao menos 150 meninas na escola de Minab, no sul do Irã, executado por bombardeio americano proveniente de uma base nos Emirados Árabes? E, das mais de 1.300 vítimas fatais de ataques dos EUA e “Israel” ao Irã, quantas centenas eram mulheres?

A agressão imperialista ao Irã está sendo apoiada integralmente pela indústria de demagogia feminista made in USA. Parte dela até criticou o genocídio de “Israel” em Gaza, mas apenas para não perder o pouco de credibilidade que ainda consegue manter, graças à audiência da pequena burguesia. Contudo, a partir do momento em que o responsável pelo extermínio de cerca de 15.000 palestinas, o regime terrorista de Tel Aviv, iniciou a agressão em conjunto com os EUA ao Irã, os parceiros de Jeffrey Epstein se transformaram em libertadores das mulheres iranianas!

É claro que todos esses imaculados combatentes de fake news não vão dizer que o Irã é um dos países mais progressistas do Oriente Médio, onde as mulheres alcançaram direitos que não possuem na maioria dos seus países vizinhos, onde têm amplo acesso à educação superior, ao mercado de trabalho, ao lazer e liberdade para se vestir como em nenhum outro país da região. Direitos conquistados pela Revolução de 1979.

O que os imperialistas jamais aceitaram é precisamente o fato de o Irã ter realizado uma revolução que o libertou da escravidão imposta à esmagadoria maioria dos povos do mundo pelos mesmos que se apresentam como libertadores das mulheres. E, frente às constantes agressões desses senhores de escravos, aquela revolução apenas se fortaleceu – a ponto de, neste momento, estar devolvendo com juros todas as provocações, ameaças e ataques que sofreu ao longo de décadas.

A ação do Corpo dos Guardiães da Revolução Islâmica não tem precedentes na história moderna. Ao destruir ou danificar seriamente as bases militares, embaixadas e demais instalações dos Estados Unidos e da OTAN, além de bombardear a maior delas (a terra roubada da Palestina chamada de “Israel”), o Irã está desferindo um golpe monumental contra a presença imperialista no Oriente Médio.

“Não temos escolha senão colocar um fim à presença americana no Golfo”, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores persa, Sayed Khatibzadeh. Essas palavras expressam a convicção iraniana de que a sua guerra não é apenas uma guerra de independência definitiva contra potências agressoras – se fosse só isso, já valeria a pena travá-la. Mas é uma guerra ainda mais sagrada: a guerra para livrar toda a região do domínio colonial dos Estados Unidos e das demais potências imperialistas, que não estão lá senão para saquear seu petróleo e suas riquezas naturais e controlar uma das artérias do sistema capitalista mundial.

Desde o final do século XIX, para garantir a espoliação daqueles povos, as potências imperialistas impuseram ditaduras fantoches que controlassem as populações com as armas, treinamento, tecnologia e todo o suporte político, diplomático e econômico dos Estados Unidos e das nações imperialistas europeias. Elas criaram mesmo, artificialmente, boa parte daqueles países.

Os regimes dos Emirados Árabes, Barém, Cuaite, Catar, Arábia Saudita, Omã, Iêmen, Jordânia, Líbano, Síria, Autoridade Palestina e, claro, “Israel”, se sustentam no poder somente por causa da forte presença militar dos Estados Unidos e da OTAN. Não fosse isso, eles jamais existiriam. Os governos da maioria desses países são monarquias ou ditaduras militares onde não existem direitos políticos, liberdades democráticas e onde, obviamente, as mulheres vivem mergulhadas na treva mais profunda. Nesta altura do campeonato, é claro que a demagogia identitária não vai dar um pio, mas é difícil acreditar que a mulher iraniana seja mais oprimida que a saudita.

Ao atacar a infraestrutura imperialista nesses países, o Irã está minando as bases da dominação colonial sobre seus povos. Não abala apenas a presença militar dos Estados Unidos, mas, em consequência, os próprios regimes títeres criados para explorar mais comodamente as suas riquezas. Esses regimes artificiais opressores fragilizam-se de maneira acentuada à medida que o Irã expulsa o imperialismo. O enfraquecimento desses regimes significa o enfraquecimento da exploração sobre os seus povos. A expulsão do imperialismo pelo Irã abre o caminho para a queda de todo esse castelo de cartas, e, finalmente, dos próprios regimes em si.

Não tardará para que os povos de todo o Oriente Médio, do alto do trono dos reis, xeiques e sultões depostos, gritem vivas à República Islâmica do Irã. E para que as mulheres desfrutem de uma liberdade jamais experimentada, seguindo o exemplo da mulher iraniana.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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