A recente manifestação convocada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que levou cerca de 20 mil pessoas às ruas de Brasília mesmo sob forte chuva — conforme levantamento da Universidade de São Paulo (USP) — é uma demonstração cabal do fracasso da política da esquerda pequeno-burguesa, que apostou todas as fichas na repressão judicial para conter o bolsonarismo.
A esquerda, em particular o campo majoritário do Partido dos Trabalhadores (PT) e seus aliados, se apega à ilusão de que a Justiça burguesa irá resolver o problema da extrema direita. Resultado: enquanto se pedem prisões e inquéritos, a direita cresce nas ruas, ganha musculatura e se apresenta como oposição ao regime.
O ato convocado por Nikolas Ferreira não foi um fenômeno isolado. Recentemente, também ocorreram manifestações bolsonaristas em São Paulo, como a da Avenida Paulista, além de outras em diferentes cidades do país. Tudo isso revela uma realidade que a esquerda se recusa a admitir: a direita está ocupando as ruas com força, enquanto a esquerda perdeu completamente sua capacidade de mobilização popular.
Essa situação tem origem direta na política de conciliação e capitulação diante da burguesia. Ao assumir um governo de frente ampla, o governo Lula se comprometeu com uma política de ajustes fiscais e um discurso cada vez mais alinhado com os interesses do imperialismo no plano internacional.
A condenação do Irã por parte do governo brasileiro, sob o pretexto de “direitos humanos”, ao mesmo tempo em que se dobra à pressão dos Estados Unidos contra a Venezuela, são exemplos de uma diplomacia profundamente reacionária, que rompe com qualquer traço de independência frente aos monopólios internacionais.
No plano interno, a perseguição à oposição bolsonarista — por mais reacionária que esta seja — revela não apenas um desprezo pelas liberdades democráticas, mas também uma incompreensão do processo político. Em vez de derrotar o bolsonarismo politicamente, com mobilização popular e um programa revolucionário, a esquerda institucional o fortalece ao se aliar ao aparato repressivo do Estado burguês.
O resultado é previsível: diante de uma população cada vez mais empobrecida, frustrada com as promessas não cumpridas do governo, o bolsonarismo aparece como alternativa combativa. E a esquerda institucional, desmoralizada, vê seus atos minguarem enquanto a direita enche avenidas sob raios e trovões.
É preciso tirar lições. A luta contra a extrema direita não se faz com Supremo Tribunal Federal (STF), com Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou com a Polícia Federal. Faz-se nas ruas, com independência de classe, contra a política neoliberal e contra o imperialismo.





