A jornalista esportiva Milly Lacombe não conseguiu esconder a satisfação dela em ver que Neymar Jr. não foi convocado por Carlo Ancelotti para disputar os últimos amistosos da seleção antes da convocação final para a Copa do Mundo deste ano.
Em recente coluna ela questiona: “Por que Neymar é uma obsessão nacional?. E responde:
“Acho que poucos questionarão o argumento de Neymar não ter cumprido seu destino de melhor do mundo. Não acredito que o debate deva ser travado nessa arena. As reflexões deveriam ser sobre uma obsessão que, mesmo com Neymar fora de forma e sem conseguir exibir seu talento, segue existindo”.
Diz Lacombe que só se fala de Neymar e que “já vimos esse tipo de obsessão com jogadores que entregaram tudo e mais, mas esse não é o caso de Neymar. E mesmo quando tratávamos assim nossos craques incontestes eu argumentaria que o nível de histeria que tece a relação de Neymar com sua audiência masculina é inédito”.
Ela diz que: “boa parte da raiva que alguns sentem dele talvez venha dessa promessa não cumprida. Frustração, normalmente, é elaborada como raiva. Claro que a vida dele fora de campo não ajuda, por mais que alguns canais tentem desesperadamente vender a ideia do bom pai”.
Até aqui ela já falou que Neymar está fora de forma, não joga tão bem assim, e é um péssimo pai, como se ser um bom pai fosse algum critério para se convocar ou não um determinado jogador de futebol. Lacombe deve ser a pessoa que ficou mais feliz com a ausência de Neymar na lista de convocação de Ancelotti.
E ela explica a felicidade que está sentindo:
“Neymar vai entrar para a história como aquele que apoiou Bolsonaro e tudo o que Bolsonaro representa. Foi o craque que sugeriu que enfiassem um sapato na boca de Luana Piovani dentro de uma sociedade que pratica diariamente tenebrosas violências contra mulheres. É o craque capaz de se manifestar politicamente por gramados e bolas melhores mas nunca deu um pio sobre os colegas acusados de estuprarem mulheres – muito pelo contrário”.
Ou seja, além de tudo que já tinha sido dito sobre o jogador, Neymar ainda é bolsonarista, machista e defensor de estuprador.
Ela mesma reconhece que sua régua, ou seja, consciência política dela própria, não serve para muita coisa:
“O homem Neymar joga para afundar o craque Neymar. Mas, tirando Raí, Danilo e Juninho Pernambucano, que jogador ou ex jogador demonstra ter ampla consciência política, social e de gênero? Claro que Neymar exagera para o lado de lá, mas a verdade é que quase todos pensam como ele no meio.”
É importante destacar que a tal “consciência política” que ela fala é a dela própria. A posição política dela é a defesa dela mesma e do que ela pensa. Ela não representa nenhuma luta contra a direita. Ela parte do pressuposto de que ela, Lacombe, é de esquerda. Mas presumir isso é errado. Lacombe representa a posição dela mesma, que é uma direitista.
No texto recente, ela conclui:
“Fico imaginando o que Ancelotti acha dessa nossa obsessão. Neymar não está jogando nada e, ainda assim, queremos saber por que exatamente ele não foi convocado. Talvez Ancelotti nos ache malucos. Mas não somos malucos. Neymar foi um sonho que sonhamos juntas e juntos. E esse sonho não se realizou. Mas, como todo sonho que é sonhado coletivamente, a gente demora a desistir. Por isso Neymar é assunto todos os dias do ano, jogando ou não jogando, convocado ou não convocado. Ele representa muita coisa sobre nós mesmos e talvez não estejamos dispostas e dispostos a abrir mão de tudo o que podemos ser”.
Apesar da poesia fajuta, a verdade é que Lacombe tenta esconder a festa que está fazendo em razão da não convocação de Neymar para os amistosos da seleção brasileira. E o faz como se fosse definitiva a sua ausência da Copa do Mundo, o que não é verdade. Neymar ainda pode ser convocado, para o desespero de Lacombe e os “bem pensantes” da imprensa burguesa.
Ao qualificar todos os jogadores como imprestáveis politicamente, ela se soma a uma campanha contra o futebol brasileiro de conjunto, como se em algum lugar do mundo exista este desportista que se encaixe na inexplicável “consciência política” de Lacombe.
Por outro lado, respondendo à pergunta da colunista do UOL, não existe obsessão com relação a Neymar. Ele, o camisa 10 do hexa, é reconhecido pelo que ele fez até hoje pelo futebol brasileiro e mundial, é um ídolo e é perseguido dentro e fora de campo, como o demonstra Lacombe.
Neymar, como todos os craques de futebol, quando parar de jogar, será lembrado pelo seu futebol, e não por sua posições políticas. Só para Lacombe, da esquerda classe média, que é preciso se preocupar, antes de qualquer coisa, com uma opinião moral superior a dos outros do que a luta de calsses real.
O texto de Lacombe é mais uma tentativa de dizer: “esqueçam o Neymar, ele já deu o que tinha que dar”. Ou seja, mais um esforço para afundar de vez a carreira de um jogador que ainda pode dar muita alegria ao país.
Essa campanha não apenas é ruim pro Neymar, mas desmoraliza os craques brasileiros de conjunto. Um possível fracasso de Neymar ao não ir para a Copa do Mundo de 2026 causará um impacto negativo nos milhares de jovens que espelham sua carreira no grande craque.
Neymar, como todo craque brasileiro, é idolatrado pelo simples fato de ser superior aos donos do Mundo no quesito futebol. Essa é a satisfação do brasileiro com esse esporte e seus jogadores. É um orgulho nacional. Mesmo com todo o dinheiro dos poderosos, o Brasil continua sendo o melhor neste esporte.





