Em sua primeira mensagem pública após assumir a liderança da Revolução Islâmica e da República Islâmica do Irã, o aiatolá Saied Mojtaba Khamenei afirmou nesta quinta-feira (12) que o país manterá a guerra de defesa contra os Estados Unidos e “Israel”, conservará fechado o Estreito de Ormuz e buscará vingança pelo sangue dos iranianos assassinados na agressão iniciada em 28 de fevereiro.
A nova liderança iraniana declarou que “a vontade do povo é continuar uma defesa eficaz” e que a presença popular deve ser mantida em cena. Na mesma mensagem, Saied Mojtaba Khamenei afirmou que “o Estreito de Ormuz deve permanecer fechado”, apresentando a medida como uma prioridade da resposta iraniana.
No início da mensagem, o novo líder da Revolução Islâmica manifestou pesar pelo assassinato do aiatolá Saied Ali Khamenei, seu pai, e dirigiu condolências ao povo iraniano, à comunidade islâmica e às famílias dos mártires da guerra travada pelos Estados Unidos e por “Israel” contra o Irã. Ele também mencionou perdas pessoais e afirmou ter perdido, além de seu pai, sua esposa, sua irmã, sua sobrinha e seu cunhado.
Saied Mojtaba Khamenei afirmou que soube do resultado da votação da Assembleia dos Peritos pelos meios de comunicação da República Islâmica, “como todos vocês”, e declarou que assumir o posto ocupado anteriormente por Ruhollah Khomeini e por Saied Ali Khamenei representa uma tarefa pesada. Segundo ele, sentar-se “no lugar antes ocupado por dois grandes líderes” impõe uma responsabilidade de grandes proporções, que só poderá ser enfrentada com a ajuda de Deus e com o apoio do povo.
Ao tratar do papel popular na guerra, o novo líder afirmou que uma das principais características de seus antecessores foi confiar na população e incorporá-la à vida nacional. Disse que, nos dias em que o país ficou sem líder e sem comandante-em-chefe, a lucidez, a inteligência e a firmeza do povo iraniano impressionaram os aliados e surpreenderam os inimigos. Segundo ele, foi a própria população que conduziu o país e garantiu sua força nesse período.
Na mensagem, Saied Mojtaba Khamenei insistiu que a unidade nacional deve ser preservada em meio à guerra. Também pediu ampla participação em mobilizações como a marcha do Dia de Al-Quds, na última sexta-feira do Ramadã, apresentada por ele como um ponto de concentração para todo o país. Em outro trecho, exortou os iranianos a ajudarem uns aos outros e pediu que os organismos de assistência e as estruturas voluntárias ampliem o apoio às pessoas mais afetadas pela agressão norte-americana e sionista.
Ao abordar o andamento da guerra, o líder da Revolução Islâmica afirmou que, se esses princípios forem mantidos, a vitória sobre o inimigo estará ao alcance do Irã. Disse ainda que o exemplo mais imediato dessa possibilidade seria, “se Deus quiser”, a vitória na guerra em curso.
Saied Mojtaba Khamenei também dirigiu palavras às Forças Armadas iranianas e elogiou os combatentes que, segundo ele, detiveram o avanço do inimigo com golpes devastadores. Afirmou que os soldados iranianos eliminaram as ilusões do inimigo de controlar o território iraniano ou de fragmentar o país. Repetiu, nesse ponto, que a exigência popular é a continuidade de uma defesa “eficaz e capaz de provocar arrependimento”.
O novo líder declarou ainda que o fechamento do Estreito de Ormuz deve continuar e informou que existem estudos sobre a abertura de novas frentes em áreas nas quais o inimigo tem pouca experiência e elevada vulnerabilidade. Segundo ele, a ativação dessas frentes dependerá do desenvolvimento da guerra e dos interesses do país.
Em outro trecho da mensagem, Saied Mojtaba Khamenei afirmou que o Irã não abandonará a busca por justiça pelo sangue dos mártires. Disse que a vingança não se refere apenas ao assassinato do líder da Revolução Islâmica, mas se estende a cada integrante da nação morto pelo inimigo. “Não recuaremos da vingança pelo sangue de nossos mártires”, declarou.
O líder iraniano acrescentou que uma parte limitada dessa vingança já foi realizada, mas afirmou que o processo continuará até sua plena concretização. Também declarou que o Irã buscará reparação do inimigo e, se ela não for paga, tomará bens equivalentes; caso isso não seja possível, destruirá as propriedades do adversário.
Ao tratar dos feridos e das famílias atingidas pela guerra, Saied Mojtaba Khamenei prometeu tratamento médico gratuito e outros benefícios aos lesionados. Dirigiu novas condolências às famílias que perderam parentes, tiveram casas destruídas ou sofreram prejuízos materiais na ofensiva norte-americana e sionista.
A mensagem também foi dirigida aos governos vizinhos. Saied Mojtaba Khamenei afirmou que o Irã mantém fronteiras terrestres e marítimas com 15 países e sempre buscou relações calorosas e construtivas com eles. Ao mesmo tempo, observou que o inimigo instalou bases militares e financeiras em parte desses territórios. Segundo ele, o Irã seguirá atingindo essas bases estrangeiras sempre que forem usadas para atacar a República Islâmica, embora continue defendendo boas relações com os países vizinhos.
Em formulação semelhante, afirmou que o Irã atacou apenas as bases militares empregadas pelos agressores, sem atacar os próprios países. Acrescentou, no entanto, que, se essas instalações continuarem a ser usadas contra o Irã, os ataques prosseguirão.
Saied Mojtaba Khamenei também agradeceu ao Eixo da Resistência pelo apoio dado ao Irã durante a guerra. Declarou que os países e forças da resistência estão entre os melhores amigos da República Islâmica e citou diretamente o Hesbolá, o Iêmen e a resistência iraquiana. Segundo ele, a causa da resistência é parte inseparável dos valores da Revolução Islâmica e a solidariedade entre esses países encurta o caminho para derrotar a conspiração sionista.
Na parte final da mensagem, o novo líder prestou homenagem direta a Saied Ali Khamenei. Afirmou que sua morte deixou uma dor profunda no coração de todos e recordou que o antigo líder desejava esse fim, tendo sido assassinado enquanto recitava o Alcorão na manhã do dia 10 do Ramadã. Disse ainda que levará tempo para que todas as dimensões de sua grandeza sejam plenamente compreendidas.
Saied Mojtaba Khamenei prometeu seguir integralmente a missão de seu antecessor. “Prometemos a você que nos esforçaremos com todas as nossas forças para erguer a bandeira que você levantou”, afirmou, referindo-se à bandeira da verdade e aos objetivos finais da Revolução Islâmica.
Ao concluir sua primeira declaração, o novo líder agradeceu o apoio recebido de dirigentes religiosos, figuras políticas, dos três poderes da República Islâmica e do conselho provisório de liderança. Também pediu bênçãos divinas para o povo iraniano, para os muçulmanos e para os povos oprimidos de todo o mundo, em meio à guerra em curso.
Confira, abaixo, a carta na íntegra:
Em nome de Deus, o Mais Compassivo, o Mais Misericordioso
“Sempre que abrogamos um sinal ou fazemos com que seja esquecido, trazemos um melhor do que ele ou semelhante a ele.”
Paz seja contigo, ó chamador a Deus e intérprete de Seus sinais. Paz seja contigo, ó portal de Deus e guardião de Sua fé. Paz seja contigo, ó vice-regente de Deus e defensor de Sua verdade. Paz seja contigo, ó prova de Deus e guia de Sua vontade. Paz seja contigo, ó líder aguardado e esperado. Paz seja contigo em toda expressão de paz. Paz seja contigo, meu mestre, o Senhor do Tempo.
Ao início desta mensagem, expresso minhas mais profundas condolências ao Senhor da Era — que Deus apresse seu retorno — pelo martírio do grande, amado e sábio líder da Revolução Islâmica, Sayyed Ali Khamenei. Peço que bênçãos e misericórdia sejam concedidas à grande nação iraniana, a todos os muçulmanos ao redor do mundo, aos servidores do Islã e da revolução, aos combatentes que se sacrificam por sua pátria e às famílias dos mártires do movimento islâmico, especialmente aqueles que tombaram na guerra em curso. Solicito também orações por este humilde servo.
A segunda parte de minhas palavras é dirigida à grande nação iraniana.
Primeiramente, devo esclarecer brevemente minha posição em relação à decisão da respeitada Assembleia dos Especialistas. Como muitos de vós, tomei conhecimento do resultado de sua votação por meio da transmissão da televisão nacional da República Islâmica. Para este vosso servo, Sayyed Mojtaba Hosseini Khamenei, assumir o posto antes ocupado por duas figuras monumentais — o grande Khomeini e o mártir Khamenei — é uma responsabilidade imensa e assustadora.
Este assento foi anteriormente ocupado por um homem que devotou mais de seis décadas de sua vida à luta no caminho de Deus. Ele renunciou ao conforto e aos prazeres mundanos e emergiu como uma figura de rara distinção, não apenas em nossa própria era, mas na longa história daqueles que governaram este país. Tanto sua vida quanto a forma de seu martírio foram marcadas pela dignidade e pela grandeza nascidas de uma fé inabalável.
Tive a honra de ver seu corpo após o martírio. O que testemunhei foi uma montanha de determinação e força. Disseram-me que mesmo após a morte sua mão ilesa permanecia fechada em punho firme. Aqueles que verdadeiramente compreenderam as múltiplas dimensões de seu caráter falarão sobre ele por muitos anos. Aqui, limito-me a estas breves palavras e deixo o relato mais completo para outra ocasião.
É precisamente por esta razão que assumir a liderança após tal figura é tão difícil. Preencher o vazio deixado por sua ausência só será possível mediante a confiança em Deus e o apoio inabalável do povo iraniano.
Uma verdade essencial deve ser enfatizada: uma das conquistas definidoras do líder mártir, assim como de seu grande predecessor, foi trazer o povo para todos os âmbitos da vida nacional. Eles despertaram a consciência pública, cultivaram a discernimento e depositaram sua confiança na força da própria nação. Ao fazê-lo, conferiram significado real à ideia de república e à soberania popular.
Os resultados desta abordagem tornaram-se evidentes durante os breves dias em que o País ficou sem um líder e sem um comandante-em-chefe. A consciência, a coragem e a presença firme da nação iraniana naqueles dias assombraram o inimigo e inspiraram admiração entre os amigos. Foram vocês, o povo, que salvaguardaram a força e a autoridade deste País.
O versículo com o qual iniciei estas palavras nos lembra que quando um sinal divino é retirado, Deus o substitui por outro igual ou superior. O propósito de invocar este versículo não é afirmar que este servo se encontra ao nível do líder mártir — longe disso —, mas destacar o papel decisivo do próprio povo iraniano. Se essa grande bênção nos foi tirada, outra foi concedida em seu lugar: a renovada presença e determinação da nação iraniana.
Saibam claramente: se a força do povo estiver ausente da arena pública, nem a liderança nem as instituições do Estado — cuja verdadeira missão é servir ao povo — poderão funcionar com eficácia.
Para que esta força floresça, vários princípios devem ser preservados.
Primeiro, a lembrança de Deus, a confiança nEle e a devoção ao sagrado legado dos justos devem permanecer o alicerce de nossa luta. Estas são as fontes de resiliência e as chaves para a vitória definitiva sobre o inimigo.
Segundo, a unidade entre os diversos segmentos da nação iraniana deve ser preservada, especialmente em tempos de adversidade. As diferenças não podem enfraquecer a solidariedade que une nosso povo.
Terceiro, o povo deve manter uma presença ativa e significativa na arena pública, como tem feito ao longo destes dias e noites de guerra. Esta presença pode assumir muitas formas: social, política, cultural, educacional e até de segurança. O que mais importa é que cada pessoa compreenda seu papel e o cumpra sem minar a unidade da nação.
A este respeito, enfatizo a importância da participação em massa nas próximas comemorações do Dia de Quds do ano 1447 da Hégira. Estas concentrações devem encarnar o espírito de resistência e demonstrar a determinação do nosso povo em enfrentar o inimigo.
Quarto, a solidariedade mútua deve permanecer uma característica definidora da sociedade iraniana. Nosso povo sempre se apoiou mutuamente nos momentos de dificuldade, e este espírito deve brilhar ainda mais intensamente nestes dias desafiadores. Convoco também as instituições estatais e os órgãos de serviço público a prestar toda a assistência possível àqueles que sofreram perdas e a apoiar os esforços comunitários de socorro.
Se estes princípios forem respeitados, o caminho para a renovada grandeza e dignidade se abrirá diante de nossa nação. O exemplo mais próximo disso, que Deus queira, será a vitória sobre o inimigo na guerra que ora é travada contra nós.
Mensagem aos combatentes e à frente de resistência
A terceira parte de minhas palavras é uma mensagem de sincera gratidão aos nossos bravos combatentes. Em um momento em que nossa amada pátria sofreu agressão injusta por parte dos líderes da frente arrogante, vós permanecestes firmes. Por meio de vossos poderosos golpes, bloqueastes o caminho do inimigo e desfizestes a ilusão de que poderiam dominar nosso País ou mesmo dividi-lo.
Caros irmãos de armas, a vontade do povo iraniano é clara: a defesa da nação deve prosseguir de forma eficaz, decisiva e dissuasora.
A alavancagem estratégica do fechamento do Estreito de Ormuz deve continuar a ser utilizada.
Ao mesmo tempo, estudos foram realizados sobre a abertura de frentes adicionais onde o inimigo tem pouca experiência e seria altamente vulnerável. Caso a guerra prossiga e as circunstâncias o exijam, estas opções serão ativadas de acordo com os interesses da nação.
Expresso também meus sinceros agradecimentos aos combatentes da frente de resistência. Consideramos as nações e movimentos da frente de resistência entre nossos amigos mais próximos. A causa da resistência em si é inseparável dos valores da Revolução Islâmica.
Sem dúvida, a cooperação e a solidariedade das forças desta frente encurtarão o caminho para a superação da ameaça sionista. Vimos como o corajoso e fiel Iêmen recusou-se a abandonar a defesa do oprimido povo de Gaza. Vimos como o Hezbollah, apesar de imensos obstáculos, permaneceu ao lado da República Islâmica. E vimos como a resistência no Iraque seguiu bravamente o mesmo caminho.
Mensagem às vítimas da guerra
A quarta parte de minhas palavras é dirigida àqueles que sofreram durante estes dias difíceis — aqueles que perderam entes queridos ao martírio, aqueles que foram feridos e aqueles cujos lares e meios de subsistência foram danificados.
Primeiramente, expresso minha mais profunda solidariedade às famílias dos nobres mártires. Minha empatia por eles vem da experiência pessoal. Além de meu pai, cujo martírio se tornou uma perda compartilhada por toda a nação, perdi também minha amada e leal esposa, minha devotada irmã que dedicou sua vida ao cuidado de nossos pais e que por fim recebeu sua recompensa, seu filho pequeno, e o marido de outra irmã, homem culto e honrado. Eles também se juntaram à caravana dos mártires.
O que torna a paciência diante de tais adversidades possível — e mesmo suportável — é a confiança na certa promessa de Deus de grande recompensa para aqueles que suportam o sofrimento com fé. Portanto, a paciência deve prevalecer, e nossa confiança deve permanecer firmemente depositada na misericórdia e na justiça de Deus.
Em segundo lugar, asseguro à nação que não abandonaremos a busca por justiça pelo sangue de vossos mártires. Esta busca não diz respeito apenas ao martírio do líder da revolução. Cada membro de nossa nação que cai pelas mãos do inimigo representa um caso separado no curso da retribuição.
Uma parte limitada desta retribuição já foi executada. No entanto, a questão permanecerá em aberto até que a justiça seja plenamente realizada, especialmente no que diz respeito ao sangue de nossas crianças. O crime cometido deliberadamente pelo inimigo contra a escola Shajarah Tayyebeh em Minab, e outras atrocidades semelhantes, ocupa um lugar especial nesta busca.
Em terceiro lugar, os feridos nestes ataques devem receber tratamento médico adequado e gratuito e ter garantidos o apoio e os benefícios que merecem.
Em quarto lugar, na medida em que as condições atuais permitam, medidas suficientes devem ser tomadas para compensar os cidadãos pelas perdas financeiras infligidas às suas casas e propriedades. Estas são obrigações vinculantes dos funcionários, que devem implementá-las e reportar seus progressos.
Fique também claramente entendido que exigiremos do inimigo compensação por estes crimes. Se recusarem, tomaremos de seus ativos o que considerarmos apropriado. E se isso não for possível, destruiremos uma parcela equivalente de seus recursos.
Mensagem aos governos regionais
A quinta parte de minhas palavras é dirigida aos líderes e tomadores de decisão de vários países de nossa região.
O Irã compartilha fronteiras terrestres ou marítimas com quinze países, e sempre buscamos relações calorosas e construtivas com todos eles. No entanto, ao longo dos anos, nossos inimigos estabeleceram bases militares e financeiras em alguns desses países a fim de consolidar sua dominação sobre a região.
Durante a recente agressão contra o Irã, algumas dessas bases foram utilizadas. Como já havíamos advertido anteriormente, visamos apenas aquelas bases, sem dirigir qualquer agressão aos próprios países.
Se estas bases continuarem a ser utilizadas para ataques contra nossa nação, seremos compelidos a continuar a visá-las.
Ao mesmo tempo, permanecemos firmemente comprometidos com a manutenção de relações amistosas com nossos vizinhos. Por esta razão, aconselho estes países a agirem rapidamente para fechar essas bases. Já deve estar claro que as promessas de segurança e paz oferecidas pelos Estados Unidos não passaram de engano.
A República Islâmica não busca dominação nem influência colonial na região. Ao contrário, permanecemos plenamente dispostos a construir relações sinceras e cooperativas com todos os nossos vizinhos, baseadas no respeito mútuo.
Nestes dias abençoados, rezo para que a graça e a misericórdia especiais de Deus abracem a nação iraniana, bem como todos os muçulmanos e todos os oprimidos ao redor do mundo.
Por fim, peço ao nosso mestre, o Senhor da Era — que Deus apresse seu retorno —, que ore durante as noites e dias restantes de Qadr neste sagrado mês para que nossa nação alcance vitória decisiva sobre seus inimigos, e que nosso povo seja agraciado com dignidade, prosperidade e bem-estar.
Que nossos mártires recebam os mais elevados graus no além-vida, e que a paz e a misericórdia divina sejam sobre todos vós.




