Na quinta-feira (1º), Dia de Ano Novo, aproximadamente 520.000 pessoas participaram, em Istambul, de uma grande manifestação em apoio à Palestina, com concentração na Ponte de Galata. O ato foi organizado sob a Humanity Alliance e a National Will Platform, com a participação de mais de 400 organizações e liderança da Fundação da Juventude Turca (TUGVA).
Com o lema “Não nos calaremos, não ficaremos calados, não esqueceremos da Palestina”, os participantes exigiram o fim do genocídio na Faixa de Gaza. Antes da marcha, grupos se reuniram em grandes mesquitas da cidade, como a Grande Mesquita de Santa Sofia, Sultanahmet, Fatih, Suleimanie e a Mesquita Nova de Eminonu. Bandeiras turcas e palestinas foram levadas ao local, e houve orações nos pátios.
Apesar do frio intenso, a adesão foi elevada. As autoridades montaram um esquema de segurança ampliado, especialmente na Praça Sultanahmet, e os organizadores distribuíram bebidas quentes antes da caminhada em direção à ponte. O programa oficial começou às 8h30 (5h30 GMT), com um grande painel ao fundo do palanque de imprensa exibindo Handala, conhecido personagem de charges palestinas criado por Naji al-Ali.
Durante o ato, houve apresentações culturais e musicais. Entre os artistas anunciados estavam o cantor libanês-sueco Maher Zain, o turco Esat Kabakli e a banda Grup Yuruyus, que se apresentaram ao longo da manhã.
Bilal Erdogan, presidente do Conselho de Curadores da Fundação Ilim Yayma e integrante do Conselho Consultivo Superior da TUGVA, afirmou a repórteres que o ano começou com orações pela Palestina e ressaltou a importância de a concentração ter se iniciado nas mesquitas, ainda de madrugada. “Por um lado, estamos rezando pelos oprimidos na Palestina. Por outro lado, naturalmente, estamos lembrando nossos mártires. Ao mesmo tempo, estamos rezando juntos para que o ano de 2026 traga coisas boas para toda a nossa nação e para os palestinos oprimidos”, declarou.
Erdogan também disse perceber aumento de participação em relação aos anos anteriores. “Todo ano, em comparação com o anterior, sentimos que esta manhã é marcada por uma participação mais ampla e que, como nação, percebemos o quanto nosso terreno comum é forte. Isso nos deixa muito felizes”, afirmou. Ao final, acrescentou: “se Deus quiser, que o Todo-Poderoso conceda a esta nação a alegria de ver esta posição como motivo de orgulho este ano, conceda liberdade aos nossos irmãos e irmãs palestinos e nos conceda a liberdade de Jerusalém”.
O presidente da TUGVA, Ibrahim Besinci, falou ao público na Ponte de Galata e apresentou a mobilização como uma tomada de posição moral diante do que ocorre na Palestina. “Hoje, há centenas de milhares aqui. Há uma nação honrada de pé contra este genocídio. Há as orações dos oprimidos e o legado de nossos mártires”, disse. Ele chamou a ponte de “tribuna de consciência”, homenageou palestinos em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental e mencionou ainda a morte recente de três policiais turcos em uma operação antiterror.
Besinci citou números sobre a destruição em Gaza ao longo de 27 meses, dizendo que foram lançadas 210.000 toneladas de bombas, com 70.000 palestinos assassinados, 2.600 famílias eliminadas por completo, 5.000 famílias reduzidas a um único sobrevivente, 45.000 amputações e 12.000 prisões. “Em outras palavras, diante dos olhos do mundo inteiro, um povo foi eliminado não apenas do mapa, mas da vida”, afirmou.
Antes da marcha, entidades organizadoras realizaram uma coletiva com dirigentes de grandes clubes esportivos da Turquia, como Besiktas, Galatasaray, Trabzonspor e Fenerbahce, que declararam apoio ao ato e incentivaram a participação popular.
No mesmo dia, Bilal Erdogan voltou a mencionar a escalada de mortes desde outubro de 2023, afirmando que “mais de 70.000 civis e ao menos 20.000 crianças” foram mortos no genocídio em Gaza. O texto também menciona que, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, ao menos 414 pessoas morreram e mais de 1.100 ficaram feridas apesar do cessar-fogo de 10 de outubro.
A manifestação contou ainda com uma instalação artística intitulada Roots, apresentada como denúncia da destruição cultural em Gaza: uma oliveira surgindo entre escombros, com cadeiras tombadas, instrumentos musicais espalhados, livros e uma câmera. A frase “Continuaremos aqui” apareceu em três idiomas.



