O recente artigo do Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT), publicado no Esquerda Diário e intitulado Repudiamos o ataque imperialista dos Estados Unidos contra a Venezuela, é um presente para o imperialismo norte-americano.
A questão central que o MRT ignora — ou finge ignorar — é que, em uma guerra de agressão imperialista, não existe “neutralidade política”. Ao afirmar categoricamente que não dão “o menor apoio político ao regime autoritário de Maduro”, no momento em que o presidente é sequestrado por forças estrangeiras, o MRT desarma a resistência. Se o regime é “autoritário” e não merece apoio, por que o trabalhador venezuelano deveria arriscar sua vida para defendê-lo? Essa retórica é um salvo-conduto para o invasor, sugerindo que o que está sendo destruído não é uma nação soberana, mas apenas um “ditador” que, afinal, a própria esquerda já condenou.
Dizem colocar-se no “campo militar” de Maduro enquanto negam o apoio político. Não existe campo militar sem sustentação política em uma guerra de agressão nacional. Afinal, a forma como o imperialismo está levando adiante a sua agressão é por meio de um golpe de Estado contra o presidente. Se o MRT ignora esse fato e não chama os trabalhadores a se mobilizarem por sua libertação, não está defendendo a Venezuela.
Ao repetirem o mantra do “autoritarismo”, o MRT ecoa a exata propaganda do imperialismo norte-americano e dos grandes monopólios de imprensa para justificar o bombardeio. Eles ignoram a lição fundamental de Leon Trótski: em um conflito entre uma nação imperialista e um país oprimido, o apoio ao país agredido deve ser incondicional, independentemente da natureza de seu governo interno. A derrota do imperialismo é o único objetivo no momento; o resto não tem importância.
O cinismo da nota atinge o ápice ao lançar a fórmula mágica de um “governo dos trabalhadores que exproprie a burguesia” como a única saída. Lançar essa abstração enquanto os Estados Unidos ocupam o país é uma pregação para evitar o combate real. O MRT usa a revolução socialista como desculpa para não defender o governo agredido no presente.
Assim como o PSTU, o MRT teme mais ser rotulado pela classe média universitária e pela imprensa liberal de “apoiador de ditador” do que enfrentar o inimigo principal. O grupo se diz “anti-imperialista”, mas não quer se chocar efetivamente com o imperialismo.
Estão, no fim das contas, servindo de papagaios da agressão imperialista.




