A mediação conduzida pelo Paquistão nesta quarta-feira (15) produziu algum avanço, mas ainda sem destravar os pontos centrais da negociação entre a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos. Segundo uma autoridade iraniana ouvida pela Reuters, a visita do chefe do Exército paquistanês, marechal Asim Munir, ao Irã ajudou a reduzir divergências em algumas áreas e aumentou a expectativa de uma extensão da trégua e de uma segunda rodada de conversas. Apesar disso, o porta-voz da diplomacia paquistanesa afirmou que ainda não há data marcada para o novo encontro.
O pano de fundo segue sendo a guerra de agressão iniciada em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e “Israel” atacaram o Irã, e o anúncio da trégua de duas semanas que iria entrar em vigor em 8 de abril e, em princípio, terminaria em 22 de abril. O governo norte-americano disse na quarta-feira (15) que as conversas mediadas pelo Paquistão são “produtivas e em curso”, mas negou que tenha feito um pedido formal para prolongar a trégua. Ao mesmo tempo, Donald Trump voltou a dizer que acredita que a guerra está “perto do fim”, enquanto o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou considerar “altamente provável” que as negociações recomecem.
O esforço diplomático paquistanês se intensificou porque a primeira rodada de negociações em Islamabade, no último fim de semana, terminou sem acordo. Segundo a imprensa imperialista, os dois lados continuam distantes sobretudo em temas nucleares. Entre os pontos mais sensíveis estão o destino do estoque iraniano de urânio altamente enriquecido e a duração de eventuais restrições ao programa nuclear do país. A Associated Press acrescenta que os mediadores também tentam estabelecer um compromisso sobre o Estreito de Ormuz e sobre compensações pelos danos da guerra.
A visita de Asim Munir ao Irã confirma o Paquistão como principal ponte entre Irã e Estados Unidos neste momento. O militar chegou à capital iraniana com a tarefa de “estreitar as lacunas” entre os dois lados. Segundo órgãos como a Associated Press e a Reuters, há algum progresso nas negociações, mas não ainda um avanço substantivo capaz de assegurar uma paz estável.
No terreno econômico e militar, a situação continua tensa porque a trégua convive com um ridículo bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos e com a disputa em torno do Estreito de Ormuz. O bloqueio ao bloqueio do Irã começou na segunda-feira (13) com a estratégia de deixar embarcações saírem das instalações iranianas, cruzarem Ormuz e só então serem interceptadas e forçadas a retornar. Os Estados Unidos, no entanto, não conseguiram apresentar qualquer resultado positivo.
Ao mesmo tempo, surgiu uma nova proposta iraniana ligada justamente a Ormuz. O sinalizou que poderia aceitar que navios trafeguem livremente pelo lado omanense do estreito, sem risco de ataque iraniano, caso seja fechado um acordo mais amplo que impeça a retomada da guerra. Essa proposta ainda deixa perguntas em aberto — entre elas, se o Irã retiraria possíveis minas e se embarcações ligadas a “Israel” também seriam incluídas.
Do lado norte-americano, o governo Trump advertiu que pode impor sanções secundárias contra compradores de petróleo iraniano e que o Tesouro dos EUA avisou bancos chineses sobre o risco de punição caso processem dinheiro ligado ao Irã. Na mesma linha, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, descreveu esse aperto como o “equivalente financeiro” da campanha militar já realizada, indicando que o governo tenta reforçar sua posição na mesa de negociação enquanto mantém a asfixia econômica.
A dimensão internacional da crise aparece com clareza na reação de países importadores de energia. A Coreia do Sul anunciou que garantiu 273 milhões de barris de petróleo bruto e 2,1 milhões de toneladas de nafta por rotas alternativas, sem depender do Estreito de Ormuz. Segundo a Reuters, parte importante desse volume virá da Arábia Saudita por portos próximos ao mar Vermelho, além de fornecimentos acertados com Cazaquistão e Omã. O movimento mostra que, mesmo com a trégua em vigor, governos continuam operando como se a interrupção prolongada do fluxo energético na região fosse uma possibilidade real.
Um grupo de ministros das Finanças de 11 países — entre eles Reino Unido, Japão, Austrália, Espanha, Holanda, Suécia e Noruega — divulgou comunicado pedindo a plena implementação do cessar-fogo. Os governos alertaram que uma retomada dos combates, um alargamento da guerra ou a continuidade da crise em Ormuz criariam riscos sérios adicionais para a segurança energética, as cadeias de suprimento e a estabilidade econômica e financeira. O mesmo comunicado reconhece que, mesmo com uma solução duradoura, os efeitos sobre crescimento, inflação e mercados não desaparecerão rapidamente.
Além do Paquistão, outros países tentam evitar a volta imediata dos combates. A Turquia declarou que seguirá apoiando a conversão da atual trégua em um cessar-fogo permanente e depois em uma paz duradoura.





