América Latina

Nayib Bukele da Costa Rica pode ganhar eleições no 1º turno

Até o fechamento desta edição, Laura Fernández estava com 50% dos votos com 53% das urnas apuradas

TA candidata governista Laura Fernández, do Partido Pueblo Soberano (PPSO), liderava a eleição presidencial da Costa Rica na noite deste domingo (1º). O Corte nº 5 dos Resultados Provisionales do Tribunal Supremo de Elecciones (TSE), gerado às 21h55, apontava Fernández com 838.039 votos válidos (49,61%), com 4.965 juntas processadas (69,40% de 7.154) em nível nacional. Álvaro Ramos, do Partido Liberación Nacional (PLN), aparecia em segundo, com 549.954 votos (32,56%). Em seguida vinham Claudia Dobles Camargo, da Coalición Agenda Ciudadana (CAC), com 77.297 (4,58%), e o Frente Amplio, com 60.777 (3,60%). A participação estimada no boletim era de 69,33%, com abstenção de 30,67% (30,67%). 

A Costa Rica abriu a jornada eleitoral às 6h, com 7.154 centros de votação distribuídos pelo território nacional e mais de 3,7 milhões de cidadãos convocados para eleger presidente, dois vice-presidentes e os 57 deputados da Assembleia Legislativa para o período 2026–2030. O TSE informou pela manhã que as seções e as mesas de apuração seguiam “sem inconvenientes”, e que, no exterior, a abertura das urnas obedecia aos cronogramas de cada consulado, com encerramento até as 19h no horário local de algumas seções.

O sistema eleitoral do país estabelece que o candidato à Presidência precisa obter ao menos 40% dos votos válidos para ser eleito no primeiro turno. Caso nenhum alcance esse patamar, a disputa vai a um segundo turno marcado para 5 de abril. Com 49,61% no Corte nº 5, Fernández seguia acima do percentual exigido para liquidar a eleição já nesta rodada, a depender da consolidação da apuração. 

O pretexto do ‘combate ao crime’

A campanha foi dominada pela política do “combate ao crime” e da “mão dura”, apresentado como resposta ao crescimento da violência no país. Política que, na prática, serve para impulsionar uma campanha pelo fortalecimento do aparato repressivo do Estado, com medidas excepcionais e endurecimento penal, enquanto a oposição advertiu para riscos de arbitrariedades e de ataques aos direitos democráticos do povo.

É nesse terreno que Laura Fernández propagandeou sua candidatura como continuidade do governo do atual presidente Rodrigo Chaves, do qual foi ministra de Planificação e, depois, ministra da Presidência. Em declarações no dia da votação, repetiu a aposta em vitória no primeiro turno e em uma bancada ampla: “vamos ganhar no primeiro turno e ter 40 deputados na Assembleia Legislativa”.

Entre as propostas apresentadas pela candidata governista está a finalização de uma prisão inspirada na megaprisão implementada em El Salvador por Nayib Bukele, além do aumento de penas e da aplicação de “estados de exceção” em áreas pobres tratadas como regiões “conflituosas”. Medidas que abrem caminho para ampliar poderes repressivos e consolidar mecanismos de exceção.

Oposição e disputa na Assembleia Legislativa

O principal adversário de Fernández, Álvaro Ramos, do Partido de Libertação Nacional (PLN), tentou se diferenciar do pacote de “mão dura” que domina a campanha. Referindo-se às propostas inspiradas no modelo de Bukele, Ramos criticou medidas de exceção e afirmou: “não se deve prender pessoas apenas por terem tatuagens”. Em outra declaração, sustentou que pretende “fortalecer o ‘Estado de direito’” e disse: “vou devolver um governo que vai defender os costarriquenhos, não os ‘narcos’”, mostrando que sua política também é de repressão, diferenciando-se de Fernández apenas na forma.

Claudia Dobles Camargo, ex-primeira-dama (2018–2022) e arquiteta, concorreu pela Coalición Agenda Ciudadana (CAC), apresentando-se como uma alternativa de centro-esquerda. Seu programa combinou políticas sociais com ações repressivas chamadas de “megaoperações” em regiões tratadas como “zonas quentes”, ao lado de medidas preventivas por meio de investimentos em educação e em espaços públicos, e de propostas econômicas voltadas à criação de empregos e à redução da desigualdade.

Além da disputa pela Presidência, a eleição define os 57 assentos da Assembleia Legislativa. A composição do parlamento é decisiva para a aplicação do programa do futuro governo, especialmente porque o oficialismo vincula a vitória eleitoral à ampliação de poderes do Estado e à adoção de medidas excepcionais sob o pretexto do “combate ao crime”.

Conheça os candidatos

  • Laura Fernández Delgado (49,61%) – Política costarriquenha com passagem por cargos ministeriais no Poder Executivo, e candidata à Presidência pelo Partido Pueblo Soberano.
  • Álvaro Roberto Ramos Chaves (32,56%) – Economista, também descrito em sua ficha como profissional de informática e professor; atuou em consultoria e liderança de equipes em projetos de transformação digital e gestão de dados, e aparece em perfis públicos como presidente da Caja Costarricense de Seguro Social.
  • Claudia Vanessa Dobles Camargo (4,58%) – Arquiteta; foi primeira-dama da Costa Rica (2018–2022) e, segundo sua ficha eleitoral, trabalhou na coordenação do Plano Nacional de Descarbonização durante esse período e teve atuação profissional em escritórios/empresas do setor, além de vínculo de pesquisa no Massachusetts Institute of Technology (MIT) em 2023–2025.
  • Andrés Ariel Robles Barrantes (3,60%) – Deputado; concorre à Presidência pelo Frente Amplio.
  • Juan Carlos Hidalgo Bogantes (2,81%) – Analista e comentarista em temas políticos e econômicos; sua biografia eleitoral registra participação como conferencista internacional e publicação de artigos em veículos como The New York Times, Forbes e El País, além de presença como comentarista em redes como CNN en Español e BBC World News; candidato pelo Partido Unidad Social Cristiana.
  • Gerardo Fabricio Alvarado Muñoz (2,23%) – Candidato presidencial do Partido Nueva República.
  • José Miguel Aguilar Berrocal (1,73%) – Educador e consultor, com especialização em desenvolvimento humano e políticas públicas e atuação em docência e assessoria; candidato presidencial do Partido Avanza.
  • Natalia Díaz Quintana (0,86%) – Política e administradora; foi ministra da Presidência (maio de 2022 a junho de 2024) e teve carreira no setor privado em funções de comunicação/assuntos corporativos (incluindo direção regional na Dole). Candidata do Partido Unidos Podemos.
  • Eliécer Feinzaig Mintz (0,42%) – Economista; em sua biografia eleitoral, descreve formação em economia, trajetória profissional ligada a gestão/consultoria e candidato presidencial do Partido Liberal Progresista.
  • Luz Mary Alpízar Loaiza (0,35%) – Candidata pelo Partido Progreso Social Democrático.
  • Fernando Dionisio Zamora Castellanos (0,27%) – Advogado constitucionalista e professor universitário; autor de obras jurídicas publicadas em diferentes países, doutorado em direito constitucional em 1997 em programa conjunto entre a Universidade Complutense de Madrid e a ULACIT; candidato presidencial do Partido Nueva Generación.
  • Ana Virginia Calzada Miranda (0,24%) – Jurista; fez Direito na Universidad de Costa Rica, com carreira no sistema de Justiça e na vida pública; candidata presidencial do Partido Centro Democrático y Social.
  • Luis Esteban Amador Jiménez (0,18%) – Engenheiro; candidato presidencial do Partido Integración Nacional.
  • Walter Rubén Hernández Juárez (0,12%)  Profissional do Direito; formação e experiência como advogado/notário. Candidato presidencial do Partido Justicia Social Costarricense.
  • David Hernández Brenes (0,11%) – Candidato do Partido de la Clase Trabajadora.
  • Boris Molina Acevedo (0,08%) – Candidato presidencial do Partido Unión Costarricense Democrática.
  • Claudio Alberto Alpízar Otoya (0,07%) – Cientista político (licenciatura em Ciências Políticas, 1990) e mestre em Estudos para o Desenvolvimento (2010); trabalhou como assessor parlamentar (2006–2010), apresentador e é fundador do Partido Esperanza Nacional.
  • Marco David Rodríguez Badilla (0,06%) – Servidor público com mais de 18 anos de experiência em instituições como ICE, Ministério da Fazenda, Universidade de Costa Rica e outras instâncias administrativas; candidato presidencial do Partido Esperanza y Libertad.
  • Ronny Castillo González (0,06%) – Executivo do setor financeiro: atuação em banco de investimento (incluindo direção/CEO), formação de doutorado em administração e mestrados na área financeira; candidato presidencial do Partido Aquí Costa Rica Manda.
  • Douglas Caamaño Quirós (0,06%) – Empresário; candidato presidencial do Partido Alianza Costa Rica Primero.

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