O artigo O jornalismo de guerra da Globo recria o PowerPoint da Lava Jato, de Florestan Fernandes Jr., publicada neste sábado (7) no Brasil 247, é a crônica de uma tragédia anunciada. Desde sempre este Diário vem alertando do erro que é o governo, para governar, se apoiar no Supremo Tribunal Federal – STF em vez de sua base social: os trabalhadores.
Fernandes Jr. denuncia que “o PowerPoint apresentado na sexta-feira (6) na GloboNews, mostrando as conexões de Daniel Vorcaro com representantes de lideranças políticas, empresariais e judiciais, nos remete diretamente ao dia 16 de setembro de 2016. Naquela ocasião, o ex-procurador da República Deltan Dallagnol apresentou à imprensa um PowerPoint acusando o então ex-presidente Lula de ser o chefe de um esquema de corrupção investigado pela Lava Jato”.
O que a Globo fez não deveria causar qualquer espanto em quem é de esquerda, pois sempre foi assim. Esse ocorrido nos leva a algumas questões, como o tal Inquérito das Fake News, sob comando do senhor Alexandre de Moraes, ministro do STF.
A grande imprensa sempre mentiu à vontade; nunca foi, e nunca será, incomodada pela Justiça sob o Estado burguês. No entanto, Moraes, que também aparece no “PowerPoint”, utiliza o artifício de lutar contra manipulações e fake news (notícias falsas) contra a esquerda, ou contra quem for conveniente. O próprio fato do inquérito existir por tempo indeterminado, o que afronta a Constituição, prova que a medida é uma arma política, não um instrumento legal.
Ironicamente, Alexandre de Moraes não pode impedir de aparecer ele mesmo na imagem, pois este é apenas um instrumento de interesses muito poderosos e é descartável, como qualquer ferramenta.
A esquerda pequeno-burguesa, como sempre, caiu na conversa do “combate às fake news”, militou em favor da censura, contra a liberdade de expressão, e por botar na cadeia em que mentisse. O resultado é que agora temos não apenas as mentiras, ou distorções, mas também a censura. E quem vai ser punido? Vez ou outra um direitista, mas o alvo preferencial será a esquerda.
O jornalista tem razão, “Trata-se, essencialmente, do mesmo modus operandi: criar a falsa impressão de que Lula estaria envolvido com Daniel Vorcaro. A sequência de fotos dos personagens inseridos nessa teia atribuída ao banqueiro parece ter um único objetivo: trazer para dentro do escândalo o chefe da Nação. A própria disposição das imagens revela isso, já que a fotografia do presidente Lula aparece em primeiro lugar. Além disso, a imagem escolhida pelo criador do PowerPoint reforça essa intenção da narrativa oferecida ao telespectador”. Mas, não adianta ter razão, é preciso ter força, ter apoio, sem a classe trabalhadora, Lula fica solto no vazio.
A Causa Operária, quando ainda era uma tendência interna do Partido dos Trabalhadores – antes de ser expulsa e se transformar em um partido –, sempre insistiu que o PT deveria ter uma imprensa própria com jornais diários, rádios, tevês, editoras, mas nunca recebeu atenção. Agora, vemos o resultado: a burguesia fala praticamente sozinha, sem contraponto.
Como se vê, e era esperado, “Lula aparece sorrindo, com a faixa presidencial ao peito, o que quer ‘comunicar’ o uso do cargo em benefício próprio.” E, sim, “é toda uma engenharia visual buscando desconstruir a imagem do presidente da República em ano eleitoral”. Não adianta reclamar que “o neo-PowerPoint da Globo não explica o papel de cada um dos personagens ali representados”. Fará pouco efeito dizer que Lula teria participado de uma reunião e que “não se envolveu no assunto e deixou, de forma republicana, as decisões sobre o Master nas mãos da diretoria do Banco Central”.
Já dissemos, desde o início do julgamento da “tentativa de golpe”, que Bolsonaro estava sendo tirado da corrida presidencial pela burguesia, e que Lula seria o próximo alvo, pois o grande capital não quer um presidente com base eleitoral, planeja um tipo de Milei para o cargo.
Fernandes Jr.aponta que “os vazamentos que voltam a todo vapor em mais um ano eleitoral nos remetem, inevitavelmente, à Lava Jato.” E que “os jornalistas que recebem as informações privilegiadas são os mesmos. Seus “furos” de reportagem continuam produzindo narrativas com impacto direto no ambiente político e eleitoral. Pelo visto, os investigadores que alimentam esses vazamentos também podem ser os mesmos”. Parece estar se referindo à Polícia Federal (PF), peça-chave na Lava Jato e no golpe de 2016, assim como Supremo. E aqui, mais uma vez, é preciso apontar que a PF estava sendo exaltada pela imprensa alternativa, que pedia mais autonomia e poderes para uma instituição que está fora de controle, pelo menos do governo. Alguém a controla, e a impressão que se tem é que as ordens partem dos EUA e até mesmo de Telavive.
No penúltimo parágrafo, Florestan Fernandes Jr., diz que “todos nós fomos, de alguma forma, lenientes com os abusos da Lava Jato”. Nem todos, na verdade; mas foi muito mais que leniência, ou tolerância, houve um verdadeiro apoio de setores inteiros da esquerda que apoiaram a Lava Jato, e que elogiou Sérgio Moro, como Luciana Genro (MES-PSOL).
A esquerda, quase em sua totalidade, adotou a Lava Jato como padrão de justiça; aplaudiu esse método quando foi utilizado, recentemente, contra Jair Bolsonaro na imaginária “trama golpista”. Viu-se o uso intensivo da imprensa, prisões para forçar “confissões”, pesca probatória, obstáculos à defesa, juiz conduzindo investigação e julgando… não ficou devendo nada para Sergio Moro e Deltan Dallagnol. Essa esquerda não aprendeu nada com a Lava Jato.
Finalizando, o jornalista diz que “a cadela do lavajatismo, tal qual a do fascismo, segue no cio”. É verdade, o problema é que quem não deveria, a esquerda, andou levando essa cadela para passear e comprando ração.



