O artigo Os trabalhadores devem liderar a luta pela libertação, e não formas autoritárias de poder ou Estados estrangeiros, publicado pelo MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores) no sítio Esquerda Diário nesta quinta-feira (15), como se nota pelo título, é uma variante da ladainha que têm repetido ultimamente: seriam a “favor do povo e contra os governos e contra o imperialismo”. Têm utilizado esse truque para se referirem à Venezuela e ao Irã.
Esses dois países estão sob intenso assédio do imperialismo, seus governos têm resistido, se levantaram em armas contra os ataques; portanto, todo ataque a eles têm um único propósito: enfraquecer a resistência, ainda que se utilizem argumentos esquerdistas.
No texto publicado, o MRT traz uma declaração do Sindicato dos Trabalhadores da Companhia de Ônibus de Teerã e subúrbios, publicada originalmente no sítio Socialist Workers.
A declaração traz a data de 13 de janeiro de 2026. No primeiro parágrafo diz: “Ao declarar nossa solidariedade às lutas populares contra a pobreza, o desemprego, a discriminação e a opressão, afirmamos explicitamente nossa oposição a qualquer retorno a um passado dominado pela desigualdade, pela corrupção e pela injustiça.”.
Dita assim, é positiva, pois faz uma crítica ao período anterior à Revolução Iraniana (1979), dominado pelo xá Reza Pahlavi (de 1941 a 1979), mais uma ditadura sanguinária sustentado pelo imperialismo, que garantia o fluxo de petróleo, riqueza iraniana, para a Inglaterra e Estados Unidos.
No segundo parágrafo lê-se o seguinte: “Acreditamos que a verdadeira libertação só é possível por meio da liderança consciente e organizada e da participação ativa da classe trabalhadora e dos setores oprimidos, e não pela reprodução de antigas e autoritárias formas de poder. Enquanto isso, trabalhadores, professores, aposentados, enfermeiros, estudantes, mulheres e, especialmente, a juventude, apesar da repressão generalizada, das prisões, das demissões e das pressões sobre suas condições de subsistência, continuam a estar na linha de frente dessas lutas.”.
Liderança consciente e organizada só pode trazer a verdadeira libertação se redundar em uma revolução socialista. Até onde se sabe, a Revoluçao Iraniana não reproduz a antiga forma de poder. Tanto isso é verdade que tem sido alvo do imperialismo, que tem até acenado com o filho de Reza Pahlavi para governar o país, apesar de saber que isso é impossível. A população iraniana não quer a volta da monarquia, e o herdeiro tem andado de mãos dadas com os sionistas, causando repúdio nos iranianos.
Outra acusação que se tem feito do governo iraniano são as tais prisões generalizadas, comumente encontrada na grande imprensa, e nos jornais da esquerda pequeno-burguesa.
Adiante, dizem que “o Sindicato dos Trabalhadores da Companhia de Ônibus de Teerã e Subúrbios enfatiza a necessidade de dar continuidade a protestos independentes, conscientes e organizados”. É importante enfatizar que as manifestações, até antes da infiltração por agentes do Mossad, foram totalmente toleradas. Eram pacíficas e tinham teor econômico.
E ainda: “já dissemos muitas vezes — e repetimos novamente — que o caminho para a libertação dos trabalhadores e dos explorados não passa pela figura de um líder imposto de cima para baixo, nem pela dependência de potências estrangeiras, nem pelas facções internas do governo”. Diante disso, o que deve ser dito é que os trabalhadores devem continuar se organizando e continuando sua luta. Porém, diante da agressão imperialista, devem apoiar o governo, uma vez que este tem enfrentado os agressores.
É positivo o parágrafo até o trecho que diz que “o Sindicato também condena energicamente qualquer propaganda, justificativa ou apoio à intervenção militar por parte de governos estrangeiros, incluindo os Estados Unidos e Israel. Tais intervenções não apenas levam à destruição da sociedade civil e à morte de pessoas”.
Agora, alegar que as intervenções “fornecem novos pretextos para a continuidade da violência e da repressão por parte do governo” é uma capitulação, pois a violência foi uma resposta aos ataques dos agentes infiltrados, que atacaram mesquitas, prédios públicos, corpo de bombeiros; e até atiraram com armas automáticas e de grosso calibre contra agentes de segurança e a população.
A declaração encerra com o seguinte: “Exigimos a libertação imediata e incondicional de todos os detidos e ressaltamos a necessidade de identificar e responsabilizar judicialmente aqueles que ordenaram e perpetraram o assassinato de pessoas.”. Dada a gravidade dos fatos, a libertação de pessoas não pode ser incondicional. Vai ser necessário, antes, investigar muito bem, pois o próprio governo sionista já havia declarado que possuía agentes trabalhando no Irã.
“Fora todos”
Essa política de ser contra todos não é nova. No Brasil, ganhou força durante o golpe de 2016. Aqueles que disseram que o governo Dilma era indefensável, abriram caminho ao governo Temer, que teve graves consequências à classe trabalhadora. Não existe vazio em política.
Não defender o governo da Venezuela, ou o governo iraniano, como faz a maioria da esquerda, apenas servirá de auxílio para o imperialismo se impor, e seu objetivo, como se sabe é se apropriar das riquezas e esmagar a classe trabalhadora.





