Cultura

MRT imita imprensa burguesa e bajula cineasta iraniano

MRT, como faz a imprensa imperialista, publica matéria para enaltecer Jafar Panahi, um cineasta que traiu o próprio povo e tenta fazer papel de herói

Jafar Panahi

A esquerda pequeno-burguesa, por definição, está atrelada à grande burguesia, depende dela para tudo, até para pensar. Por isso abraça ideologias reacionárias e autoritárias, como o identitarismo; bem como fica torcendo para que um brasileiro vença o Oscar, que seja agraciado com Nobel da Paz, etc.

Seguindo essa tendência, o sítio Esquerda Diário, ligado ao MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores), publicou nesta segunda-feira (16) um artigo intitulado “Jafar Panahi. ‘Talvez eu nem quisesse estar aqui’ afirma diretor iraniano indicado ao Oscar, em crítica à guerra durante debate nos EUA”.

Talvez Panahi nem quisesse estar ali, mas estava. Existe uma constelação de artistas que servem para o imperialismo fazer propaganda contra os países que quer atacar, ou que o está fazendo.

“Talvez eu nem quisesse estar aqui”, essa frase foi repetida em toda grande imprensa, seu autor, o cineasta iraniano Jafar Panahi, está sendo entrevistado por toda parte e bajulado, como no início do artigo que diz que “Panahi, indicado ao Oscar 2026 por Foi Apenas um Acidente, representa uma voz crítica ao regime iraniano que também se recusa a servir de instrumento para a propaganda dos Estados Unidos. Ele declarou que pretende retornar ao Irã para cumprir sua pena injusta: ‘só tenho um passaporte’”.

Um jornal de esquerda deveria desconfiar da indicação para um prêmio na Academia, principalmente por se tratar de quem, e de qual país veio o indicado. Trata-se de uma indicação política de Hollywood, peça importante da propaganda imperialista.

Lágrimas

O artigo diz que “nascido em 1960 em Mianeh, em uma família humilde iraniano-azerbaijana, Panahi começou a trabalhar ainda criança para pagar suas idas ao cinema”. Também, não se poderia esperar outra coisa, essa é a realidade de todo país pobre, atrasado, e sob as botas do imperialismo.

Adiante, diz-se que “em 2010, após apoiar protestos contra o regime, Panahi foi preso na temida prisão de Evin e condenado pelo Tribunal Revolucionário Islâmico a seis anos de prisão e 20 anos de proibição de filmar, escrever roteiros, dar entrevistas ou sair do país, acusado de ‘propaganda contra o regime’”.

Como que seguindo um roteiro, o texto precisa utilizar chavões como o da “temida prisão de Evin”, tão comum na grande imprensa. Esses componentes dramáticos sempre ajudam na propaganda. O Brasil está repleto de prisões temidas, são verdadeiras câmaras de tortura, campos de concentração e, ainda assim, a esquerda identitária milita para a criação de novos crimes e pelo aumento de penas.

Segundo o artigo, “durante o encarceramento, iniciou uma greve de fome denunciando maus-tratos. A pressão internacional levou à sua libertação sob fiança, mas a perseguição continuou”.

Panahi foi preso em 2010 por sua participação no Levante de 2009, uma tentativa de revolução colorida liderada por Mir-Hossein Mousavi que, repetindo a velha fórmula que cansamos de ver, a de que teria havido fraude eleitoral. Panahi passou a aparecer em público com adereços verdes, a cor de Mousavi e de seu movimento.

As tentativas de golpe no Irã se sucedem. O imperialismo tentou sufocar a revolução jogando o Iraque contra o país em 1980. Vimos tentativas, como a que aconteceu neste início de ano, com agentes infiltrados e financiados pelo capital estrangeiro. Inúmeros cientistas foram assassinados, inclusive por meio de atentados terroristas; mísseis atirados sobre suas casas e vitimando famílias inteiras.

Mousavi, recebia completo suporte e elogios da imprensa ocidental, além de políticos como Barack Obama e Hillary Clinton. O governo iraniano acusa Mousavi de fazer um trabalho coordenado com canais como a BBC Persian e a Voice of America na cobertura dos protestos formando uma engrenagem para desestabilizar o país.

O governo iraniano acusou também Mousavi de ter recebido financiamento estrangeiro.

Herói de pequeno-burguês

O artigo é apenas uma peça de propaganda, e subserviente aos interesses do imperialismo. Diz que “mesmo proibido de trabalhar, Panahi se recusou a se calar. Transformou a própria censura em matéria-prima de seu cinema”.

O MRT diz que “seu novo filme, Foi Apenas um Acidente, reflete diretamente suas experiências de prisão e violência estatal. Ainda assim, ao chegar ao Oscar, Panahi fez questão de lembrar que a realidade de seu país pesa muito mais que qualquer prêmio. Panahi recusou pedidos de asilo e foi categórico: só possui um passaporte, o de seu país”. Fica-se com a impressão de que se trata de uma pessoa abnegada, que se sacrifica pelo seu país e pelo seu povo.

Panahi não passa de um gusano, o próprio Estadão, jornal da ditadura, escreveu isso sobre o cineasta “crítico ao regime iraniano, o cineasta disse que frequentemente se pergunta sobre o que vai acontecer depois dele. “O ciclo de violência vai continuar, ou conseguiremos quebrá-lo? A cada minuto há novos acontecimentos que nos levam para longe deste ideal. Este regime, só em dois dias, nos últimos dois meses, matou de 30 mil a 40 mil pessoas.”

É um mentiroso útil, já está fartamente provado que esse número de mortes citado é falso. E as mortes foram provocadas por agentes do Mossad e da CIA, como já reconheceram. Chama a atenção que um grupo que se diz de esquerda escreva artigos que muito bem poderiam ser publicados na imprensa burguesa. E, pior, para bajular um traidor de seu povo, que está sofrendo uma agressão criminosa do imperialismo.

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