O artigo Quando a crueldade vira entretenimento digital, de Natalia Beauty, publicado na Folha de São Paulo nesta segunda-feira (2), mostra que a burguesia está utilizando a morte de um cão para culpar as redes pelo ocorrido, e assim pode reforçar sua campanha pela censura na internet.
No primeiro parágrafo o texto traz que “a morte brutal do cão Orelha, em Florianópolis, não surge como um fato isolado nem como um desvio inexplicável. Ela aparece como um sintoma visível de um fenômeno que cresce longe dos holofotes, mas à vista de quem frequenta certas comunidades da internet. Grupos organizados, muitos deles frequentados por crianças e adolescentes, transformam a tortura de animais em espetáculo, linguagem de pertencimento e ritual de iniciação. A crueldade deixa de ser exceção e passa a ser método”.
Em outubro de 2015, quando a polícia praticou a maior chacina no Rio de Janeiro, com mais de 120 mortos, circulou também pelas redes o vídeo do cão Scooby, baleado. Há outro vídeo de um cão baleado à queima-roupa por um policial no Rio Grande do Sul. Nada disso gerou indignação, ou protestos, como se tem visto após a morte de cão Orelha.
Em Gaza, onde os soldados sionistas praticaram um genocídio, vitimando mulheres e crianças aos milhares, além de se divertirem atirando em cães, ou animais de carga, nada disso gerou indignação na grande imprensa que, na verdade, apoia o Estado sionista e seus crimes.
A autora diz que “nessas redes, o termo usado para justificar e glamourizar a violência é ‘sadismo’. Não como conceito clínico, mas como selo de status. O prazer em causar dor vira moeda social. Há relatos recorrentes de transmissões ao vivo com plateias que chegam a centenas de pessoas acompanhando agressões, mutilações e mortes, principalmente de filhotes”.
A violência sempre foi tema de interesse
No artigo está escrito que “a morte do cão Orelha se encaixa nesse contexto. A suspeita de envolvimento de adolescentes reforça a hipótese de que a violência praticada no mundo físico replica comportamentos vistos, normalizados e até celebrados no ambiente virtual. A fronteira entre assistir e agir se torna frágil quando o conteúdo é repetido, encurtado, editado e consumido sem pausa. Vídeos rápidos, estímulos extremos e recompensas simbólicas criam um ciclo em que o impacto emocional diminui e a necessidade de ir além aumenta”.
Esse tipo de conduta não tem nada a ver com a internet, ou com as redes sociais. Já fizeram até filmes sobre o assunto, como Hardcore (1979) e 8mm (1999), que revelam a existência de um subterrâneo de filmes clandestinos voltados à violência e à pornografia. Antes mesmo do cinema, imagens como gravuras e fotografias circulavam pela sociedade, e traziam imagens de execuções, acidentes etc.
Como é preciso criar um clima de medo, a autora avança em especulações, dizendo que o “o zoossadismo não se encerra nos animais, ele costuma integrar um processo de escalada. Primeiro, a violência contra quem não reage. Depois, a transposição para pessoas. Especialistas em comportamento alertam que essas comunidades frequentemente avançam para a indução de automutilação, chantagem psicológica, incentivo ao suicídio e perseguição direcionada, sobretudo contra meninas. O mesmo grupo que aplaude a dor de um animal aprende a rir da dor humana. O treino é progressivo”. – grifo nosso.
Que “especialistas” serão esses? Não há outros que contestem essa visão? Quem pode afirmar com certeza que determinado comportamento vá redundar necessariamente em outros? Pessoas que se auto mutilam, ou que praticaram suicídio, nem por isso maltrataram animais, ou se divertiam com isso. A ideia é absurda.
Falsificação da realidade
O artigo é categórico quando no máximo poderia especular. Faz a pergunta: “que adulto se forma a partir de uma infância em que a crueldade gera prazer, audiência e pertencimento?”, e logo em seguida diz que “a resposta não aponta para um futuro abstrato, mas para um presente que já começa a se materializar. A violência extrema não nasce do nada, ela é cultivada, testada, validada e compartilhada. A internet não cria o impulso, mas oferece escala, anonimato e reforço”.
Para contrapor essa ideia sem cabimento da autora do artigo, poderia ser feita outra: “por que pessoas que se vão para as ruas se manifestar pela morte de um cão não fazem o mesmo pelas crianças na Palestina?”. Seria justo fazer uma pergunta desse tipo? Ou será que a indignação pela morte de um cão está sendo artificialmente estimulada para se atacar as redes sociais e se justificar a censura?
Não faltam também os oportunistas de plantão, como a deputada Erika Hilton (PSOL), que protocolou, neste domingo, dia primeiro, junto ao Ministério da Justiça e à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, um pedido para a abertura de procedimentos visando apurar a atuação da plataforma Discord no Brasil, após a morte do cão Orelha.
Maioridade penal
Outro alvo desse tipo matéria e oportunismo político, é o avanço de proposta para a diminuição da maioridade penal.
O identitarismo, que se notabilizou pela criação de novos crimes e pressão pelo aumento de penas, abre caminho para a barbárie: o encarceramento de jovens. Na prática, os jovens pobres já são encarcerados no Brasil em entidades como a Fundação Casa, onde vão sofrer todo tipo de maus tratos. Depois, os presídios são centros de tortura e degradação humana. Se o Estado obedecesse a Constituição, teria que fechar todos os presídios, pois estes ferem todos os requisitos que tratam da dignidade humana.
A maioria da esquerda, especialmente após a infiltração identitária, não só não denuncia os presídios, como quer mais gente presa, uma política abertamente de direita.
É preciso desmascarar esse tipo de artigo. Os grandes jornais apoiam o genocídio em Gaza, apoiam a continuidadade da guerra na Ucrânia, que já matou centenas de milhares de jovens, mas fingem que estão preocupados com a juventude. Se estivessem preocupados, lutariam pelo fim das guerras, exigiriam escolas públicas e ensino de qualidade. Em vez disso, querem censurar e cassar os direitos dos jovens, e para isso utilizam todo tipo de demagogia.





