A comoção gerada pelo assassinato do Aiatolá Saied Ali Khamenei é imensurável. Multidões em vários países saíram às ruas incrédulas e, ao mesmo tempo, furiosas. A imprensa imperialista, naturalmente, irá atribuir a popularidade de Khamenei ao “fanatismo religioso” ou irá fabricar qualquer outra calúnia. Não se trata, obviamente, disso. A relação entre Khamenei e as massas de todo o Oriente Próximo são um fenômeno muito profundo e revolucionário.
Durante anos, corria no imaginário popular a ideia de que o Oriente Médio era um lugar perigoso, onde vivem homens que se explodem por causas incompreensíveis e onde “ninguém se entende”. Esse é o resultado de bilhões de dólares gastos pelo aparato de propaganda imperialista. O caos aparece como algo intrínseco a um povo que seria de natureza estranha aos “civilizados”.
Essa ideia, no entanto, começa a ruir. Pouco a pouco, os conflitos no Oriente Médio e em toda a região próxima aparecem cada vez mais claramente como o resultado das ações criminosas e inescrupulosas do imperialismo. O Oriente Médio é o que é por causa da corrida pelas riquezas ali contidas e da disputa por um complexo de terras e mares decisivo para todo o comércio mundial.
Se, para a opinião pública mundial, a pirataria imperialista aparece cada vez mais claramente como a razão de todos os problemas naquela região, que dirá dos povos que nela vivem? Após anos e anos de brutalidades imensuráveis e uma crescente luta contra elas, a consciência de quem são seus verdadeiros inimigos é cada vez maior no Oriente Médio.
O resultado disso é que já há, facilmente perceptível a olho nu, ainda que do outro lado do oceano, uma revolta generalizada contra o imperialismo. Em absolutamente todos os países da região, há massas revoltosas conscientes de que os seus problemas têm nome e sobrenome: Estados Unidos e “Israel”.
No Iêmen, uma verdadeira revolução levou ao poder um dos grupos guerrilheiros mais admiráveis e abnegados da história moderna: o Ansar Alá, que entrou em guerra com todos os países desenvolvidos do planeta para defender seus irmãos na Faixa de Gaza. Gaza inteira, por sua vez, vive uma profunda revolução que não para de fabricar combatentes para a luta contra o sionismo. No Iraque, as tropas norte-americanas foram expulsas, e cresce o sentimento de que é preciso erradicar toda e qualquer influência dos Estados Unidos no país. Na Síria, milícias xiitas se entregaram à luta contra “Israel” no momento em que a Palestina mais precisou.
Nos países do Golfo, a situação não é diferente. As ditaduras árabes sufocam a revolta, mas é perceptível que ela é latente. O próprio posicionamento ambíguo da Arábia Saudita revela os limites de sua subserviência aos Estados Unidos.
Todos esses movimentos são um só. Esses povos lutam com seus antagonistas locais, mas têm plena consciência de que o maior opressor está a milhares de quilômetros de distância. A Operação Dilúvio de Al-Aqsa foi quem pôs tudo isso à prova, unificando todas essas lutas.
A coexistência de diversas lutas e grupos demanda uma coordenação. Essa coordenação está, por sua vez, no Eixo da Resistência. Ele é quem expressa, de maneira clara, que todos esses povos estão golpeando juntos o mesmo inimigo.
Não há dúvida de que quem formou e quem lidera o Eixo da Resistência é a República Islâmica do Irã. E quem, nos últimos 36 anos, liderou o Irã foi o homem que acaba de ser martirizado por “Israel” e Estados Unidos.
Nem tudo o que aconteceu nas últimas décadas ocorreu por decisão de Saied Ali Khamenei. Nem mesmo se pode dizer que as ideias dos combatentes são precisamente as mesmas do Líder da República Islâmica. Nada disso importa, no entanto. As opiniões e ações de um líder são extremamente limitadas em todo o processo histórico.
Mas o que não resta dúvida é que todos que estavam em luta contra o imperialismo reverenciavam Saied Ali Khamenei como seu comandante. Como o homem que estava à frente de uma estrutura gigantesca, certamente maior do que o que o próprio Khamenei e seus combatentes possam imaginar.
Após seu martírio, os xiitas passaram a se referir a Khamenei como “líder da Ummah” — líder de toda a comunidade muçulmana. É sua forma de dizer: o homem que conduziu us muçulmanos à libertação das algemas imperialistas.





