Neste domingo (18), faleceu, em decorrência de um câncer no pâncreas, o político pernambucano Raul Jungmann. Embora a grande imprensa o saúde como um “republicano de rara integridade”, a realidade de sua atuação revela um perfil distinto: o de um articulador direto dos interesses do imperialismo e um fiador da tutela militar sobre a política nacional.
Jungmann não foi apenas um burocrata de alto escalão; ele foi o homem que, em momentos decisivos, serviu de ponte entre o Departamento de Estado norte-americano e o alto comando das Forças Armadas brasileiras. Durante as Olimpíadas, ele admitiu publicamente a colaboração estreita com agências de inteligência dos Estados Unidos. Ele também era convidado para publicar artigos no Americas Quarterly — jornal sediado em Nova Iorque e fundado por David Rockefeller.
A face mais autoritária de Jungmann revelou-se durante o governo de Michel Temer, fruto do golpe de 2016 contra Dilma Rousseff, do qual ele foi um dos apoiadores. À frente do Ministério da Defesa, Jungmann não hesitou em usar o braço armado do Estado contra o povo.
Em 24 de maio de 2017, diante dos protestos massivos na Esplanada dos Ministérios contra as reformas neoliberais, Jungmann assinou o decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) que colocou tropas do Exército nas ruas para reprimir trabalhadores. Cerca de 35 mil manifestantes protestavam contra o governo Temer e as reformas trabalhista e da previdência. Ao colocar 1.200 homens do Exército nas ruas da capital, Jungmann estabeleceu uma espécie de estado de sítio. A repressão resultou em feridos por armas de fogo e bombas, servindo para blindar um governo era um dos mais impopulares do mundo.
Sob o comando de Jungmann na Defesa e, posteriormente, na Segurança Pública, o Rio de Janeiro sofreu uma intervenção federal inédita desde a “redemocratização”. O índice de letalidade policial atingiu patamares históricos, superando marcas de décadas anteriores. A intervenção serviu como um laboratório para táticas militares em áreas urbanas, tratando as periferias como território inimigo e suspendendo, na prática, direitos constitucionais básicos.




