O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi internado no Hospital DF Star, em Brasília, na manhã desta quarta-feira (7), para a realização de exames neurológicos urgentes. A transferência ocorre mais de 30 horas após o ex-presidente sofrer uma queda em sua cela na Superintendência da Polícia Federal, incidente que gerou um embate entre a defesa do custodiado e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado havia negado a saída imediata na terça-feira (6), condicionando a autorização à apresentação de laudos periciais detalhados pela Polícia Federal.
De acordo com os registros da Polícia Federal, Jair Bolsonaro, de 70 anos, sofreu uma queda em sua cela especial por volta das 5h da manhã de terça-feira (6). O ex-presidente teria sofrido uma crise — cuja natureza (se convulsiva ou decorrente de medicação) ainda está sob investigação — e batido a cabeça em um móvel. A equipe de plantão da PF detectou o incidente às 8h, quando o próprio Bolsonaro relatou o ocorrido.
O primeiro boletim da Polícia Federal descreveu apenas “ferimentos leves” (lesões superficiais no rosto e no pé esquerdo com presença de sangue), alegando que não havia necessidade de remoção hospitalar. Contudo, o cardiologista particular Brasil Caiado, que avaliou Bolsonaro às 10h30 do mesmo dia, discordou do diagnóstico inicial, relatando apatia, lentidão nas respostas, tontura e leve queda na pálpebra esquerda (ptose).
A defesa de Bolsonaro protocolou um pedido de remoção imediata ao Hospital DF Star na manhã de terça-feira (6), citando “urgência e gravidade” e o risco de “agravamento irreversível”. O ministro Alexandre de Moraes, no entanto, indeferiu o pedido preliminarmente, determinando que a PF apresentasse os laudos de atendimento e que a defesa especificasse os exames necessários, sugerindo que o tratamento poderia ocorrer dentro do sistema carcerário.
A demora na autorização gerou reações da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que comparou a situação ao caso de Cleriston Pereira da Cunha (“Clezão”), morto na Papuda em 2023 por mal súbito. Michelle afirmou que Bolsonaro é mantido em um “quarto trancado” e está sendo “torturado pela negligência”, responsabilizando Moraes e o procurador-Geral da República, Paulo Gonet, por eventuais danos à saúde do marido.
Apenas na manhã desta quarta-feira (7), após a PF enviar a íntegra dos laudos periciais exigidos, Moraes autorizou o deslocamento. Bolsonaro passará por:
- Tomografia de crânio: para descartar traumatismo craniano;
- Ressonância magnética de crânio: para avaliação de tecidos moles;
- Eletroencefalograma: para investigar a suspeita de crise convulsiva.
A saída foi autorizada sob escolta “discreta” da Polícia Federal, com desembarque direto na garagem do hospital e vigilância contínua. O quadro clínico de Bolsonaro é agravado pelo uso de anticoagulantes, remédios para o sistema nervoso (usados para tratar soluços crônicos desde abril de 2025) e o uso do aparelho CPAP para apneia do sono.
A transferência para o Hospital DF Star, embora autorizada, revela o grau de perseguição política existente hoje na mais alta Corte do País. Conforme citado pela própria defesa de Bolsonaro, o ex-presidente Fernando Collor foi liberado por Moraes em 2025 devido a quadros de Parkinson e apneia do sono grave — comorbidades que, segundo Michelle Bolsonaro, também afligem Jair Bolsonaro, que necessita de monitoramento constante e uso de máscara nasal (CPAP).
A resistência inicial do ministro Alexandre de Moraes em permitir a saída imediata, sob o argumento absurdo de que a perícia interna seria suficiente, escancara que os ministros do STF não agem de acordo com a Lei, mas sim de acordo com sua própria vontade, agindo não apenas como juízes e promotores ao mesmo tempo, mas como especialistas em todas as áreas da atividade humana, como a medicina.




