Os moradores de El Remanso 1, em Bogotá, já conseguiram suspender duas tentativas de despejo, em maio e julho. Cerca de 500 pessoas vivem no bairro, situado na localidade de Bosa. Agora se organizam diante de uma nova data para a retirada, prevista para fevereiro de 2027.
As famílias contam que compraram os terrenos com economias reunidas ao longo de anos e construíram as casas por conta própria. El Remanso 1 existe há 16 anos. Nesse período, seus habitantes pagaram imposto predial e serviços públicos. A área, entretanto, aparece em nome da empresa Sotrandes, que reivindica os terrenos.
A ameaça recai sobre um bairro inteiro, com trabalhadores, crianças e idosos. Mais da metade dos lares é chefiada por mulheres, segundo a reportagem do jornal colombiano Nueva Democracia. Para essas famílias, a casa representa salários gastos em tijolos e cimento, dívidas assumidas e o trabalho empregado na construção.
A prefeitura ofereceu auxílio para alguns meses de aluguel. Terminado esse prazo, os moradores continuariam sem as casas que ergueram. Tampouco receberam do poder público os equipamentos de que necessitam: a reportagem registra ruas sem pavimentação e falta de hospital e parques nas proximidades.
A empresa busca a posse da área; os habitantes exigem permanecer onde vivem há mais de uma década. A mobilização popular já impediu que os despejos de maio e julho fossem executados. Os moradores terão de enfrentar novamente essa disputa até fevereiro.




