Moradores de Nova Contagem, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, denunciam que estão sem água desde 29 de dezembro. Nesta semana, famílias relataram o oitavo dia de interrupções e instabilidade no abastecimento, em meio ao calor, com dificuldades para cozinhar, lavar roupas e dar banho em crianças.
Em grupos comunitários, as mensagens diárias descrevem água que não chega durante o dia, baixa pressão insuficiente para encher caixas e interrupções totais desde a virada do ano. “É um sentimento de descaso. Parece que alguns bairros não ficam sem água, enquanto aqui a gente sofre com isso há dias”, afirmou uma moradora.
Lucianne Rafaella, que vive no bairro e tem dois filhos pequenos, descreveu a situação como rotina de privação. “Nós ficamos de mãos atadas. Tem dias que, durante a madrugada, a água chega, mas não tem força suficiente para subir para a caixa d’água. É uma falta de respeito. Estamos sem dignidade e não estamos tendo o básico para viver”, relatou. Ela diz que parte dos moradores compra galões e garrafas, mas que nem todos conseguem recorrer a essa alternativa.
Moradores relatam ainda que, ao circular pela região, é possível ver equipes da Copasa quebrando asfalto em pontos onde ficam registros de abastecimento. Segundo as denúncias, as intervenções ocorrem de forma intermitente e não normalizam o fornecimento.
A Copasa informou que o Sistema Paraopeba, responsável pelo abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte, opera abaixo de 50%. Até 29 de dezembro, o índice estava em 46,6%. O sistema é formado pelos reservatórios Rio Manso, Serra Azul e Vargem das Flores, situados em Brumadinho, Juatuba, Ibirité, Mateus Leme, Contagem e Betim, e abastece cerca de 3,5 milhões de pessoas.
O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba, Heleno Maia, declarou que a situação passa a ser preocupante caso os níveis não se recuperem até a segunda quinzena de janeiro, período em que a reposição costuma depender das chuvas mais intensas.



