No sábado, 28 de fevereiro deste ano, um míssil atingiu a escola primária feminina Shajareh-ye Tayyebeh, localizada na cidade de Minab, província de Hormozgan, no sul do Irã, próxima à região estratégica do Mar de Omã. A imprensa iraniana reportou a morte de cerca de 168 pessoas, a maioria entre sete e doze anos de idade. Outras 95 ficaram feridas.
As meninas estavam na escola para mais um dia de aula. O calendário escolar no país persa começa no sábado e termina na quinta-feira. O míssil atingiu a escola entre 10h e 10h45 da manhã, horário em que as aulas estavam em andamento. A explosão coincidiu com o início da Operação Fúria Épica, uma campanha de bombardeios conjuntos das forças aéreas de Israel e dos Estados Unidos contra diversas cidades, prédios públicos e instalações militares visando declaradamente derrubar o regime político da República Islâmica.
O governo iraniano havia emitido um alerta de ataques aéreos e ordenado o fechamento das unidades de ensino pouco após o início dos bombardeios, por volta das 9h40. Uma integrante do Conselho de Professores do Irã, Amelirad, declarou em entrevista que “o tempo entre o anúncio do fechamento da escola e o momento da explosão foi muito curto” e, por isso, “as famílias ainda não tinham chegado para buscar suas crianças”.
Ainda não há dados sobre o número de professores e demais profissionais mortos no ataque. A agência de notícias estudantil Isna afirmou que a diretora da escola estava entre as vítimas. Há também relatos de pais e mães entre os mortos.
Fotografias e vídeos divulgados pela imprensa internacional mostram corpos de crianças parcialmente queimados sob os escombros. Uma imagem viralizou ao mostrar o braço de uma criança nas mãos de um homem chorando. Outra fotografia mostra um pai tentando identificar sua filha entre os destroços. Mochilas coloridas ensanguentadas aparecem misturadas com restos de concreto. O prédio sofreu um impacto catastrófico e ficou em ruínas.
A escola estava localizada próxima a um complexo de instalações da Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI), que incluía uma clínica médica, uma farmácia, um ginásio esportivo e um espaço cultural, todos identificados com os logotipos da CGRI.
Imagens de satélite comprovam que a escola não fazia parte do complexo da CGRI e não tinha finalidade militar. Suas salas de aula e parquinhos estavam fora das instalações da Guarda Revolucionária, e seus muros coloridos eram visíveis nas imagens. A Shajareh-ye Tayyebeh é parte de uma rede de escolas privadas sem fins lucrativos, afiliadas à CGRI. A unidade aceitava matrículas de crianças das comunidades locais, não sendo exclusiva para filhos de militares.

Guardian graphic. Image: Google Earth
A filiação administrativa à Guarda Revolucionária, seus membros e familiares não muda o status legal da unidade escolar, que é considerada uma instituição civil pela lei internacional.
Os Estados Unidos possuem a maior capacidade de vigilância por satélite do mundo, com monitoramento em tempo real e alta definição. Os mísseis Tomahawk são altamente tecnológicos e de alta precisão. Não havia como confundir a escola primária com as instalações da CGRI.
Analistas do grupo de pesquisa Bellingcat examinaram vídeos da trajetória do míssil e identificaram o artefato como um míssil de cruzeiro Tomahawk, fabricado nos Estados Unidos e utilizado por suas forças armadas. Israel não possui esse tipo de míssil, tampouco o Irã.
Jeffrey Lewis, diretor do Programa de Não Proliferação da Ásia Oriental do Instituto Middlebury, declarou em entrevista no dia 9 que “a munição visível no vídeo é claramente um Tomahawk. O míssil é longo, cilíndrico e tem um conjunto de asas. Nenhum outro país possui uma munição semelhante”.
O porta-voz do Comando Central dos Estados Unidos, Capitão Tim Hawkins, disse que os EUA “estavam conscientes das informações sobre a morte e ferimento de civis resultantes das operações militares em andamento. Levamos essas informações a sério e estamos examinando-as”. Já o secretário da Guerra, Marco Rubio, afirmou que o Departamento “estava investigando” e que os Estados Unidos “não atacam deliberadamente escolas”.
O presidente Donald Trump, ao ser questionado sobre a explosão, declarou inicialmente que os iranianos haviam cometido um erro no lançamento de um míssil, atingindo a escola. Conforme imagens e vídeos foram analisados pela imprensa e autoridades iranianas, Trump recuou, dizendo não ter certeza do ocorrido e que se baseara nos relatórios recebidos. A Unesco classificou o ataque como uma “grave violação” da lei internacional.
Desde o início da Operação Fúria Épica, Israel e Estados Unidos já mataram 1.270 pessoas no Irã, incluindo mais de uma centena de crianças.
A brutalidade do imperialismo norte-americano contra o Irã busca intimidar o regime político e o povo persa. O ataque à escola primária foi uma demonstração de força, semelhante às ações dos sionistas contra os palestinos em Gaza, no Líbano e em outras regiões do Oriente Médio.
Os últimos acontecimentos da ofensiva contra o Irã mostram que não há sinais de intimidação: os iranianos responderam atacando bases americanas e israelenses com mísseis balísticos hipersônicos.



