Sudeste

Minas Gerais: ao menos 28 pessoas morrem após chuvas e deslizamentos

Temporal entre a noite de segunda e a madrugada de terça-feira devastou Juiz de Fora e Ubá

Ao menos 28 pessoas morreram na Zona da Mata de Minas Gerais após as chuvas fortes que atingiram a região entre a noite de segunda-feira (23) e a madrugada de terça-feira (24). Juiz de Fora e Ubá concentram os casos mais graves, com deslizamentos de terra, soterramentos e desabamentos de imóveis, além de alagamentos e transbordamento de rios.

O balanço mais recente informado pelo Corpo de Bombeiros aponta 21 mortes em Juiz de Fora e sete em Ubá. Ao longo do dia, os números foram atualizados: em comunicados anteriores, os Bombeiros chegaram a registrar 25 mortes, com 18 vítimas em Juiz de Fora e sete em Ubá, e também divulgaram um total de 23 mortes em outro levantamento.

Buscas por desaparecidos e número de equipes

As equipes de resgate seguem em busca de desaparecidos. O número variou conforme os levantamentos: o Corpo de Bombeiros indicou 40 desaparecidos (37 em Juiz de Fora e três em Ubá), e em registros anteriores constavam 43 desaparecidos em Juiz de Fora e quatro em Ubá. Em outra atualização, também foi citado que havia ao menos 45 desaparecidos em Juiz de Fora.

Nas buscas, atuam efetivos que ficaram entre 136 e 141 bombeiros militares, com reforço de 20 bombeiros de Belo Horizonte, além de militares especializados, cães de busca e equipamentos voltados para resposta a desastres. Os Bombeiros informaram que, do total mobilizado, 113 estavam em Juiz de Fora e 28 em Ubá.

Destruição, desalojados e medidas emergenciais

A tragédia deixou centenas de pessoas sem moradia. As estimativas iniciais apontam cerca de 440 desabrigados, acolhidos provisoriamente pela prefeitura, e ao menos 70 imóveis destruídos. A Defesa Civil registrou 251 ocorrências relacionadas às chuvas em Juiz de Fora.

A prefeitura de Juiz de Fora decretou estado de calamidade pública, com vigência anunciada de 180 dias, suspendeu aulas na rede municipal e autorizou trabalho remoto para servidores nesta terça-feira (24). O governo federal reconheceu a calamidade no município.

Em Ubá, o prefeito José Damato Neto decretou calamidade pública após precipitação intensa em poucas horas e danos urbanos, incluindo pontes avariadas e desabamentos.

Onde ocorreram os deslizamentos em Juiz de Fora

Em Juiz de Fora, foram registradas mortes em diferentes bairros. A prefeitura informou que os deslizamentos com vítimas fatais ocorreram nos bairros JK, Santa Rita, Vila Ideal, Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa. Em outro detalhamento, foi informado que houve cinco mortes no bairro JK, quatro em Santa Rita, duas na Vila Ideal e uma morte em cada um dos bairros Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa. Também foi citado que sete deslizamentos atingiram bairros distintos.

No bairro Paineiras, na região central, a queda de um barranco soterrou parte de um prédio e duas casas. Em Parque Jardim Burnier, uma encosta deslizou e 12 imóveis foram soterrados; no local foram registradas ao menos quatro mortes e 17 desaparecidos. Durante a madrugada, 13 vítimas foram resgatadas com vida pelos bombeiros. Na manhã de terça-feira, uma mulher foi localizada com vida na rua do Carmelo, também em Paineiras.

A prefeita Margarida Salomão relatou que diversos bairros ficaram ilhados e que houve transbordamentos. Em declaração divulgada nas redes sociais na madrugada de terça-feira, afirmou: “quem tentou andar pela cidade hoje sabe que os bairros estão ilhados. O rio Paraibuna saiu da calha, que também é uma coisa histórica. Os córregos estão todos absolutamente transbordando. Então, é uma situação de calamidade”.

Chuva recorde e supercélula

O temporal foi atribuído à formação de uma supercélula, um tipo de tempestade de grande intensidade, com nuvens que podem atingir até 16 quilômetros de altura. Em poucas horas, foram registrados 209,4 mm em Juiz de Fora, volume suficiente para gerar enxurradas e deslizamentos.

No acumulado do mês, a prefeitura informou números próximos, indicando entre 584 mm e 589,6 mm em fevereiro, tornando o período o mais chuvoso já registrado na cidade. O recorde anterior, de fevereiro de 1988, era de 456 mm. Ainda segundo a prefeitura, esse total corresponde a algo entre 247% e 270% acima do esperado para o mês, cuja média histórica foi citada em torno de 170 mm (ou 170,3 mm).

Estragos em Ubá: rio, pontes e desabamentos

Em Ubá, foi informado volume de cerca de 170 mm em aproximadamente três horas e meia. O rio Ubá atingiu 7,82 metros, provocando inundações em área urbana e impacto em bairros, ruas e estabelecimentos comerciais. A prefeitura informou atendimento a 18 ocorrências, com três pontes totalmente danificadas. Também houve desabamento de três imóveis na avenida Cristiano Roças e de uma residência na rua da Harmonia, além de registro de quedas de imóveis e pontes no município.

Previsão do tempo e alertas

Mesmo após o pico do temporal, a Zona da Mata permaneceu sob alerta vermelho do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), com indicação de grande perigo. O aviso foi apontado como válido até 23h59 de sexta-feira (27), com possibilidade de volumes superiores a 60 mm por hora ou acima de 100 mm ao longo do dia. Com o solo já saturado, foi informado risco elevado de alagamentos de grandes proporções, transbordamentos de rios e novos deslizamentos. Também foi mencionada a possibilidade de avanço de outra frente fria até o fim de fevereiro, o que pode manter ou intensificar as chuvas na região.

Autoridades recomendaram atenção redobrada em áreas de risco, desligar aparelhos elétricos durante tempestades e acionar a Defesa Civil (199) ou o Corpo de Bombeiros (193) em emergências.

Resposta do poder público

O governo de Minas Gerais decretou luto oficial de três dias. O governador Romeu Zema (Novo) informou que se deslocaria para a região e declarou: “minas está presente e fará tudo o que estiver ao seu alcance para amenizar esse sofrimento”. Também foi citada a programação de visita do vice-governador Mateus Simões para coordenação do apoio estadual.

Pelo governo federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou envio de equipes para auxiliar resgates e atendimento às vítimas e afirmou ter determinado “pronta mobilização” das forças nacionais para assistência humanitária, restabelecimento de serviços básicos, apoio a desabrigados e suporte à reconstrução. O ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, disse que equipes da Defesa Civil nacional seguiam para atuar em conjunto com autoridades locais.

Período chuvoso mais letal em cinco anos

Com o desastre na Zona da Mata, o atual período chuvoso em Minas Gerais foi o mais letal dos últimos cinco anos. Antes dessas ocorrências, já havia 11 mortes registradas; com os novos dados, o total passou a ao menos 34 óbitos no período. A série recente indica 73 mortes em 2019/2020; 22 em 2020/2021; 30 em 2021/2022; 22 em 2022/2023; seis em 2023/2024; e 27 em 2024/2025.

Outros casos: Rio de Janeiro e São Paulo

No Rio de Janeiro, uma idosa de 85 anos morreu afogada em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, durante temporal de segunda-feira (23). Testemunhas relataram que ela tinha dificuldade de locomoção e ficou presa em casa. A prefeitura informou cerca de 600 desalojados. Houve registros de carros submersos, árvores caídas e lama nas ruas. O município entrou em alerta máximo à tarde, com acionamento de sirenes em pelo menos três localidades, e a Rodovia Presidente Dutra chegou a ficar interditada por cerca de duas horas por alagamento, sendo liberada posteriormente.

Em São Paulo, a Defesa Civil estadual indicou alto risco de alagamentos e deslizamentos, especialmente na faixa litorânea, que já vinha sendo atingida por temporais desde sábado (21). O órgão renovou o alerta vermelho para acumulado de chuva em todo o litoral até sexta-feira (27) e manteve ativo um gabinete de crise até, pelo menos, quinta-feira (26), para facilitar o deslocamento de equipes de resgate e bombeiros em caso de necessidade.

As mortes e a política neoliberal

Essas mortes não são “causadas pela chuva” como se fossem um acidente inevitável. Elas são consequência de décadas de política neoliberal: governos que destinam a riqueza nacional aos especuladores, enquanto empurram a população trabalhadora para encostas, fundos de vale e áreas sem drenagem, sem obra pública e sem moradia digna. Sem casas para todos e sem infraestrutura mínima nas cidades, é óbvio que cada temporal terá resultados desastrosos, basta ver o histórico.

Finalmente, nenhuma pessoa deveria morrer devido a chuvas, por mais fortes que sejam. A política neoliberal, defendida por Zema, é a principal culpada por isso.

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