MES-PSOL se posicionam com o imperialismo contra o Irã, apesar de tentar dizer o contrário. A declaração EUA e Israel fora do Irã! Não haverá libertação com bombas norte-americanas!, publicada no sítio Revista Movimento no sábado (28), além de querer a mudança do regime, o mesmo objetivo do imperialismo, repete as mesmas mentiras veiculadas constantemente contra o país na imprensa burguesa.
A declaração é dividida em 6 pontos, dos quais analisaremos neste artigo. Para quem não lembra, o MES-PSOL é a organização de Luciana Genro, uma das maiores defensoras da Lava Jato. É por essas e outras que o PSOL ficou conhecido como o partido da rede Globo.
O de número 1 trata das agressões que o Irã vem sofrendo há décadas, do início dos bombardeios, como o da escola de meninas e o assassinato de Ali Khamenei. Faltou condenar com veemência a morte de Khamenei, um líder religioso, que não era um combatente, o que é uma flagrante violação do direito internacional e mais um crime de guerra impune.
O de número 2 fala das mentiras que o imperialismo repete contra o Irã, que supostamente seria uma ameça para Estados Unidos e Europa. Conforme dizem, “o Irã já havia feito importantes concessões em seu programa de enriquecimento de urânio, demonstrando abertura para contratos com os EUA em seu setor de gás e petróleo. Isso não foi suficiente para que Trump, um belicista abusador, que exige total submissão e obediência a si mesmo e aos EUA”. A questão é que não se trata apenas Trump, o Irã vem sendo hostilizado desde 1979, ano da Revolução.
No 3, diz a declaração que “as ações militares de EUA e Israel têm explicação no contexto do giro abertamente agressivo e colonialista dos estadunidenses, sob um governo neofacista, numa crescente competição com China e Rússia pelo acesso direto a recursos, na medida em que se desintegra a ordem neoliberal e a globalização”. Essa leitura não faz sentido, é resultado de uma incompreensão de determinados grupos da esquerda, como o MES-PSOL, que tratam China e Rússia como países imperialistas. Uma artimanha para evitar que a esquerda apoie esses países das agressões que vêm sofrendo, pois seria apenas uma briga “inter-imperialista”.
Ainda nesse tópico, dizem que os EUA controlam a Venezuela, o que não é verdade.
Na parte 4, o texto diz que “a nova guerra demonstra que se agrava o padrão de desprezo do governo Trump pelo direito internacional, a soberania das nações e a utilização das ameaças e violência real para promover o que considera seus interesses”. Qual outro governo americano respeitou o direito internacional? “Israel” comete todo tipo de crime e nunca foi punido na ONU devido à proteção americana. Os EUA mantêm Cuba sob um forte bloqueio econômico que dura quase 70 anos. A lista de violências é gigantesca. – grifo nosso.
A questão é o porquê dessa insistência com Trump que não apenas o MES–PSOL demonstra, mas toda a esquerda pequeno-burguesa. Esses grupos elegem fascistas, espantalhos, para substituírem as bandeiras históricas da esquerda pela luta pela democracia. Criam uma emergência, o perigo do fascismo que pode destruir a humanidade, e a tarefa inadiável da “luta antifascista”. O resultado disso é que a esquerda que se unir às democracias liberais para que juntos, trabalhadores e burgueses, lutem contra esse inimigo comum. Em outras palavras, é uma política disfarçada de colaboração de classes.
O problema, e agora a esquerda pequeno-burguesa foi pega em uma armadilha, é que as “democracias” estão todas apoiando o terrível Donald Trump.
Seguindo, a declaração acusa os todos os integrantes da Casa Branca, pois “afirmaram cinicamente apoiar o povo iraniano contra a ditadura dos mulás (sacerdotes xiitas) como forma de tentar encobrir seu desejo de controlar a região e sua produção de petróleo”. ‘Ditadura dos mulás’, mais uma opinião que coincide – grifo nosso.
A maior das mentiras, e capitulação vergonhosa ao imperialismo, aparece no ponto 5. Escrevem que “o mais recente levante popular contra o governo iraniano, em janeiro último, e a forma brutal com que o regime teocrático o esmagou, poderia gerar simpatias para o ataque do sábado 28 ao governo dos aiatolás, como caminho para mudar o regime”. Não houve levante popular, mesmo a CIA e o Mossad reconheceram que tinham “gente no terreno”, ou seja, agentes pagos para tentarem gerar uma convulsão. Tentaram forjar uma revolução colorida.
As redes sociais estão repletas de vídeos mostrando os agentes com armas automáticas atirando na população e nos agentes de segurança. Incendiaram hospitais, bibliotecas, instalações de corpos de bombeiros, mesquitas. Decapitaram pessoas e atearam fogo enquanto ainda estavam vivas. E é um verdadeiro absurdo chamar isso de levante popular. A prova dessa fraude é a presença de mais de 30 milhões de iraquianos que saíram às ruas em defesa do governo em mais de 1500 cidades.
O MES-PSOL e demais ‘esquerdistas’ fingem não ver o que está acontecendo, pois os fatos contrariam frontalmente as mentiras que continuam espalhando.
O item 6 diz que acusam EUA e “Israel” pelo ataque militar, e que “esse ataque não tem nada a ver com libertação e esperança de democracia”. Quem disse que o povo iraniano está pedindo por libertação? Esse grupo acredita que o único “objetivo explícito de obter o controle das reservas de combustíveis fósseis”, quando o país tem uma posição estratégica para China, Rússia; e, principalmente, tem lutado contra o imperialismo de forma consequente ao criar o Eixo da Resistência, além de ser seu pilar fundamental.
No penúltimo, o de número 7, a declaração mente que “o povo do Irã está há anos lutando para derrotar a ditadura teocrática dos aiatolás. As mulheres iranianas, em especial, têm estado na vanguarda desses movimentos, sobretudo das mobilizações “Mulher, Vida, Liberdade” de 2022”. A Revolução Iraniana, apesar ataca com a guerra com o Iraque e quase 50 anos de bloqueio econômico, fez enormes progressos.
As mulheres estão na vanguarda, sim, formam 60% das pessoas com nível universitário; são 50% do corpo médico, mais de 50% nas engenharias. No Irã, 99% das mulheres estão alfabetizadas, ocupam cargos na política. Apesar disso, os lacaios do imperialismo dizem que “O governo iraniano é frágil e só se segura graças à violência e ao medo”, o que os milhões e milhões de iranianos desmentem ao tomarem as ruas, mesmo sob um bombardeio criminoso, para chorar a morte de Ali Khamenei.
No último, no ponto 8, a declaração mente novamente, diz que “a tarefa de derrotar o regime iraniano é do povo iraniano. Nessa luta, a IV internacional apoia as forças democráticas, anti-imperialistas e que carregam os interesses da classe trabalhadora e dos grupos oprimidos do país e da região”. Ninguém luta mais pela Palestina e pelos grupos oprimidos que o Irã, e aqueles que se opõem ao governo que luta não apoia forças democráticas, estão ao lado do imperialismo.





