Os últimos combatentes das Forças Democráticas Sírias (FDS), força dirigida por curdos e apoiada pelos Estados Unidos, teriam deixado a cidade de Alepo na madrugada deste domingo (11), segundo autoridades citadas pela emissora Al Jazeera. A retirada teria ocorrido após um acordo de cessar-fogo que previu evacuações em ônibus, depois de dias de confrontos na segunda maior cidade da Síria.
O governador de Alepo, Azzam al-Gharib, afirmou que a cidade teria ficado “vazia de combatentes das FDS” depois que forças do governo coordenaram a saída durante a noite. Do lado das FDS, o comandante Mazloum Abdi declarou, em publicação na rede X, que teria sido alcançado “um entendimento” por “mediação internacional”, com cessar-fogo e evacuação “dos mortos, dos feridos, dos civis retidos e dos combatentes” dos bairros de Ashrafieh e Sheikh Maqsoud para o norte e o leste do país.
O episódio teria ocorrido após o exército sírio assumir o controle de Sheikh Maqsoud, bairro de maioria curda, ao fim de combates iniciados quando as negociações para integrar as FDS ao Exército nacional fracassaram. Ao menos 30 pessoas teriam sido assassinadas e 150 mil deslocadas ao longo dos choques.
Correspondente em Alepo, Bernard Smith relatou que os combatentes remanescentes teriam sido levados de ônibus para Raqqa, descrita como principal cidade do nordeste sob controle das FDS. Ele observou que, até a noite anterior, integrantes do grupo afirmavam que permaneceriam para lutar, mas, após a retirada, não houve declaração pública adicional.
A Al Jazeera também informou que forças do governo estariam realizando buscas em Sheikh Maqsoud por prisioneiros detidos em postos de controle das FDS no período posterior ao golpe contra o governo de Bashar al-Assad, há pouco mais de um ano. Segundo o relato, trataria-se de “ativistas civis e combatentes da oposição” presos em torno de Sheikh Maqsoud e Ashrafieh.
Ainda segundo a emissora, a intervenção norte-americana teria sido decisiva na negociação do acordo. O correspondente Ayman Oghanna disse que Washington estaria em posição privilegiada por manter relações tanto com as FDS quanto com o governo em Damasco, lembrando que os EUA trabalham com a força curda contra o Estados Islâmico há mais de uma década e, após 2024, também estreitaram laços com o mercenário que governa a Síria atualmente, Ahmed al-Sharaa, que teria se reunido com Donald Trump em Washington no ano passado e aderido formalmente à coalizão dirigida pelos EUA contra o EI.
O conflito eclodiu na terça-feira (6) nos bairros Sheikh Maqsoud, Ashrafieh e Bani Zaid, em meio ao impasse sobre a aplicação de um acordo de março de 2025 para reintegrar forças curdas às instituições estatais. Oghanna afirmou que, apesar do fim dos combates em Alepo, a questão central segue: se as FDS se submeterão ao controle de Damasco.
Em comunicado, o Comando de Operações do Exército sírio declarou que aeronaves teriam monitorado a movimentação das FDS com armamento “médio e pesado” para Deir Hafer, a leste de Alepo, e disse que tropas foram colocadas em alerta máximo, com reforço nas linhas de deslocamento a leste da cidade.
No mesmo dia, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) anunciou uma ampla onda de bombardeios contra alvos do EI em território sírio, dizendo ter atingido mais de 35 pontos com mais de 90 munições guiadas, com participação de mais de 20 aeronaves, incluindo F-15E, A-10, AC-130J e drones MQ-9, além de caças F-16 jordanianos. Segundo a nota, a operação foi apresentada como resposta à morte de militares norte-americanos na Síria em dezembro.


