Médicos das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Central e Zona Norte iniciaram nova greve em Caxias do Sul, na terça-feira (2), a partir da meia-noite. O Sindicato Médico de Caxias do Sul atribuiu a paralisação a pendências salariais envolvendo profissionais da UPA Zona Norte e confirmou ação judicial contra o Instituto Ideas, a empresa Exímio e a Prefeitura. A nova paralisação ocorre pouco mais de uma semana depois de outra greve ter sido suspensa após reunião com representantes dos médicos e da administração municipal.
O presidente do sindicato, Marlonei dos Santos, afirmou que médicos da UPA Zona Norte ainda não receberam integralmente valores referentes ao mês de abril. A permanência desse débito motivou a retomada do movimento. Os profissionais da UPA Central, embora tenham recebido os valores pendentes, decidiram aderir em solidariedade aos colegas da Zona Norte, ampliando o alcance da greve na rede de urgência e emergência do município.
Além da paralisação, o sindicato ingressou na Justiça na segunda-feira (1º). O processo foi direcionado ao Instituto Ideas, responsável pela gestão das UPAs, à empresa Exímio e à Prefeitura de Caxias do Sul. A inclusão do município foi justificada pelo sindicato com o argumento de que a administração municipal possui responsabilidade contratual sobre a prestação do serviço, por ser contratante da empresa que administra as unidades.
A greve reacende a crise na saúde pública local. As UPAs são portas de entrada para casos de urgência e emergência, e a ausência de médicos impacta diretamente o atendimento de pacientes que procuram socorro imediato. Mesmo quando serviços mínimos são mantidos, a paralisação tende a aumentar esperas, transferências e pressão sobre outros pontos da rede municipal.
O movimento também expõe dificuldades na relação entre profissionais, empresas gestoras e poder público. A paralisação anterior havia sido suspensa em 25 de maio, depois de reunião com o prefeito Adiló Didomenico, o secretário municipal da Saúde Rafael Bueno, representantes dos médicos e o sindicato. A retomada poucos dias depois mostra que o acordo não encerrou todas as pendências e que a categoria considera insuficientes as respostas recebidas.
O sindicato sustenta que situações semelhantes já ocorreram em contratos anteriores ligados à gestão da saúde pública municipal. Para os médicos, o atraso no pagamento não pode ser tratado apenas como questão entre trabalhadores e empresa contratada, porque o serviço é público e a responsabilidade final recai sobre a estrutura contratual definida pela prefeitura. Essa avaliação orientou a decisão de acionar também o município.
A paralisação começou em meio a um cenário de grande demanda por serviços de saúde em Caxias do Sul. A continuidade do movimento dependerá de negociação, pagamento dos valores pendentes e manifestação judicial sobre o caso. Até lá, a população que procura as UPAs Central e Zona Norte pode enfrentar instabilidade no atendimento, enquanto médicos e sindicato mantêm a cobrança por regularização salarial.



