Mais de 100 ataques aéreos israelenses em todo o Líbano na quarta-feira (8), incluindo ataques a bairros densamente povoados em Beirute, mataram mais de 300 pessoas e destruíram uma ponte fundamental que liga o sul do Líbano ao resto do país, de acordo com a Human Rights Watch (HRW).
Os bombardeios, que também feriram mais de 1.150 pessoas, segundo o Ministério da Saúde do Líbano, foram descritos como a agressão mais letal no Líbano desde 2 de março.
Mais tarde, as Forças Armadas Libanesas evacuaram a ponte al-Qasmiyeh, perto de Tiro — a última grande travessia que conecta as áreas ao sul do Rio Litani ao resto do Líbano. A ponte também foi alvo de um ataque israelense no mês passado, o que levou o presidente libanês, Joseph Aoun, a classificar a ação como uma escalada grave e uma violação direta da soberania nacional.
De acordo com a HRW, os ataques israelenses destruíram uma passarela próxima e interromperam severamente as rotas de acesso, deixando a ponte Qasmieh temporariamente como a única linha de vida operacional para dezenas de milhares de residentes no sul.
Fotografias e vídeos verificados pela HRW mostram danos pesados na infraestrutura da ponte, incluindo uma seção da passarela que desabou sobre a estrada principal, restringindo o movimento.
A organização afirmou que “os aliados de Israel, incluindo os Estados Unidos, o Reino Unido, a Alemanha e outros estados da União Europeia, devem suspender todas as vendas de armas, o trânsito de armas e a assistência militar a Israel, além de impor sanções direcionadas a autoridades comprovadamente implicadas em crimes graves em curso”.
Entre 12 de março e 8 de abril, as forças de ocupação israelenses bombardearam ou destruíram pelo menos nove pontes sobre o Rio Litani e seu afluente, bem como estradas principais que levam à ponte al-Khardali.
A HRW afirmou que esses ataques efetivamente isolaram o sul do Líbano, limitando severamente o movimento de civis e o acesso a alimentos, remédios e ajuda humanitária. Funcionários humanitários da ONU citados pela HRW disseram que a destruição das pontes “interrompeu significativamente o movimento e o acesso humanitário”, cortando a conectividade entre Tiro, Nabatieh e outras regiões do sul.
Autoridades locais em Tiro estimam que dezenas de milhares de residentes permanecem na área, com suprimentos de alimentos que podem durar apenas um curto período caso a última travessia se torne inoperante.
Os serviços médicos também foram fortemente afetados, com hospitais relatando escassez de pessoal, restrições de suprimentos e dificuldades no transporte de pacientes e equipamentos médicos.
O relatório destaca alertas de residentes e autoridades de que a destruição da última ponte isolaria o sul do Líbano completamente. Grupos de ajuda e funcionários municipais disseram que supermercados e farmácias fecharam em várias áreas, enquanto as padarias permanecem entre os poucos fornecedores de alimentos em funcionamento.
Hospitais também relataram uma sobrecarga extraordinária, com alguns funcionários vivendo dentro das instalações médicas devido aos riscos de deslocamento e aos danos na infraestrutura que limitam a mobilidade.
A organização instou outros países a pressionarem “Israel” para garantir que os civis no sul do Líbano não sejam isolados de serviços essenciais e pediu aos aliados israelenses que suspendam as transferências de armas para a ocupação.
O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) afirmou que a destruição de infraestruturas vitais “prejudicou severamente o movimento e o acesso humanitário”, limitando a entrega de suprimentos essenciais e restringindo a mobilidade civil em todo o sul do Líbano. Autoridades alertaram que a continuidade dos ataques pode isolar distritos inteiros, agravando a situação humanitária já deteriorada.
O Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, instou na quinta-feira que “Israel” cancele seu alerta de evacuação para a área de Jnah, na capital libanesa, Beirute, ressaltando que a zona inclui dois grandes hospitais e que sua evacuação é impossível.
Ghebreyesus alertou que o aviso emitido por “Israel” coloca em risco infraestruturas médicas críticas, já que a área de Jnah abriga o Hospital Al-Zahraa e o Hospital Governamental Rafik Hariri.
A declaração da OMS ocorreu após as forças de ocupação israelenses (IOF) emitirem ameaças de evacuação visando múltiplas áreas no Líbano, incluindo Haret Hreik, Burj al-Barajneh, Laylaki, Ghobeiri, Hadath, Tahwita al-Ghadir, Chiyah e al-Jnah.
O representante da OMS no Líbano, Abdel Nasser Abu Bakar, em entrevista à Reuters, confirmou que os hospitais já enfrentam escassez crítica de suprimentos médicos relacionados à guerra. Ele alertou que, se as baixas em massa continuarem na mesma escala, a situação se tornará desastrosa, observando que mais vidas podem ser perdidas. Ele acrescentou que a demanda aumentou drasticamente devido ao aumento acentuado de vítimas civis, explicando que suprimentos que normalmente seriam suficientes para três semanas foram esgotados em apenas um dia.





