A Frente Gaúcha de Solidariedade ao Povo Palestino organizou uma manifestação no dia 09/03/2026, com concentração em frente ao Carrefour — onde João Alberto Silveira Freitas foi assassinado em Porto Alegre — e com o intuito de homenagear as 168 meninas assassinadas na escola primária feminina Shajareh Tayyebeh (A Boa Árvore), em Minab, no Irã. A escola foi bombardeada por mísseis Tomahawk estadunidenses no dia 28/02/2026, no início da mais nova agressão imperialista EUA/Israel ao país persa.
Tomamos essa decisão porque nos importamos com as crianças iranianas e existe um silêncio avassalador da mídia ocidental sobre os acontecimentos devastadores na região, bem como da nossa população em relação ao ocorrido. O mesmo silêncio existe há oito décadas frente ao projeto colonial na Palestina: um projeto expansionista que une sionistas e imperialistas estadunidenses na busca pela apropriação ilegal de terras, minérios, fontes de gás natural e energéticas, com o intuito de favorecer economicamente grupos financeiros, o mercado imobiliário, empresas bélicas e os interesses geopolíticos do imperialismo dos EUA (controle de distribuição energética e domínio de rotas comerciais). Durante oito décadas de limpeza étnica, apartheid e genocídio, o mundo permaneceu em silêncio e conivência com crimes contra a humanidade.
A Frente seguiu o planejamento e seus integrantes concentraram-se em frente ao Carrefour, uma das multinacionais cúmplices do regime de apartheid israelense e que auxilia na normalização de crimes contra a humanidade, ao mesmo tempo que lucra muito com uma filial estabelecida em Território Palestino Ocupado Ilegalmente. Dali partimos em caminhada até a frente do consulado dos EUA na Avenida Assis Brasil, onde fomos brutalmente abordados pela Brigada Militar, que impediu que a manifestação ocorresse.
A Polícia Militar tem reprimido todas as manifestações que a Frente Gaúcha de Solidariedade ao Povo Palestino tem feito em frente ao consulado desde outubro de 2023. No entanto, a violência recrudesceu após a invasão militar dos EUA na Venezuela e o sequestro do presidente eleito Nicolás Maduro e da deputada Cília Flores.
Um ato chamado por diversos movimentos e organizações em janeiro de 2026, em frente ao consulado dos EUA, foi duramente reprimido e três manifestantes foram brutalmente espancadas e arrastadas para o batalhão da BM e, posteriormente, para a delegacia da Polícia Federal, de forma totalmente arbitrária. Nós estávamos presentes também nessa manifestação porque temos plena consciência de que a luta pela libertação da Palestina está diretamente conectada à luta pela libertação de todos os povos oprimidos. A Venezuela, portanto, inclui-se sob esse prisma: um país que vem sofrendo sanções unilaterais dos EUA desde 2006. Essas sanções, completamente ilegais pelo que é estabelecido no direito internacional, afetaram o povo venezuelano no passado e continuam afetando hoje.
Mais do que por inferências, vemos as mesmas práticas utilizadas em Gaza sendo replicadas na América Latina. Já dizíamos, há tempos, que a Faixa de Gaza era o laboratório de exportação de armas, tecnologias militares e de controle, e que permitir que tais crimes hediondos se desenvolvessem sem nenhuma punição acarretaria na exportação do modelo de bloqueio asfixiante e genocídio intensificado em Gaza para outros países. A impunidade faz com que essas tecnologias e até mesmo os treinamentos israelenses sejam exportados para as polícias no mundo todo.
Assim também funciona com a Brigada Militar no RS. Recentemente, em julho de 2025, em pleno genocídio televisionado, o governador Eduardo Leite assinou um protocolo de intenções com a AEL Sistemas, subsidiária da Elbit Systems, maior fornecedora de drones e obuseiros para o exército genocida israelense. A AEL Sistemas produz e fornece sistemas avançados de integração e suporte logístico para aplicação militar, tecnologias para sistemas aviônicos, de comando e controle, comunicação tática, veículos remotamente pilotados, eletro-ópticos e defesa cibernética para o exército israelense.
O protocolo de intenções, que viola decisões da Corte Internacional de Justiça emitidas em 2024, oficializa o interesse do governo do estado do RS em estabelecer parceria com a empresa militar israelense para a adoção de tecnologias na segurança pública e na formação de agentes de segurança, inclusive nesses sistemas eletrônicos militares e espaciais, com foco nos segmentos aeroespacial, defesa e segurança fornecidos ao exército israelense. Tal protocolo importa a violência e a letalidade do genocídio em Gaza para o RS e coloca o governo Leite em total cumplicidade com o apartheid, os assentamentos ilegais israelenses, a ocupação militar expansionista e com o genocídio que prossegue em curso.
À medida que acordos militares, comerciais e energéticos entre Brasil e “Israel” seguem intactos, sem que qualquer sanção ou embargo seja levantado pelo governo brasileiro para impedir a continuidade de crimes de lesa-humanidade, mais acordos vão se estabelecendo entre governos estaduais e municipais pelo Brasil todo, ampliando a violência policial e a sua letalidade nos territórios brasileiros. Nesse contexto, chamamos a atenção para a repressão e a forma com que fomos abordados, numa evidente tentativa de criminalização daqueles que ousam se manifestar e chorar pelas meninas iranianas assassinadas, demonstrando nas ruas, de forma pública, solidariedade com as mães e pais iranianos que perderam suas filhas num ataque brutal a uma escola primária — local protegido pelas convenções internacionais e pelo direito internacional humanitário.
Fomos impedidos de nos manifestar democraticamente em frente ao consulado dos EUA; fomos abordados sob a ameaça de fuzis; vimos as bonecas que confeccionamos com jornal e plástico-bolha serem destruídas, enquanto éramos obrigados a nos manter com as mãos na cabeça sob revista invasiva de policiais. Aquelas bonecas que representavam as meninas assassinadas por ataques com mísseis em pleno expediente escolar, simbolizando as meninas iranianas bombardeadas, também foram violadas pela força policial militar. Fomos hostilizados por carregar bandeiras da Palestina, keffiyehs e imagens de meninas brutalmente assassinadas. Nosso intuito de tentar fazer a humanidade se expressar, ampliando a solidariedade e a consciência nas ruas de Porto Alegre, tornou-se um motivo para mais violência.
O ápice da violência da Brigada Militar foi tentar convencer os militantes da Frente Gaúcha de Solidariedade ao Povo Palestino a assinar um Termo Circunstanciado acusando um palestino de “perturbação da paz”. Os policiais repetiram por diversas vezes, diante das nossas negativas, que estaríamos “livres” se apenas assinássemos o termo acusando injustamente um palestino. Ao concluírem que jamais assinaríamos, diante das nossas afirmações de que havíamos organizado a manifestação conjuntamente e que, se o Nader fosse levado preso, iríamos também, resolveram levar somente o Nader numa viatura para a delegacia. Ao exigirmos que informassem para onde estavam levando nosso nobre e solidário companheiro de luta, recebemos a afirmação de que estávamos “livres” e poderíamos ir para casa. Após mais insistência da nossa parte, informaram que o estavam levando para a 2ª DP, na Av. Ipiranga. Não fomos informados em nenhum momento sobre quem teria ordenado a ação racista e xenofóbica, nem quem teria denunciado a suposta “perturbação” autorizando a ação policial arbitrária.
Por óbvio, a violência policial não nos impedirá de continuarmos exigindo o fim de toda a cumplicidade com o genocídio e o regime de apartheid israelense. Da mesma forma, exigimos sanções ao imperialismo dos EUA. Trump, seu conselho de criminosos de guerra, Netanyahu e todas as lideranças sionistas são ameaças à paz mundial — não nós, que não nos omitimos e não silenciamos quando centenas de meninas são assassinadas no Irã, na Palestina, no Líbano ou na América Latina.
Para encerrar o artigo da coluna feminista desta semana, reafirmo que o genocídio praticado em Gaza é permeado pela misoginia, assim como os bombardeios imperialistas dos EUA/Israel ao Irã que, não por acaso, escolheram uma escola primária exclusiva para meninas como seu primeiro alvo em 2026, uma semana antes do 8 de março. Também deixo aqui os números e informes do que não aparecerá nos jornais e mídias hegemônicas daqui.
Desde 28/02/2026, aumentaram os assassinatos de palestinos na Cisjordânia; gangues de colonos, acompanhadas de soldados israelenses, assassinaram 11 palestinos e deixaram mais de uma dezena de feridos. Postos de controle e barreiras colocadas nas entradas e saídas das cidades, aldeias e vilas palestinas são usados pela ocupação militar israelense para limitar o movimento da população na Cisjordânia. Estima-se que 1.000 barreiras e postos de controle militares foram levantados na região, o que implica uma vigilância constante da vida e da mobilidade dos palestinos. Enquanto escrevo este texto, assisto à entrevista de um menino sobrevivente da família Bani Odeh. No domingo, quatro membros dessa família foram assassinados na Cisjordânia, entre eles duas crianças — uma de 5 e outra de 7 anos —, baleadas na cabeça e no rosto. A família voltava das compras para preparar o fim do Ramadã. Não satisfeitos, os soldados impediram a chegada da ambulância para ajudar a família, que acabou morrendo, e torturaram duas outras crianças sobreviventes. Os soldados comemoraram o massacre dizendo: “Nós matamos cães”.
Em Gaza, o genocídio persiste; famílias seguem deslocadas e refugiadas sob tendas. A situação de falta de estrutura, os bombardeios às tendas que queimam pessoas vivas, a ausência de água potável, insumos básicos e a falta de recursos energéticos para cozinhar e manter hospitais em funcionamento pioram com uma tempestade de areia que chegou neste final de semana. O bloqueio asfixiante, da mesma forma que os bombardeios, persiste. Dezesseis palestinos foram assassinados por bombardeio nas últimas 24 horas. Os que se dizem “salvadores das mulheres” e construtores “da paz” seguem com seus planos de limpeza étnica e construções de resorts sobre pilhas de cadáveres palestinos. Os Estados seguem cúmplices, pela ação ou pela omissão. As mídias ocidentais seguem replicando mentiras sionistas para encobrir seus crimes.
Líbano e Irã seguem sob bombardeio do imperialismo EUA/Israel, numa repetição dos bombardeios incessantes praticados na Faixa de Gaza desde 2023. Os principais alvos são as escolas, as universidades, os hospitais e os centros culturais. Durante o dia de ontem, o sul do Líbano foi bombardeado com fósforo branco. No Irã, 153 centros médicos foram atacados, incluindo um hospital para crianças PCD; 56 centros culturais foram bombardeados por EUA/Israel, além de 65 escolas e universidades.
Nós, da Frente Gaúcha de Solidariedade ao Povo Palestino, conclamamos mais uma vez a população gaúcha a juntar-se conosco nas ruas. Entre os dias 21/03 e 29/03/2026, ocorrerá a Semana Internacional de Luta contra o Apartheid Israelense. No Dia da Terra, 30/03/2026, faremos uma atividade especial contra a limpeza étnica, relembrando a história de resistência e luta incessante do povo palestino. Acompanhe a nossa página no Instagram, @frentegauchapalestina. Siga-nos e compareça às nossas atividades. A humanidade deve extravasar nas ruas! Que nos mobilizemos pelo fim das investidas militares imperialistas, da América Latina até a Palestina! É o momento de iniciar greves, pressionar nossos governantes a agir e barrar a chegada de mercadorias israelenses e a saída de aço, dispositivos eletrônicos e petróleo para “Israel”. Vamos nos juntar às caravanas de solidariedade a Cuba e à flotilha rumo a Gaza! Pelo mar ou por terra, pressionaremos pela chegada de ajuda humanitária e pelo fim do bloqueio. Seguimos firmes exigindo o fim de toda a cumplicidade com o regime colonial genocida israelense, pelo cancelamento do protocolo de intenções entre o governo Leite e a AEL Sistemas, pelo embargo militar e energético a “Israel”, para que o governo brasileiro pare de enviar petróleo para “Israel” e envie para Cuba! Sanções imediatas à AEL Sistemas e seus CEOs!





