O imperialismo, em conjunto com seu braço armado no Oriente Médio, o sionismo, tentou organizar uma verdadeira insurreição de elementos cooptados contra o governo iraniano. O que se viu nos últimos dias não foi, de forma alguma, uma manifestação popular. Embora tenha havido um descontentamento inicial fruto da crise cambial, o governo negociou e atendeu às demandas. No entanto, mesmo com o refluxo do movimento espontâneo, os grupos financiados pelo capital estrangeiro partiram para uma ação de violência extrema.
Trata-se de uma armação explícita para desestabilizar a República Islâmica do Irã. O imperialismo busca a guerra em escala global, tendo como alvos principais a China e a Rússia. Para isso, é preciso, antes, cercar desestabilizar a Venezuela e o Irã. O que ocorreu na última semana foi, portanto, um ato de guerra.
É estarrecedor observar que setores da esquerda brasileira saíram em defesa dessa operação imperialista como se fosse um “levante popular”. É um delírio completo, fruto de uma dependência vergonhosa da imprensa capitalista.
Essa mesma imprensa, porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, chegou ao absurdo de inventar que a repressão estatal teria deixado 12 mil mortos. O próprio balanço real aponta para três mil detidos por atos de vandalismo e violência. Ora, se prenderam três mil, como teriam matado 12 mil?
Até setores da imprensa dita alternativa caem na armadilha de dizer que é preciso “rejeitar o imperialismo, mas defender a democracia no Irã”. Não há um problema de “democracia” no Irã; o que existe é uma propaganda criminosa para justificar a invasão. A farsa caiu por terra quando milhões de iranianos foram às ruas nesta semana em apoio ao governo e contra o golpismo imperialista.
O que a esquerda pequeno-burguesa ignora — ou finge ignorar — é que o Irã é o principal pilar de sustentação da resistência palestina, do Líbano e do Iêmen. Destruir o regime iraniano é o objetivo central para consolidar o domínio imperialista e sionista na região. Não se trata de uma discussão abstrata sobre liberdades individuais, mas de uma disputa pelo controle do Estreito de Ormuz e pela sobrevivência das forças anti-imperialistas.





