A greve anunciada por cerca de mil supervisores da mina Escondida não começou. Depois de rejeitar ofertas da BHP e preparar a paralisação para esta quarta-feira (14/10), o Sindicato nº 2 chegou a um pré-acordo com a empresa. A nova proposta recebeu os votos de 64% dos sindicalizados e encerrou a negociação coletiva.
A ameaça de parar a maior mina de cobre do mundo foi o instrumento com que os trabalhadores pressionaram a companhia. O sindicato havia montado um acampamento de greve e denunciado a recusa da BHP em atender reivindicações como reajuste salarial, bônus mensal de produção, critérios objetivos de avaliação e melhores condições financeiras no término do contrato.
O acordo aprovado terá vigência de 36 meses, de 2026 a 2029. Ele evitou a interrupção de uma operação decisiva para as exportações chilenas. Também mostrou que a negociação só mudou quando a paralisação estava organizada e tinha data para começar. A aprovação por 64% registra a decisão da maioria, sem esconder que uma parcela considerável da categoria rejeitou a oferta.
Nas últimas semanas, quatro pessoas morreram em acidentes no setor mineiro chileno: uma na Escondida, uma em Radomiro Tomic e duas em El Teniente. As mortes não foram apontadas pelo sindicato como o motivo formal da greve anunciada, centrada no contrato. Elas tornam incontornável a discussão sobre as condições em que se trabalha nas minas que sustentam os lucros das grandes empresas do setor.





