Após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelo governo norte-americano de Donald Trump, personalidades de diversos países do mundo usaram suas redes sociais para se manifestar, alguns em apoio a Venezuela e condenando o crime praticado pelos Estados Unidos, outros para fazer coro e parabenizar a ação ilegal e criminosa da Casa Branca.
Um caso que chamou bastante atenção foi o da França, que opôs a líder da extrema direita, Marine Le Pen, e o presidente Emmanuel Macron.
Marine Le Pen criticou a agressão dos EUA afirmando que a soberania dos países “é inviolável e sagrada”. Disse ela:
“Existiam mil razões para condenar o regime de Nicolás Maduro: comunista, oligárquico e autoritário. Mas existe uma razão fundamental para se opor à mudança de regime que os Estados Unidos acabam de provocar na Venezuela. A soberania dos Estados nunca é negociável, qualquer que seja seu tamanho, sua potência ou seu continente. Ela é inviolável e sagrada.”
Le Pen alerta que relativizar esse princípio representa um risco direto para todas as nações. “Renunciar a esse princípio hoje, no caso da Venezuela ou de qualquer outro Estado, equivaleria a aceitar amanhã a nossa própria servidão”, escreveu. Para a liderança, esse caminho configura “um perigo mortal”, em um cenário internacional já marcado por profundas transformações.
“O século XXI já é palco de grandes abalos geopolíticos que fazem pairar sobre a humanidade o risco permanente de guerra e de caos. Só nos resta esperar, diante dessa situação, que a palavra seja devolvida o mais rapidamente possível ao povo venezuelano. Cabe a ele definir, de forma soberana e livre, o futuro que deseja se dar como nação”, concluiu.
Macron, por seu turno, não escondeu sua felicidade diante do sequestro do presidente da Venezuela: “O povo venezuelano está hoje livre da ditadura de Nicolás Maduro e só pode se alegrar com isso”, escreveu o chefe de Estado no X no sábado (3). “Ao confiscar o poder e esmagar as liberdades fundamentais, Nicolás Maduro causou um grave dano à dignidade de seu próprio povo”, acrescentou.
O presidente francês reivindicou ainda uma “transição pacífica”, propondo que o opositor de Maduro assuma o comando do país. “Desejamos que o presidente Edmundo Gonzáles Urrutia, eleito em 2024, possa assegurar essa transição o quanto antes”, disse Macron.
A posição de Macron é bem parecida com a do herdeiro da família Rothschild, grupo para o qual o atual presidente francês prestou seus serviços por longos anos. Macron inclusive chegou a ser sócio do banco. Nathaniel Rothschild, por sua vez, usou sua conta no X para parabenizar Trump: “Muito bem, Donald J. Trump. Venezuela livre”, escreveu.
O contraste entre Le Pen chama muito a atenção porque Macron é apresentado no Brasil como um “democrata” e até mesmo como um aliado do governo Lula. O “democrata”, no entanto, se revelou muito mais golpista que a “fascista” Le Pen.





