O artigo O cerco à advogada Viviane Barci de Moraes também é machismo repetitivo, de Moisés Mendes, publicado nesta sexta-feira (23) no Brasil247, mostra que existe uma parte da esquerda que embarcou em uma canoa furada: a defesa de Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci. O problema, é que foram longe demais e já não conseguem retroceder.
Outra analogia possível para entender essa gente é a do globo da morte, onde os motociclistas só podem acelerar, pois, se tentarem parar, caem e se estatelam.
Os identitários, repressores por natureza, são loucos para inventarem fobias e novos “crimes”. O da vez é o “racismo repetitivo”. O nome pode parecer (mas não é) piada.
Mendes inicia seu texto destacando “essas três chamadas, em títulos destacados no alto da capa do Globo online, [que] foram publicadas nessa sequência pela colunista Malu Gaspar:
Dia 19 de janeiro: ‘A derrota da mulher de Alexandre de Moraes na defesa do Banco Master’.
Dia 21: ‘Mulher de Alexandre de Moraes atua em caso enviado para Toffoli no STF’.
Dia 22: ‘Master: atuação da mulher de Alexandre de Moraes é desconhecida em quatro órgãos previstos em contrato milionário’”.
Moisés Mendes tenta desclassificar a jornalista dizendo que “Malu Gaspar dedica-se assim à sua obsessão, desde as primeiras denúncias de que Viviane Barci de Moraes havia sido contratada pelo Banco Master. E que o ministro teria tentado intervir pelo Master junto ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo”. Por que seria uma obsessão, apenas devido à repetição de um termo?
Mendes ataca novamente a jornalista, cujo “perfil do trabalho” é nunca ter fontes identificadas. A verdade é que a jornalista não precisa ter as tais “fontes identificadas”. Moraes é figura pública e as suspeitas levantadas são suficientes para o ministro ter de provar que não agiu de maneira inapropriada.
Segundo Mendes, “Malu Gaspar precisa conseguir amarrar e dar coerência ao que noticiou pela primeira vez em abril do ano passado.” O que se espera de qualquer jornalista. Foi assim no caso Watergate, por exemplo. As notícias foram surgindo gradualmente e isso se tornou uma característica marcante do escândalo.
Em seguida, o articulista afirma que Malu Gaspar “precisa conectar o Master à advogada, a advogada a Moraes, por ser casada com ele, e Moraes ao banco quebrado, pelas supostas e nunca provadas interferências junto ao BC”. O próprio Brasil247 mostrou que há conexão, uma vez que Barci defendeu o Banco Master em pelo menos uma ocasião e perdeu. Quanto à conexão da senhora Barci com o marido, é autoevidente.
Mendes diz que é “razoável, legítimo e usual que se pergunte o seguinte: Malu Gaspar precisa reduzir a condição da advogada Viviane Barci de Moraes à de mulher de Alexandre de Moraes, em todas as manchetes que publica na sua coluna?”
Qual é o problema? O próprio Moisés Mendes nunca se incomodou de chamar os filhos de Bolsonaro de 01, 02 e 03. A imprensa cansou de ter manchetes com “filho de Lula”, “irmão e Lula” etc. É estranho que Mendes fique tão incomodado, logo ele, que trata Michele Bolsonaro de “a cuidadora”.
O “crime”
Na ânsia de defender o indefensável, Mendes afirma que “Malu Gaspar pode apresentar os mais variados argumentos para dizer por que ‘qualifica’ Viviane como mulher de Alexandre de Moraes. Mas todos serão confrontados com a certeza de que a insistência é uma atitude de machismo repetitivo”.
Isso mesmo, machismo repetitivo…
O articulista diz que Viviane Barci de Moraes é reconhecida como advogada antes de Moraes chegar ao Supremo, embora nunca se tenha ouvido falar.
Alexandre de Moraes é muito mais conhecido que sua esposa. Foi secretário de Segurança Pública no governo Alckmin. Foi ministro da Justiça no governo Michel Temer. Hoje, é o super ministro do STF endeusado pela maioria da esquerda. Alexandre de Moraes, vulgo Xandão, é tido como o último bastião de defesa da democracia, o homem que derrotou o fascismo. Diante de tanta majestade, chamar Viviane Barci de ‘esposa de Alexandre de Moraes’ é quase um elogio. E é muito natural que seja tratada assim.
Sabujice
Mendes não se cansa de tentar preservar Viviane Barci, chega a ser constrangedor. O fato é que o jornalista não tem o que dizer; a única coisa que pode fazer é tentar atacar a jornalista de O Globo.
Mendes diz, por exemplo, que “Malu Gaspar não precisa repetir, a cada coluna, na chamada de capa, que persegue provas contra a mulher de Alexandre de Moraes. Pela repetição, quem acompanha o caso sabe que Viviane Barci de Moraes tem vida própria, dedica-se a uma atividade profissional e deve ser respeitada na sua condição de mulher, antes de ser enquadrada da mesma forma que a coloca como subalterna todas as vezes”.
Em um último estertor, Moisés Mendes diz para O Globo: “Livrem-se dessa obsessão e procurem outras pautas. Ataquem os machos do fascismo e um dia peçam desculpas à advogada Viviane Barci de Moraes”.
O texto de Moisés Mendes é quase um ato de desespero, pois defender Viviane Barci e seu marido está ficando insustentável.
Não se pode adivinhar os desdobramentos do caso do Banco Master, até que ponto a coisa vai chegar. Tem-se a impressão de que a burguesia está tentando resolver a questão sem eliminar completamente a credibilidade do STF, pois esse tribunal tem sido muito útil para a ela governar sem ter que depender das eleições.
Alguns jornalistas estão servindo de fiadores de reputação, o que nunca foi boa ideia. Tudo indica que a reputação de alguns jornalistas vão afundar com a canoa furada.




