Análise Política da Semana

​​Luz amarela para a candidatura Lula

Em programa da COTV, Pimenta relaciona censura, guerra contra o Irã, escândalo do Banco Master e dificuldades do PT diante da eleição de 2026

No programa Análise Política da Semana, exibido neste sábado (14), na Causa Operária TV (COTV), Rui Costa Pimenta tratou da escalada da censura no País, da guerra dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã, do escândalo do Banco Master e do impacto desses acontecimentos sobre a situação eleitoral do PT.

Durante a transmissão, o presidente do Partido da Causa Operária (PCO) afirmou que a campanha pela censura está avançando “através de aproximações sucessivas”, criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) em casos envolvendo liberdade de expressão, denunciou os ataques ao Irã como parte de uma ofensiva do imperialismo e avaliou que o PT entrou em uma situação “bastante delicada” para as eleições presidenciais.

Logo no início do programa, Pimenta dedicou uma parte extensa de sua intervenção ao tema da liberdade de expressão. Ao comentar a proibição de jogos eletrônicos para menores de 16 e 18 anos, ele declarou que a aprovação da chamada “lei Felca” abriu caminho para medidas mais amplas de restrição à circulação de informações.

“Primeiro, vão lá, tiram um pedacinho dos direitos, e ninguém fala nada. As pessoas aceitam, apresentam uma boa explicação: é preciso proteger as crianças, é preciso isso, é preciso aquilo. Aquela parte da classe média bem pensante aceita tudo que apareça com uma boa explicação. Eles aprovam, depois, na sequência, aprovam mais alguma coisa, depois, na sequência, aprovam mais alguma coisa. E quando você abrir o olho, quando essa camada que aplaude essas arbitrariedades abrir o olho — se é que algum dia eles vão abrir o olho —, você já perdeu todos os seus direitos.”

Segundo Pimenta, a campanha atual não se volta contra as mentiras produzidas pela grande imprensa capitalista, mas contra a circulação de denúncias e posições contrárias ao imperialismo nas redes sociais e na Internet em geral. Para ele, o alvo central desse processo é a juventude.

“A juventude é o principal alvo. E a juventude é o principal alvo, isso não é uma coisa gratuita. Não é porque a juventude seja o setor mais fácil de censurar. É que a censura à juventude é um ponto fundamental porque os jovens, quando eles se tornam politicamente ativos, eles são muito mais radicais, muito mais ativos do que os mais velhos. Então, a censura à juventude visa a impedir a politização da juventude, que é um elemento fundamental de qualquer tipo de perspectiva revolucionária.”

Ainda sobre esse eixo, o dirigente do PCO comentou a inclusão de um jornalista no Inquérito das “Fake News” após a divulgação de informações sobre o uso de carro oficial por familiares do ministro Flávio Dino. Pimenta disse que o episódio mostra o grau de arbítrio atingido pelo STF e sustentou que denúncias contra autoridades públicas deveriam ser apuradas, e não transformadas em fundamento para perseguição contra quem as publicou.

Em seguida, ele passou ao caso envolvendo o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, após declarações sobre a deputada federal Erika Hilton:

“A primeira coisa que a gente deve dizer é que nós somos absolutamente contra que haja processo por crime de opinião. A nossa palavra de ordem é: opinião não é crime, opinião é opinião. Você não gosta da opinião da outra pessoa, você discute, você polemiza, você denuncia. É isso que é o fundamento democrático da coisa. Quando uma pessoa expressa uma opinião e ela é multada, ou ela vai presa, ou acontece alguma coisa, nós estamos diante de uma ditadura.”

Pimenta afirmou ainda que a discussão sobre quem deve presidir a Comissão de Mulheres da Câmara não é uma posição restrita à direita, mas tema de debate também entre organizações femininas. Em sua intervenção, sustentou que a representação ideal da comissão seria feita por mulheres diretamente atingidas pelos problemas específicos da condição feminina.

“Quando você coloca a dita mulher transgênero na presidência da Comissão de Mulheres, o que ela vai defender exatamente? Tudo bem, lógico. Até um homem pode defender os interesses das mulheres, mas o natural seria que a pessoa diretamente afetada represente esses interesses. Seria estranho você colocar um homem, por mais que ele fosse um defensor da liberdade da mulher, na presidência da Comissão de Mulheres. Ficaria muito estranho. O que nós estamos dizendo é que o representante ideal seria a pessoa que sofre os problemas que a mulher sofre.”

Ao longo desse trecho, Pimenta também criticou a transformação, pelo STF, da lei do racismo em instrumento para punir opiniões relacionadas à homossexualidade e às pessoas trans, dizendo que isso criou um ambiente de intimidação permanente contra o debate público.

No plano internacional, a guerra contra o Irã ocupou outra parte central do programa. Pimenta classificou a ofensiva norte-americana e sionista como uma guerra criminosa e voltou a sustentar que “Israel” é um instrumento do imperialismo na região. Ele rejeitou a tese de que o sionismo controlaria os Estados Unidos, afirmando que o Estado de “Israel” foi concebido como base militar e policial do imperialismo no Oriente Médio.

“O Estado de Israel foi concebido e foi construído para servir como uma base militar, um entreposto militar e policial do imperialismo naquela região. Quer dizer, manter os países árabes, a Jordânia, o Líbano, a Síria, o Iraque, o Irã, a Arábia Saudita e as monarquias do Golfo sob controle. Logicamente que, desde a criação do Estado de Israel em 1948, o que nós temos é um entrelaçamento muito grande entre o aparato militar e os órgãos de informação do imperialismo e o sionismo.”

Ao comentar o assassinato do aiatolá Ali Khamenei, Pimenta afirmou que a imprensa tratou como normal um crime de enorme gravidade e comparou o fato à hipótese de assassinato do Papa no Vaticano. Para ele, esse tratamento dado pela imprensa é um sinal do avanço da fascistização da situação política internacional.

Também sobre a guerra, ele declarou que o ataque a uma escola de meninas no Irã não foi um erro de inteligência, mas um método deliberado de intimidação da população civil.

“Segundo os órgãos do imperialismo, eles tinham informações erradas da inteligência. Então veja só, a inteligência não soube detectar adequadamente, mataram 170 meninas. É um crime de guerra, sem dúvida nenhuma. Eu acho que não é casual, não acho que é erro de inteligência, eu acho que é um método fascista tradicional do imperialismo e do sionismo. É uma tentativa de intimidar a população. Logo no primeiro ataque eles já começaram com isso.”

Pimenta aproveitou o tema para atacar a oposição entre “democracia” e “fascismo”, que, segundo ele, vem sendo usada para encobrir a política imperialista. Ao tratar da adesão de governos europeus à guerra iniciada por Donald Trump, ele declarou que, quando se trata de oprimir os povos, os regimes ditos democráticos atuam do mesmo modo que o fascismo.

“Quando se trata de oprimir a população do mundo, não tem fascismo e democracia. O imperialismo age da maneira mais fascista possível, com o apoio de todos os democratas. Então quer dizer, isso é uma falsa dicotomia, é uma falsa contradição. Não dá, nessa altura dos acontecimentos, depois de Gaza e depois do Irã, para acreditar que a democracia seja um antídoto contra o fascismo. Na verdade, democracia e fascismo são dois aspectos da política do imperialismo.”

A respeito da sucessão no comando político-religioso iraniano, o presidente do PCO afirmou que a eleição do filho de Khamenei como novo líder da Revolução Islâmica não altera substancialmente a estrutura do regime. Segundo ele, a imprensa procura apresentar o cargo como se fosse o centro do governo iraniano, quando sua função principal seria zelar pelos princípios da Revolução Islâmica.

Pimenta reservou ainda uma avaliação detalhada para a reação militar iraniana. Disse que o fechamento do Estreito de Ormuz, os ataques às bases norte-americanas e a manutenção da capacidade de resposta do Irã colocaram o imperialismo em uma situação difícil e expuseram uma fragilidade importante dos Estados Unidos.

“Aparentemente, as Forças Armadas iranianas colocaram em xeque o imperialismo. Vamos ver como é que eles saem dessa situação. Não diria que é um xeque-mate, mas colocou em xeque. Quer dizer que o imperialismo ficou numa posição delicada diante da situação. O Trump tem uma bravata diária, já falou que ia desobstruir o Estreito de Ormuz, já falou que ia destruir não sei o quê, que ia atacar não sei o quê lá, mas não acontece nada. Eles estão relativamente paralisados.”

Na parte final do comentário sobre o Oriente Médio, o dirigente do PCO afirmou que a resistência iraniana desmente as posições que se recusam a apoiar o país em nome de críticas ao caráter religioso do regime. Para ele, trata-se de uma luta objetiva de uma nação oprimida contra o imperialismo, e não de uma questão a ser julgada apenas pelas formas ideológicas do regime.

Depois disso, Pimenta voltou-se ao caso Banco Master. Ele afirmou que o escândalo se amplia a cada dia e que a admissão, por parte da esposa de Alexandre de Moraes, de um contrato de R$130 milhões com o banco tornou insustentável a permanência de ministros do STF em seus cargos.

“A mulher do Alexandre de Moraes reconheceu, não tinha jeito, que ela fez o contrato com o Banco Master de 130 milhões. Veja bem, muita gente fala assim: ‘Não, é um contrato perfeitamente normal’. Não, não é perfeitamente normal, nem minimamente normal. É o contrato de assessoria jurídica mais caro da história do mundo jurídico até hoje. Quer dizer, não é normal. Só isso já deveria ser suficiente para que o senhor Alexandre de Moraes saísse do STF.”

Pimenta também mencionou denúncias de encontros em Londres envolvendo Moraes, Dias Toffoli, representantes da Procuradoria-Geral da República e da Advocacia-Geral da União, com despesas elevadas em uma degustação de uísque. Segundo ele, a promiscuidade entre o aparato jurídico institucional e o Banco Master já teria se tornado evidente.

Ao comentar a repercussão do escândalo, o presidente do PCO disse que parte da esquerda procurou empurrar o caso para o campo bolsonarista, relacionando a crise à política de desregulamentação do sistema financeiro sob Roberto Campos Neto. Para ele, essa operação política não resolve o problema central, porque o PT passou a atuar em aliança estreita com o STF desde os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.

“O governo do PT começou com o negócio do dia 8 de janeiro. De 8 de janeiro de 2023 até hoje, o PT esteve de braços dados com o STF na perseguição ao bolsonarismo. Nas palavras de um articulista que eu li aí, o PT terceirizou a luta contra o Bolsonaro para o STF. E esse foi um erro, não sei se fatal, só vamos saber se foi fatal na hora que abrirem as urnas da eleição. Mas que foi calamitoso, não há dúvida nenhuma disso.”

Esse ponto serviu de passagem para o tema que deu título ao programa. Pimenta afirmou que o empate apontado por pesquisas entre Lula e Flávio Bolsonaro acendeu um sinal de alerta importante para o PT. Segundo ele, o fato de um nome como Flávio Bolsonaro, que classificou como uma figura apagada, aparecer em igualdade com o presidente mostra que a situação eleitoral é mais grave do que os petistas vinham admitindo.

“Quando aparece que o Flávio Bolsonaro — que é uma pessoa apagada, Flávio Bolsonaro não é Bolsonaro, o Bolsonaro é um líder político. O Flávio Bolsonaro não, não é nada, é um burocrata. Quando aparece que o Flávio Bolsonaro, quer dizer, o homem apoiado pelo Bolsonaro em março, está empatado com o PT, é porque a situação é muito problemática.”

Para Pimenta, o partido precisaria fazer uma reflexão profunda sobre sua conduta recente e sobre as condições reais de enfrentar a direita em 2026. Em sua avaliação, será difícil vencer a eleição sem um deslocamento mais nítido à esquerda, mas esse movimento seria dificultado justamente pela política adotada pelo PT nos últimos anos, marcada por alianças com setores da burguesia e por uma linha direitista de governo.

“Na minha opinião, vai ser muito difícil ganhar a eleição sem um profundo deslocamento à esquerda. Agora, o deslocamento à esquerda também é problemático, porque o PT passou três anos com uma política direitista, aí chega na eleição e aparece com uma política de esquerda. Teria que ser muito bem pensado, muito bem organizado para parecer uma coisa real.”

Pimenta acrescentou que a própria composição da frente articulada pelo PT coloca limites a uma virada desse tipo, já que uma plataforma contrária à reforma da Previdência, à reforma trabalhista e a novas medidas fiscais poderia romper o apoio de parcelas da burguesia hoje ligadas ao governo. Para ele, esse é um dos elementos centrais da crise aberta no campo petista.

Ao encerrar o programa, o presidente do PCO afirmou que o desempenho eleitoral do PT deve ser entendido como expressão de um esgotamento mais amplo da política reformista do partido. Segundo ele, depois de mais de 20 anos de presença no governo federal, o partido não conseguiu resolver os problemas estruturais do País, o que estreita sua margem de manobra diante do avanço da direita.

“A conclusão que nós temos que tirar é que há um esgotamento da política reformista do PT.”

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