O artigo Fascismo continua fascismo, de Chico Teixeira, publicado no Brasil247 neste sábado (14), comete um erro fundamental: não caracteriza o fascismo. Para driblar esse inconveniente, utiliza um subterfúgio, pergunta: “até que ponto o fascismo se reinventa e permanece, no entanto, fascismo?”. Assim, genericamente, após supostas reinvenções, para ele, “o núcleo duro do fascismo reside na doutrina do ‘inimigo interno’” que seria “um outro conveniente para justificar todos os atos brutais de destruição dos direitos e garantias civis”. – grifo nosso.
Segundo sustenta, mas sem explicar como as coisas se ligam, Teixeira diz que “o militarismo, o nacionalismo excludente, o mito e o culto da personalidade – do Führer, Duce, Conductor ou do ‘Mito’ –, o partido-Estado como máquina, a utopia regressiva de uma falsa idade do ouro perdida, todos estes elementos fundamentais ao constructo ‘fascismo’ possuem uma conexão direta com a noção de ‘inimigo interno’”.
Nesse início, encontramos alusões a Donald Trump e a Jair Bolsonaro, que a ‘esquerda’ elegeu como símbolos do fascismo e que devem ser combatidos.
O que é o fascismo
León Trótski viveu de perto a ascensão do fascismo, e foi quem melhor o entendeu e o definiu. Para ele, o fascismo não é apenas uma ideologia autoritária ou um regime repressivo comum. Mas o define como um movimento de massas contrarrevolucionário, cuja função histórica é esmagar fisicamente a classe trabalhadora organizada quando os mecanismos normais da democracia liberal deixam de ser suficientes para preservar o poder do grande capital.
Após o golpe de 2016, com a subida de Michel Temer ao poder, vimos um ataque brutal a todas as conquistas de direitos dos trabalhadores. No entanto, esse ataque não foi patrocinado pelo fascista Trump, mas pelo “democrata” e, como gostam os identitários, “homem negro em situação de poder”, Barack Obama. E não podemos deixar de lado que seu vice era Joe Biden.
A supressão de direitos democráticos, como a liberdade de expressão, de manifestação, por exemplo, estão sendo levadas adiante pelas “democracias liberais” do mundo todo. Portanto, fica claro que a oposição “democracia x fascismo” não passa de uma farsa.
Propaganda sionista
Em tempos dos ataques ao Irã e o de genocídio em Gaza, financiado e apoiados com logística, armas e soldados pelas “democracias liberais”; Teixeira acha de dizer que “historicamente, o povo judeu foi ressignificado contemporaneamente – através da reapropriação do fundo cristão medieval de ódio ao povo dito ‘Cristocida’, embora o domínio da Justiça local fosse romano – como o Outro por excelência vaticinado ao sacrifício. O antissemitismo é, sempre, um alerta do fascismo que avança. Hoje o fascismo continua excludente, homicida e exterminacionista. Judeus continuam sendo o estranho/estranhado/estrangeiro, e por vezes a força do socioleto [subcultura ou grupos sociais específico] fascista – dito de forma redutora como ‘fakenews’ –, acaba por contaminar a própria análise social”.
Trata-se de uma clara propaganda. Teixeira deveria denunciado o sionismo, não um “ressignificado” hipotético. São os sionistas que estão se apropriando, se escondendo atrás do judaísmo, para cometerem seus crimes e disfarçarem sua cara fascista.
O sionismo revisionista teve ligação direta com o fascismo. As milícias sionistas foram o núcleo formador das IDFs, e o modo como atuam não negam seu passado.
Os inúmeros vídeos que circulam pelas redes sociais, os artigos independentes, destruíram a imagem democrática que a propaganda que os sionistas gastaram décadas e bilhões para construir.
Hoje, com a violação de cessar-fogo em Gaza e no Líbano, com os assassinatos de cientistas iranianos e suas famílias, o sionismo está no fundo do poço. Isso tem motivado o reinvestimento do governo “israelense”, que tem atraído jornalistas, acadêmicos, influenciadores digitais e até mesmo políticos para suas posições.
A ‘luta’ antirracista
Conforme já denunciamos inúmeras vezes, a “luta antirracista” serviria, e tem servido, para acobertar especialmente os crimes do sionismo e sua política de apartheid.
Inúmeros canais nas redes sociais têm sido desmonetizados, ou simplesmente banidos, por denunciarem as atrocidades cometidas pelos sionistas, que acusam quem os denuncia de serem racistas, antissemitas, ou difusores de “discurso de ódio”.
Teixeira tenta desautorizar intelectuais que combatem os crimes dos sionistas, diz que “em mesmo cientistas sociais e historiadores são imunes em face da novilíngua e seu caráter dissociativo da realidade. Em especial aqueles que não unem produção acadêmica com intervenção social, moldando sua atuação para o espetáculo das redes sociais”.
Embora o articulista disfarce dizendo que “outros grupos sociais foram somados ao núcleo de “inimigos internos”, como negros, indígenas e latinos, apontados como os ‘feios’, degenerados, os que comem animais domésticos e transmitem doenças contagiando a raça superior branca”, seu objetivo, mal-disfarçado, é afirmar que “o antissemitismo é um racismo”. Mas é claro que a palavra que ressoa em sua frase é “antissionismo”.
Mais repressão
Apesar de toda a conversa mole de “antipretismo”, “TODXS”, “ódio ao povo LGBT”, o que o autor quer é mais repressão do Estado, sua palavra de ordem é “sem perdão para os racistas”.
A ladainha de que “a história da escravidão, do genocídio indígena e do Holocausto são temas insuperáveis de uma Educação emancipadora”, servem para uma única coisa: repressão.
Para o azar de Teixeira, um judeu, Normam Finkelstein, já denunciou essas manobras em seu livro A indústria do Holocausto. A ele somam-se outros tantos rabinos como Yisroel Weiss, que denunciam as atrocidades sionistas; ou ainda o sítio Breaking the Silence, onde ex-soldados israelenses narram os crimes que cometiam, e ainda se comete, contra os palestinos na Cisjordânia e em Gaza.





