No último dia do mês de fevereiro, o mundo acompanhou o imperialismo “democrático” e o sionismo assassinarem mais de 150 meninas em um bombardeio a uma escola no Irã. Um dos massacres mais criminosos dos últimos anos, comparável a muitas das ações nazissionistas na Faixa de Gaza.
Incrivelmente, três dias antes, o que disse o presidente do Brasil, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva? “Eu não estou preocupado com o que os Estados Unidos vão fazer com o Irã”.
Ninguém pode acusar Lula de saber que os Estados Unidos iriam bombardear a população civil de Teerã — muito embora o imperialismo tenha feito isso milhares de vezes ao longo dos últimos cem anos. O que chama a atenção é que, depois da gafe — para não dizer “patifaria” — cometida pelo presidente, era de se esperar, no mínimo, que ele finalmente “se preocupasse” com o que os Estados Unidos estão fazendo contra a nação iraniana.
Mas não foi o que aconteceu. O governo até agora não tomou nenhuma medida para fazer parar a agressão imperialista-sionista. E o seu Ministério das Relações Exteriores, enclausurado no Palácio de Itamaraty, tem acenado que, se o Brasil for tomar um lado na guerra, será o dos opressores.
Às 9h35 do dia 28 de fevereiro, o Itamaraty publicou uma nota em que dizia que o governo brasileiro “condena e expressa grave preocupação” com os ataques realizados hoje por “Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã [grifo nosso]”. A nota conclui apelando “a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção”.
É de uma hipocrisia tremenda. Ao falar em ataque contra “alvos”, o governo indica que não foi um bombardeio criminoso sobre a população civil — o que já era claro no momento em que a nota foi publicada. O apelo a todas as partes, por seu turno, significa: o Irã não tem o direito de se defender. Quando, de acordo com o próprio Direito Internacional, o Irã tem o direito de fazer o que quiser diante da gravidade da agressão.
Horas depois, veio à tona o assassinato do Líder da República Islâmica do Irã. O Itamaraty não emitiu nota alguma denunciando este que é um dos mais graves crimes cometidos durante a guerra. O assassinato não apenas é um crime contra a soberania de um país, como, por causa da envergadura da autoridade de Saied Ali Khamenei, levará a uma convulsão em toda a região, cuja inteira responsabilidade é do imperialismo.
A segunda nota do governo brasileiro é ainda mais repugnante. Ela diz que “o Governo brasileiro manifesta profunda preocupação com a escalada de hostilidades na região do Golfo”. O Itamaraty assim mostra que não “se preocupa” com o assassinato de Khamenei, mas “se preocupa” com o fato de que o Irã, exercendo seu direito à defesa nacional, está atacando alvos — esses sim, estratégicos — em países que traem o seu povo a cada dia em uma aliança podre.
O comunicado afirma que “o Brasil se solidariza com a Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia – objetos de ataques retaliatórios do Irã em 28 de fevereiro”. Pouquíssimas pessoas morreram nesses países. Muitos dos alvos, por seu turno, sequer pertencem a esses países — são bases norte-americanas. No entanto, chama a atenção que eles merecem receber a “solidariedade” do governo Lula, enquanto o povo iraniano, não. Não há qualquer palavra de solidariedade ao povo que mais está sendo agredido em toda a guerra.
Na reta final de seu mandato, Lula está fazendo do Brasil um capacho do imperialismo norte-americano — pelo menos, no que diz respeito à sua política externa. É o contrário do que prometeu em sua campanha eleitoral, é o contrário do que desejam aqueles que o elegeram e é o contrário do que o próprio Lula fez em momentos anteriores.
Certa vez, o célebre compositor Chico Buarque falou: “eu gosto do governo do PT, porque não fala grosso com a Bolívia e não fala fino com os Estados Unidos”. Não se pode falar disso do terceiro — e possivelmente último — mandato do presidente Lula. O governo fala muito grosso com o Irã porque perdeu completamente a capacidade de peitar os Estados Unidos.





