Em um discurso no Instituto Butantan, no último dia 9, o presidente Lula fez um apanhado do que considera bons resultados de seu atual mandato, e comemorou o fato de “o sistema financeiro nunca ganhou tanto dinheiro como ganha no nosso governo”, em um aceno eleitoral à direita liberal e golpista.
Os dados positivos apontados por Lula são ilusórios: enquanto metade da população amarga o subemprego, a pejotização e um altíssimo custo de vida, o governo comemora as menores taxas de desemprego da história e uma redução na inflação recente. O povo, porém, sofre em seu cotidiano a farsa dessas métricas.
Quanto aos bancos privados, Lula diz a verdade: Itaú, Bradesco e Santander tiveram lucro recorde em 2025, acumulando R$87,1 bilhões, um aumento de 16,4% em relação ao ano anterior. Só o Itaú lucrou R$ 46,8 bilhões, mais que a soma dos outros dois.
A farra dos banqueiros, que Lula quer agradar, se dá às custas dos trabalhadores bancários e de todo o povo. É recorrente a denúncia dos sindicatos do fechamento de agências bancárias e das demissões em massa, com casos absurdos de dispensa de mulheres grávidas, pessoas com deficiência, entre outros.
Os banqueiros ainda pressionam por mais aumento da taxa de juros no Banco Central. Estes juros abusivos paralisam a economia produtiva e tiram dinheiro da população, ao mesmo tempo que remuneram muito bem os especuladores, aumentam seus ganhos com a chamada dívida pública, corroendo o orçamento nacional. Este é o mecanismo que destrói os serviços públicos e lança o povo na miséria.
Para Lula, de nada adianta tentar agradar os banqueiros. Eles querem um choque neoliberal em uma intensidade que ele e sua base social não estão dispostos a fazer. A política correta é a redução da taxa de juros e um plano de industrialização e emprego. Mas já estamos em ano eleitoral, e parece que o momento do “cavalo-de-pau” na economia já passou.





