Em mensagem divulgada nesta sexta-feira (20), por ocasião do Ano-Novo persa, o líder da Revolução Islâmica, Mujtaba Khamenei, declarou que o ano 1405 será orientado pela palavra de ordem “economia de resistência à luz da unidade nacional e da segurança nacional”. Ao saudar simultaneamente o Nowruz e o Eid al-Fitr, celebrados neste mesmo período, Khamenei afirmou que a defesa das condições de vida da população e o fortalecimento da coesão interna são parte da resposta do Irã à guerra movida pelos Estados Unidos e por “Israel”.
No texto, o dirigente iraniano felicitou a população pelas “notáveis vitórias dos combatentes do islã” e manifestou condolências às famílias dos mártires da agressão norte-americana-sionista e dos acontecimentos de janeiro. A mensagem foi divulgada em meio às comemorações do Ano-Novo nas ruas do país e poucos dias depois de sua eleição pela Assembleia dos Peritos para suceder o aiatolá Saied Ali Khamenei, assassinado em 28 de fevereiro na agressão conjunta de EUA e “Israel” contra a República Islâmica.
Ao fazer um balanço do último ano, Khamenei afirmou que o povo iraniano atravessou “três guerras militares e de segurança”. A primeira, segundo ele, foi a guerra de junho, quando “Israel”, com apoio direto dos Estados Unidos e “em meio às negociações”, assassinou comandantes, cientistas e cerca de mil iranianos. A segunda foi o chamado “golpe de janeiro”, atribuído à ação de forças apoiadas do exterior. A terceira é a guerra em curso, iniciada, em suas palavras, sob o peso do luto pelo assassinato de Saied Ali Khamenei e de dezenas de outras vítimas da agressão.
“No ano passado, nosso querido povo viveu três guerras militares e de segurança. A primeira foi a guerra de junho, quando o inimigo sionista, com a ajuda especial dos Estados Unidos e em meio às negociações, martirizou alguns dos melhores comandantes do país, cientistas destacados e, depois disso, cerca de mil de nossos concidadãos. Por um erro grosseiro de cálculo, o inimigo imaginou que, depois de um ou dois dias, seria o próprio povo a derrubar o sistema islâmico”, escreveu.
Segundo Khamenei, o cálculo do imperialismo e do regime sionista fracassou porque o povo não abandonou a arena. Pelo contrário, a reação popular e a ação das forças armadas transformaram o que os inimigos imaginavam ser um golpe decisivo num revés político e militar. Ao tratar da guerra atual, ele sustentou que o objetivo estratégico da agressão é submeter o Irã e, mais adiante, desintegrar o país.
“Os Estados Unidos e o regime sionista partiram da ilusão de que, ao martirizar o chefe do sistema e um certo número de figuras militares influentes, criariam medo e desespero em vocês, nosso querido povo, e fariam vocês abandonar a arena. O objetivo final deles é realizar o sonho de dominar o Irã e, depois, desintegrá-lo”, afirmou.
A mensagem dedica grande espaço à mobilização popular ocorrida durante o mês sagrado. Khamenei disse que a população “uniu o jejum ao jihad” e ergueu uma ampla linha de defesa por todo o país, nas praças, nos bairros e nas mesquitas. Para ele, essa mobilização atingiu o inimigo de maneira decisiva, a ponto de produzir confusão e contradições abertas no campo adversário.
O líder iraniano também mencionou as mobilizações de 11 de fevereiro e de 12 de março, data do Dia de Al-Quds neste ano, como demonstrações da disposição popular de enfrentar o imperialismo. Segundo ele, nesses atos, o inimigo foi obrigado a reconhecer que não enfrenta apenas armamentos, mas uma força social e política muito maior do que sua compreensão estreita consegue abarcar.
“Naqueles dias, o inimigo percebeu que não estava lidando apenas com mísseis, VANTs, torpedos e assuntos militares. A linha de frente do Irã é muito maior do que a mentalidade pobre e pequena dele. Essa unidade extraordinária do povo, apesar de todas as diferenças religiosas, intelectuais, culturais e políticas, é uma bênção especial de Deus e produziu uma ruptura no campo inimigo”, declarou.
Khamenei elogiou ainda a presença do presidente Masoud Pezeshkian e de outras autoridades junto à população, “sem formalidades”, e atribuiu grande importância à unidade verificada no país durante a guerra. Ao mesmo tempo, advertiu para as operações de propaganda dirigidas pelos inimigos contra o Irã. Segundo ele, essas ações buscam atingir “as mentes e as almas” de parte da população para enfraquecer a unidade nacional e, com isso, a segurança do país. Por isso, pediu aos órgãos de imprensa iranianos, independentemente de suas diferenças políticas, que não insistam nas debilidades do país em benefício do inimigo.
Na parte econômica da mensagem, o líder da Revolução Islâmica afirmou que a guerra econômica é um dos principais terrenos de combate do imperialismo contra o Irã. Ele retomou a ênfase dada por Saied Ali Khamenei à questão econômica e afirmou que garantir o sustento da população, ampliar a infraestrutura de vida e bem-estar e criar riqueza para o conjunto do povo devem ser encarados como uma tarefa de defesa nacional.
“Garantir o sustento do povo, melhorar as infraestruturas de vida e de bem-estar e criar riqueza para a população em geral deve ser considerado um ponto central, uma forma de defesa e mesmo um avanço importante contra a guerra econômica travada pelo inimigo”, escreveu.
Ao anunciar a palavra de ordem do novo ano, Khamenei afirmou que sua avaliação não se baseia apenas em relatórios oficiais, mas também no contato direto com a população. Como exemplo, relatou que em certo período percorreu anonimamente as ruas de Teerã em táxis, ouvindo as conversas dos passageiros para captar de forma imediata as opiniões e críticas populares sobre a economia e a administração do país.
“Durante um período, por exemplo, eu andava com vocês num táxi, providenciado a meu pedido, pelas ruas de Teerã, com um grupo anônimo, ouvindo suas conversas. Eu considerava esse método superior a muitas pesquisas de opinião, e via que a minha própria compreensão, em muitos assuntos econômicos e administrativos, coincidia com as críticas do povo”, afirmou.
No plano regional, o dirigente iraniano defendeu uma política “séria e sincera” de aproximação com os países vizinhos, dando destaque especial aos vizinhos orientais. Disse considerar Afeganistão e Paquistão países irmãos e apelou para que ambos melhorem suas relações. Segundo ele, a unidade entre os povos da região é tanto um dever político como uma necessidade diante da ofensiva do imperialismo e de seus agentes.
Khamenei também rejeitou de forma categórica qualquer participação iraniana nos ataques recentes contra alvos na Turquia e em Omã. Segundo ele, trata-se de uma operação de bandeira falsa montada pelo inimigo sionista para semear discórdia entre o Irã e seus vizinhos, o que, acrescentou, pode voltar a ocorrer em outros países da região.
“Os ataques contra a Turquia e Omã, dois países que mantêm boas relações conosco, e que atingiram determinados pontos nesses países, de modo algum foram realizados pelas Forças Armadas da República Islâmica nem pelas demais forças da Frente da Resistência. Trata-se de uma manobra do inimigo sionista, com o uso da bandeira falsa, para criar discórdia entre a República Islâmica e seus vizinhos”, declarou.
A mensagem foi encerrada com uma oração por um ano de vitórias e alívio material e espiritual para o Irã, seus vizinhos e a Frente da Resistência. Ao citar o Alcorão, Mujtaba Khamenei procurou apresentar a nova etapa aberta após o assassinato de Saied Ali Khamenei como uma etapa de continuidade da Revolução Islâmica, de resistência nacional diante da guerra imperialista e de reforço da unidade interna do país.




