Nesta quinta-feira (5), o presidente do PSD, Gilberto Kassab, divulgou a migração para sua legenda de 7 dos 11 deputados da Federação PSDB-Cidadania na Assembleia Legislativa do Estado (Alesp). Kassab recebeu os parlamentares para um café da manhã em sua residência para acertar a chapa estadual as eleições de outubro e postou uma foto do evento em suas redes sociais.
A repercussão
Kassab anunciou a mudança e chegou a declarar em suas redes que os novos filiados estão “cada vez mais entusiasmados com a extraordinária gestão do nosso governador Tarcísio de Freitas e firmes no seu projeto de reeleição em 2026”.
Segundo a CBN, o presidente estadual do PSDB, Paulo Serra, teria recorrido ao presidente da Alesp, André do Prado (PL), tentando minimizar os danos e manter dois parlamentares, e aguarda uma intervenção do governador Tarcisio em seu favor:
“Lamento profundamente a forma desrespeitosa de cooptação de quadros. Esse tipo de canibalismo dentro da base do governador Tarcísio, a meu ver, em nada ajuda na construção de um projeto nacional de centro”, declarou Prado em nota. Na sequência, lembrou que o PSD está na base aliada do presidente Lula e sugeriu que isso “poderá ser explorado na campanha eleitoral daqueles que escolhem o caminho temporariamente mais fácil”. Declarou André do Prado.
O tamanho da debandada
Atualmente a Federação PSDB-Cidadania conta com 11 deputados na Alestp, sendo 8 do PSDB e 3 do Cidadania. Houve manifestações de Carla Morando (PSDB), que tem base eleitoral no ABC paulista, de possível afastamento da legenda.
O anúncio de Kassab envolveria a migração para o PSD dos deputados Analice Fernandes, Maria Lúcia Amary, Rogério Nogueira, Mauro Bragato, Barros Munhoz e Carlão Pignatari (PSDB) e do Dirceu Dalben (Cidadania).
Restam na federação basicamente Bruna Furlan do PSDB e Ana Carolina Serra e Ortiz Júnior (Cidadania). Minguado ainda mais a estrutura do PSDB, já bastante sofrida com no pleito governamental para Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Rumo à dissolução
O partido que dominou a cidade e o estado de São Paulo com mãos de ferro após o falecimento de Bruno Covas não conseguiu eleger um mísero vereador na câmara municipal paulista. Havendo ainda a evacuação da sua bancada na janela partidária de 2024, à época composta por oito parlamentares.
Nas prefeituras do interior a realidade não é melhor, do poderio absoluto restaram somente 21 prefeituras. Destas, somente duas com maior importância, Santo André, no ABC Paulista, governada por Gilvan Júnior, e Marília, no centro-oeste paulista, sob gestão do ex-deputado estadual Vinícius Camarinha.
Em 2025, o PSDB ainda margou a saída de seus únicos três governadores, dois para o PSD, o Eduardo Leite do Rio grande do Sul, e Raquel Lyra, de Pernambuco; e um para o PP, Eduardo Riedel, do Mato Grosso do Sul.
Após a derrota de seu atual presidente, deputado federal Aécio Neves, por Minas Gerais, em 2014, o PSDB angustia seu desaparecimento do cenário político. Havendo a possibilidade dos tucanos serem atingidos pela cláusula de desempenho neste ano, e perderem o acesso ao fundo partidário até 2030.
Sintoma importante
O que ocorre com o PSDB pode ser compreendido como um sintoma importante da situação política. Temos aqui a falência da ferramenta politica utilizada pelo imperialismo para dominar o Brasil após o relaxamento dos regimes na América Latina.
Essa ferramenta política está se dissolvendo conforme aumentam a crise e as contradições sociais se aprofundam. Mesmo com a formação da Federação e diversos acertos políticos, a superioridade do PSDB se desfez, terminando com articulações, a exemplo do que ocorreu com o Podemos, rompidas por divergências, resultando no aprofundamento da crise.
Na última eleição, esses interesses divergentes resultaram na candidatura de Luiz Datena, derrotado por Ricardo Nunes (MDB), e que obteve apenas 1,84% dos votos, o pior resultado histórico da legenda nesse pleito. Quadro similar se molda com Paulo Serra, que já se declara pré-candidato ao Executivo paulista, em oposição a Tarcísio de Freitas.
Égide do imperialismo
O PSDB foi a principal ferramenta para atuação política do imperialismo no Brasil, sendo uma peça fundamental na articulação dos golpes e toda operação de saque das riquezas nacionais. Com seu enfraquecimento político, o imperialismo segue buscando novas maneiras de atuar na política, mas essa movimentação política é uma demonstração que a crise apenas se aprofunda.





