A Sociedade dos Prisioneiros Palestinos (SPP) informou neste domingo (22) que as forças de ocupação de “Israel” sequestraram mais de 100 palestinos na Cisjordânia ocupada desde o início do Ramadã. Segundo a entidade, entre os sequestrados há mulheres, crianças e ex-prisioneiros, em uma intensificação das operações de sequestro coincidente com o mês sagrado.
Em nota, a SPP afirmou que a nova onda de sequestros alcançou a maioria dos distritos da Cisjordânia. A entidade destacou al-Quds (Jerusalém ocupada) como uma das áreas mais atingidas, relatando que invasões têm terminado frequentemente com a expulsão forçada de fiéis da Mesquita de Al-Aqsa.
A SPP afirmou ainda que as próprias autoridades de ocupação anunciaram, no começo do Ramadã, que acelerariam as operações de sequestro, e que ataques de colonos têm servido de cobertura política para ampliar a campanha.
A entidade recordou que, desde a intensificação do genocídio perpetrado por “Israel” contra Gaza, em outubro de 2023, cerca de 22 mil palestinos foram sequestrados em toda a Cisjordânia ocupada.
Espancamentos, destruição e escudos humanos
A nota descreve um padrão de agressões que acompanha os sequestros, incluindo espancamentos, violência organizada contra sequestrados e suas famílias, vandalismo e destruição de casas, roubo de veículos, dinheiro e joias, demolição de residências de familiares de prisioneiros e uso de palestinos como escudos humanos.
A SPP também denunciou as chamadas “interrogações de campo”, afirmando que a violência empregada nesses procedimentos “não é menos severa” do que a aplicada durante o sequestro formal e o encarceramento.
Prisões, tortura e detenções sem acusação
A entidade denunciou ainda que a política de sequestros tem como objetivo avançar a ocupação na Cisjordânia, com colonos atuando como ponta de lança dos ataques contra os palestinos na região.
A nota cita que essas condições coincidem com registros de organizações que acompanham o sistema prisional de “Israel”. B’Tselem e Physicians for Human Rights–Israel relataram condições catastróficas nas prisões e centros de detenção, incluindo tortura sistemática, desnutrição, negação de atendimento médico e o assassinato de ao menos 75 a 98 palestinos sob custódia desde outubro de 2023.
No início de 2026, segundo a SPP, cerca de 7.400 palestinos da Cisjordânia estavam presos em cadeias e centros de detenção de “Israel”, com aproximadamente 3.500 em “detenção administrativa”, isto é, sem acusação formal ou julgamento.



