A polícia de “Israel” prendeu ao menos 22 homens haredim neste domingo (15), após protestos em Bnei Brak, cidade de maioria ultraortodoxa a leste da capital Telavive. O episódio ocorreu depois que duas integrantes do exército de ocupação foram cercadas e perseguidas por uma multidão, segundo relato publicado pela emissora libanesa Al Mayadeen com base em informações da imprensa israelense.
As duas militares chegaram à rua Hagai para realizar uma atividade descrita pela polícia como de “assistência social”, dentro de suas funções no Corpo de Educação e Juventude. A imprensa israelense afirmou que elas teriam entrado no bairro sem coordenação prévia com a polícia.
Imagens que circularam nas redes sociais mostraram a multidão perseguindo as militares e capotando um veículo durante a perseguição. A sequência, ainda segundo os relatos reproduzidos, prosseguiu enquanto a polícia escoltava as duas até um local seguro. O caso foi descrito como uma escalada nos protestos de setores haredim contra o alistamento militar.
A polícia informou que agentes das delegacias de Bnei Brak e Ramat Gan foram enviados após receberem chamados sobre uma aglomeração cercando as militares. Com a chegada das forças de segurança, houve confronto: manifestantes teriam lançado latas de lixo contra viaturas, capotado um carro policial e ateado fogo em uma motocicleta de um agente. As autoridades disseram que dois policiais sofreram ferimentos leves na cabeça e foram encaminhados para atendimento.
O comandante distrital da polícia em Telavive, Haim Sargrof, afirmou a repórteres que a visita não foi coordenada com antecedência. Ele também indicou que, quando há aviso de entrada de militares em bairros haredim, a polícia se organiza para reforçar o policiamento, mas que, sem comunicação prévia, a corporação “só consegue reagir”.
Segundo a polícia, as 22 prisões ocorreram sob suspeita de crimes como tumulto, agressão a agentes, lançamento de pedras e incêndio criminoso. A imprensa israelense informou que um helicóptero policial foi enviado à área e que grandes contingentes permaneceram mobilizados para “restaurar a ordem”.
Sargrof afirmou que integrantes da chamada “Facção de Jerusalém”, descrita como um grupo radical dentro da comunidade haredi contrário ao recrutamento, participaram das agressões. Os protestos ligados a esse setor teriam se intensificado nos últimos meses, em meio ao debate sobre proposta de legislação para ampliar a integração de ultraortodoxos no serviço militar.




