Guerra no Oriente Próximo

‘Israel’ assassina comandante da Marinha do Irã

Alireza Tangsiri, comandante da Marinha do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, morreu após ferimentos sofridos na agressão norte-americana e sionista

O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) anunciou nesta segunda-feira (30) o martírio do contra-almirante Alireza Tangsiri, comandante de sua Marinha, em consequência dos ferimentos sofridos durante a agressão dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã. Segundo o comunicado, Tangsiri foi ferido após operações que causaram grandes danos a instalações e infraestruturas inimigas e levaram à derrubada de um caça norte-americano.

No mesmo dia, o CGRI informou que a 87ª onda da Operação Promessa Cumprida 4 foi dedicada a Tangsiri e aos demais mártires da Marinha. A operação incluiu ataques com mísseis contra centros de comando, hangares de VANTs, instalações de apoio a armamentos e esconderijos de forças classificadas pelos iranianos como terroristas, incluindo pilotos norte-americanos e sionistas, em diversos pontos da região.

Segundo o comunicado, mísseis e VANTs iranianos atingiram cinco bases norte-americanas, entre elas Al-Kharj, na Arábia Saudita, Juffair, nos Emirados Árabes Unidos, e Vitória, no Iraque. Também foram atacados alvos militares de “Israel” no sul, no centro e no norte da Palestina ocupada, incluindo a Baía de Haifa, Kiryat Shmona, Telavive, Bersebá e Dimona.

O CGRI afirmou que empregou mísseis balísticos Emad, Qiam e Khorramshahr-4, de combustível líquido e sólido, além de VANTs de ataque, e declarou que a ofensiva alcançou seus objetivos operacionais. A corporação descreveu a operação como contínua, em várias etapas, e em curso desde a madrugada de domingo.

Em nota separada, o CGRI condenou o ataque sionista contra instalações de água potável do Cuaite, classificando-o como um ato de crueldade e depravação. A corporação alertou os países da região para que se mantenham vigilantes diante das ações desestabilizadoras do inimigo, a fim de impedir planos contra a segurança e a estabilidade regionais. O comunicado também reiterou que bases e efetivos norte-americanos, assim como instalações militares e de segurança de “Israel”, continuam sendo alvos legítimos de retaliação.

O martírio de Tangsiri provocou manifestações de pesar de altas autoridades iranianas. Em sua mensagem, o Líder da Revolução Islâmica, aiatolá Saied Mojtaba Khamenei, descreveu o comandante como um dirigente “corajoso e valente”, honrado com o martírio após anos de luta. Citando o Alcorão, afirmou que o martírio de Tangsiri na guerra de agressão movida por “Israel” e pelos Estados Unidos contra a República Islâmica do Irã é motivo de grande orgulho.

Segundo Khamenei, o sacrifício de Tangsiri servirá de inspiração duradoura para o povo de Buxehr, para a juventude do sul do Irã e para as Forças Armadas do país, que há muito tempo defendem a independência iraniana e suas fronteiras marítimas, em particular no Golfo Pérsico. O Líder da Revolução Islâmica declarou ainda que o caminho de fortalecimento marítimo e de resistência do Irã seguirá com ainda mais força e determinação.

O presidente Masoud Pezeshkian também lamentou o martírio do comandante e afirmou que sua morte representa uma grande honra para os verdadeiros homens do Irã. Em sua mensagem, declarou que a bandeira da dignidade, da resistência e da independência é erguida ainda mais alto com o sacrifício dos combatentes iranianos. Pezeshkian destacou o papel de Tangsiri no fortalecimento do poder, do prestígio e da autoridade da Marinha do CGRI no Golfo Pérsico, transformando-a, segundo ele, em uma força capaz de se colocar como uma poderosa barreira diante dos agressores e dos gananciosos.

O presidente acrescentou que a atuação do comandante fez dele um dos principais alvos dos inimigos e apresentou condolências ao Líder da Revolução Islâmica, aos companheiros de Tangsiri no CGRI e no Exército e à nação iraniana.

O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que Tangsiri foi um exemplo luminoso de coragem, firmeza e lealdade ao Líder da Revolução Islâmica. Segundo ele, o comandante jamais vacilou nem mesmo diante do assalto formidável de navios de guerra norte-americanos, impondo golpes tão duros aos instrumentos da arrogância que eles recuaram e se retiraram para as costas mais distantes. Ghalibaf advertiu ainda que, se o inimigo pensa que eliminar os corajosos apagará a coragem, enfrentará a resposta esmagadora dos sucessores do mártir.

O chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei, descreveu Tangsiri como um “comandante valente e abnegado do Islã” e um dos heróis reconhecidos da Guerra do Ramadã. Segundo Ejei, ele transformou em noite o dia dos agressores norte-americanos e sionistas e, após anos de luta sincera, alcançou a grande vitória do martírio. O chefe do Judiciário ressaltou a linhagem de Tangsiri, associando-o a figuras históricas da resistência no sul do Irã, como Rais Ali Delvari, e afirmou que o comandante desferiu golpes pesados contra as forças inimigas enquanto fortalecia o escudo defensivo iraniano, sobretudo em seu litoral sul. Na avaliação de Ejei, isso retirou dos cálculos estratégicos do inimigo a possibilidade de uma invasão terrestre.

Também o chanceler Abbas Araghchi homenageou Tangsiri, afirmando que seu martírio foi o coroamento de anos de serviço dedicado à defesa da segurança e da independência da República Islâmica. Araghchi o definiu como um comandante incansável e devotado, que dirigiu a linha de frente da dignidade e do poderio militar do Irã. Segundo ele, Tangsiri, oriundo da brava linhagem de Tangestan, elevou com prudência sem paralelo a força da Marinha do CGRI nas águas do Golfo Pérsico, garantindo que ela se apresentasse nos momentos decisivos como uma barreira poderosa diante dos agressores.

Ataques contra a indústria militar de ‘Israel’

Em paralelo às ações do CGRI, o Exército iraniano anunciou, em seu 49º comunicado, uma operação em larga escala com VANTs contra a infraestrutura militar-industrial de “Israel”. Segundo a nota, a ofensiva começou ainda nas primeiras horas do dia e atingiu instalações ligadas ao setor de defesa sionista em Telavive e na cidade industrial de Nof HaGalil.

De acordo com o Exército, a operação atacou estruturas ligadas a empresas como Elbit Systems e Kanfit, além de um centro de produção e desenvolvimento de sistemas defensivos e ofensivos. O local estava envolvido na fabricação de sistemas de mísseis e de baterias de defesa antiaérea, inclusive semelhantes ao Domo de Ferro.

A Elbit Systems é um dos principais polos de tecnologia militar de “Israel”, especializado em guerra eletrônica, produção de VANTs, sistemas avançados de radar e sensores, além de constituir um dos pilares das exportações globais de armas do regime sionista. Já a Kanfit foi descrita como ativa na engenharia aeroespacial, produzindo componentes de aviação e partes estruturais para aviões e helicópteros.

Em outra nota sobre a mesma operação, o Exército afirmou que utilizou vários tipos de VANTs de combate para atingir áreas e estruturas controladas por essas empresas, centrais para a fabricação de armamentos e para o desenvolvimento de sistemas militares usados por “Israel” desde o início da agressão norte-americana e sionista contra o Irã, no fim de fevereiro. O Exército declarou ainda que a ofensiva foi realizada em homenagem ao mártir Alireza Tangsiri.

“O sangue do mártir Tangsiri e de cada mártir do país injetou sangue novo nas veias dos membros abnegados do Exército e reforçou seus esforços para proteger o país”, declarou a nota militar.

Haifa, Netanya e refinaria sob fogo

Também nesta segunda-feira, Irã e Hesbolá realizaram um ataque coordenado contra diversas áreas da Palestina ocupada. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, cinco pontos de impacto foram registrados em Haifa e arredores, incluindo acertos diretos em refinarias de petróleo e danos a um prédio pertencente à empresa Bazan.

O correspondente da Al Mayadeen no sul do Líbano informou que uma nova salva de foguetes de precisão foi lançada em direção aos territórios ocupados ao mesmo tempo em que soavam as sirenes em Netanya e áreas próximas. Alarmes também foram acionados na Baixa Galileia e em Tiberíades, sinalizando uma ampliação da escalada militar.

As Forças Armadas iranianas confirmaram o lançamento de foguetes contra “Israel”, afirmando que os ataques fazem parte de uma resposta mais ampla à agressão norte-americana e sionista contra a região e contra o território iraniano. O Ministério da Saúde de “Israel” declarou que hospitais receberam 232 feridos nas últimas 24 horas, incluindo dois em estado crítico.

Um prédio industrial e um caminhão-tanque de combustível da refinaria de petróleo Bazan, em Haifa, foram atingidos no ataque conjunto de foguetes e mísseis lançado por Hesbolá e Irã em 30 de março, provocando um grande incêndio. Bombeiros disseram à Corporação de Radiodifusão de “Israel” que o tanque atingido continha benzeno e que seriam necessárias várias horas para controlar as chamas.

O ministro da Energia de “Israel”, Eli Cohen, afirmou que não houve danos à produção e que o abastecimento não seria afetado. Já a rádio israelense informou que 10 mísseis atingiram Haifa e a área de sua baía, resultando nos impactos na refinaria. O Grupo Bazan informou que as ações da empresa caíram 2,5% em decorrência do ataque.

Ainda não estava claro se o míssil que atingiu a refinaria havia sido disparado pelo Irã ou pelo Hesbolá. Teerã intensificou recentemente seus ataques contra a infraestrutura energética de “Israel” e dos Estados Unidos, bem como contra outros pontos considerados críticos, após o ataque de norte-americanos e sionistas ao campo de gás South Pars no início deste mês.

O ataque desta segunda-feira não foi o primeiro contra esse tipo de alvo durante a guerra. Um dia antes, um míssil iraniano havia atingido uma planta petroquímica na cidade de Bersebá, no sul da Palestina ocupada, provocando uma grande explosão e enormes nuvens de fumaça.

Com a continuidade da guerra, o preço do petróleo segue em alta. O barril do Brent era negociado em torno de US$116,00.

Defesas sionistas mostram sinais de desgaste

Um relatório da publicação Responsible Statecraft apontou que os sistemas de defesa antiaérea da ocupação sionista mostram vulnerabilidades crescentes um mês após o início da guerra liderada pelos Estados Unidos contra o Irã. Segundo o texto, mísseis iranianos vêm penetrando com cada vez mais frequência nas defesas e atingindo pontos importantes.

O relatório destaca que locais como Telavive, Dimona e Arad sofreram danos nos últimos dias, o que mostra que a rede de defesa em várias camadas de ‘Israel’ não tem conseguido conter os ataques iranianos de maneira eficaz. Embora as explicações iniciais tenham se concentrado no esgotamento dos estoques de interceptadores, a publicação afirmou que podem existir fragilidades mais profundas, especialmente na rede de defesa integrada entre norte-americanos e sionistas em toda a região.

Segundo a reportagem, além da escassez de interceptadores, há um problema mais grave: possíveis falhas nos sistemas de detecção. Danos a redes de radar e sensores, que formam a base da arquitetura integrada de defesa, podem estar limitando a capacidade de identificar ameaças a tempo.

Com base em avaliações por satélite citadas pela Responsible Statecraft, pelo menos 10 instalações norte-americanas de radar em toda a região foram atingidas por VANTs iranianos desde o início da guerra, incluindo sistemas ligados ao THAAD e radares avançados de arranjo em fases no Golfo. Segundo a publicação, essas perdas podem degradar de maneira significativa a capacidade de alerta antecipado, comprometendo tanto as taxas de interceptação quanto a coordenação geral da defesa.

Ataques recentes também danificaram aeronaves e feriram militares norte-americanos. Um dos casos citados ocorreu na Base Aérea Prince Sultan, na Arábia Saudita, onde 12 militares ficaram feridos e várias aeronaves foram atingidas.

No fim de semana, Ghalibaf já havia declarado que os Estados Unidos e seus aliados enfrentam dificuldades crescentes, incluindo reveses militares e pressão econômica, enquanto seu objetivo inicial na guerra não se concretizou. Segundo o presidente do Parlamento iraniano, o Irã não aceitará exigências que equivalham à rendição e continuará seu curso até alcançar a vitória.

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