As autoridades de “Israel” cancelaram, na quarta-feira (4), a evacuação de um terceiro grupo de pacientes e feridos palestinos da Faixa de Gaza pela passagem terrestre de Rafá, no momento em que novos ataques atingiam o território sitiado.
A informação foi relatada por Raed al-Nems, porta-voz da Sociedade do Crescente Vermelho Palestino, que afirmou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) comunicou oficialmente o cancelamento, sem apresentar justificativas. Segundo ele, as equipes do Crescente Vermelho estavam preparadas para retirar pacientes do Hospital Al-Amal, em Khan Iunis, mas a suspensão de última hora da coordenação interrompeu a operação.
Nems declarou que há muitos casos graves prontos para deixar Gaza em busca de atendimento urgente no exterior e que o sistema de saúde do território está próximo de entrar em colapso. O Crescente Vermelho informou que tenta restabelecer a coordenação e espeva que a evacuação pudesse ocorrer na quinta-feira, diante das condições humanitárias e médicas descritas como críticas.
Números divulgados em Gaza indicam que cerca de 22 mil pessoas que necessitam de cuidados médicos tentam sair da região para tratamento fora do território, após a destruição da infraestrutura sanitária durante a guerra genocida.
Passagem parcialmente reaberta e relatos de agressão
Ainda nesta quarta-feira, 40 palestinos — entre eles mulheres e crianças — atravessaram de volta para Gaza por Rafá, enquanto outro número semelhante deixou o território. Foi o terceiro dia consecutivo de reabertura parcial da passagem sob regras rígidas impostas por “Israel”.
Na segunda-feira, apenas 12 palestinos foram autorizados a retornar a Gaza e 20 puderam sair, abaixo da meta diária mencionada de 50 retornos e 50 saídas de pacientes. Palestinos que voltaram pelo posto relataram agressão por forças israelenses, com revistas, interrogatórios e restrições de deslocamento.
Estatísticas palestinas recentes apontam que aproximadamente 80 mil pessoas expressaram desejo de retornar a Gaza, em meio à destruição generalizada. As autoridades israelenses sustentam que só podem voltar ao território aqueles que saíram de Gaza após o início da guerra.
Violações do cessar-fogo e novos ataques
O Gabinete de Imprensa do Governo em Gaza informou, também nesta quarta-feira, que desde a entrada em vigor do cessar-fogo em 10 de outubro de 2025, “Israel” cometeu 1.520 violações em 115 dias. De acordo com o levantamento, essas ações resultaram em 559 assassinatos e 1.500 feridos.
O mesmo informe aponta 522 episódios de disparos, 73 entradas de veículos militares em áreas civis, 704 bombardeios e ataques direcionados e 221 demolições de casas e outras estruturas. O órgão afirma que 99% das mortes registradas são de civis, incluindo 288 crianças, mulheres e idosos, além de 268 homens; entre os feridos, mais de 900 são crianças, mulheres e idosos.
Ainda na quarta-feira, fontes médicas relataram que ataques israelenses em diferentes áreas de Gaza assassinaram ao menos 23 palestinos em um dos dias mais letais desde a trégua de outubro. Os alvos incluíram áreas da Cidade de Gaza ao sul de Khan Iunis, com bombardeios que atingiram também tendas de famílias expulsas de suas casas; entre as vítimas, foi citado um socorrista do Crescente Vermelho Palestino.
Quase 72 mil palestinos já foram assassinados por “Israel” desde 7 de outubro de 2023, com mais de 171 mil feridos, além de danos graves a cerca de 90% da infraestrutura de Gaza.




