O Ministério da Saúde Pública do Líbano informou que, entre os dias 2 e 15 de março, a agressão de “Israel” contra o país assassinou ao menos 107 crianças. No mesmo período, o número total de mortos chegou a 850, enquanto 2.105 pessoas ficaram feridas. Em meio à intensificação dos bombardeios israelenses, o Hesbolá ampliou suas ações militares contra as forças de ocupação e posições sionistas no norte da Palestina ocupada.
Os dados foram divulgados pelo Centro de Operações de Emergência em Saúde do ministério libanês, que acompanha os efeitos da nova etapa da ofensiva israelense. A escalada atingiu duramente a população civil, em particular as crianças.
No sul do Líbano, aviões de guerra israelenses realizaram sucessivos ataques contra uma série de localidades. Entre os alvos atingidos estiveram Toul, Kfoir, Taybeh, Wadi al-Hujayr, Khiam — bombardeada duas vezes —, Nabatiyeh al-Fawqa e seus arredores, Kfar Tebnit, áreas elevadas em Qlayaa e Yohmor, no oeste do Vale do Becá, além de al-Sharqiyah. Em Khiam, também foram ouvidos disparos de artilharia e tiros de armas leves na zona de fronteira.
Os números preliminares do Centro de Operações de Emergência em Saúde apontaram pelo menos dois feridos em Nabatiyeh, dois em Yater, três em Majdal Zoun e um em Mayfadoun. A Agência Nacional de Notícias do Líbano confirmou ainda um morto em um ataque aéreo contra Nabatiyeh al-Fawqa, além de outros oito feridos no sul do país.
A nova onda de ataques foi denunciada também por ditos especialistas em direitos humanos da ONU, que condenaram as guerras lançadas pelos Estados Unidos e por “Israel” contra o Irã e o Líbano. Para os peritos, trata-se de uma violação clara do direito internacional e de uma política que ameaça arrastar toda a região para um confronto armado de grandes proporções.
Em nota, os especialistas afirmaram que o conflito corre o risco de mergulhar a região em uma violência armada catastrófica e de estabelecer mais um precedente de impunidade total para algumas das maiores potências militares do mundo. Também declararam que os Estados Unidos e “Israel” devem interromper a ampliação das guerras e deixar de agir como se estivessem acima da legalidade internacional.
Os mesmos especialistas criticaram a agressão não provocada contra o Irã, as exigências norte-americanas de rendição incondicional e as declarações em favor de uma mudança de regime. Ressaltaram ainda que nenhuma alegação em matéria de direitos humanos autoriza a violação da soberania de um Estado-membro da ONU. No caso do Líbano, as ordens de evacuação impostas a civis no sul do país e na porção sul de Beirute foram classificadas como ilegais.
Enquanto a pressão militar israelense aumenta, a Resistência libanesa mantém seus ataques. A emissora pública israelense Kan informou que, na noite anterior, ocorreu um combate direto, corpo a corpo, entre combatentes do Hesbolá e forças de ocupação israelenses. O canal destacou a atuação da Força Radwan, apresentada pela própria imprensa israelense como destemida no confronto.
Ainda de acordo com um correspondente da Kan no norte da Palestina ocupada, o Hesbolá seguiu disparando ao longo das últimas 24 horas. O repórter relatou múltiplos alertas de sirene durante a noite em Metulla e Kiryat Shmona e afirmou que deixou de contar depois da quarta sirene. No mesmo intervalo, a Resistência Islâmica no Líbano realizou 47 operações contra assentamentos e posições militares israelenses no norte da Palestina ocupada e contra alvos da ocupação no sul do Líbano.
O correspondente acrescentou que não havia qualquer calmaria na região. Sirenes também foram ouvidas em Nahariya, Ma’alot-Tarshiha, Kiryot e diversas vezes na Alta Galileia. Durante a noite, um foguete atingiu Metulla e causou danos à infraestrutura local. Posteriormente, foi identificado como um foguete de fragmentação, com submunições explosivas adicionais.
A própria imprensa israelense reconheceu que a situação no norte está longe de qualquer estabilização. O Canal 14 citou Maté Asher, autoridade regional no oeste da Galileia, que declarou que os acontecimentos atuais reavivaram uma situação que os moradores esperavam ter deixado para trás. Ele afirmou ainda que a população não está trabalhando, que a agricultura se encontra praticamente paralisada e que o turismo foi interrompido.
O jornal Yedioth Ahronoth também registrou que o Hesbolá demonstrou capacidades superiores às esperadas, inclusive em comparação com avaliações internas do próprio aparato militar israelense. A publicação afirmou que dirigentes políticos vinham indicando, por meio de vazamentos à imprensa, que o exército de “Israel” teria sido surpreendido pela resposta da organização libanesa e esperava um envolvimento mais limitado.
A mesma reportagem destacou que o público israelense foi levado a acreditar que o Hesbolá havia sofrido golpes decisivos e estava perto do fim. Um ex-funcionário graduado da área de segurança, citado pelo jornal, declarou que estavam vendendo ilusões ao público.


