Nesta quarta-feira (11), os iranianos celebraram o aniversário da Revolução Islâmica com marchas nacionais que reuniram milhões de pessoas. Multidões tomaram as principais praças da capital Teerã e espaços públicos em cerca de 1.400 cidades e vilas, enfrentando temperaturas baixas, chuva e neve em uma demonstração de unidade nacional, em meio a provocações e ameaças dos EUA e de Israel nas últimas semanas.
Em Teerã, os participantes se reuniram a partir das 9h30 (horário local) e seguiram em direção à Praça Azadi, onde o presidente Masoud Pezeshkian discursou para a multidão. Os manifestantes entoaram palavras de guerra condenando décadas de crimes dos Estados Unidos contra a nação iraniana, bem como as atrocidades do regime israelense.
Também foram exibidas fotos dos mártires da guerra de oito anos entre Iraque e Irã, da guerra de 12 dias contra os EUA e “Israel” em junho, e dos recentes protestos apoiados pela CIA e pelo Mossad.
Cerca de 7.200 jornalistas nacionais e quase 200 representantes da imprensa estrangeira cobriram os eventos, documentando a participação pública e combatendo as mentiras da imprensa imperialista que costumam minimizar ou caracterizar erroneamente tais manifestações.
A grande participação popular ocorre após os protestos de 8 e 9 de janeiro, que começaram com queixas econômicas mas tornaram-se revoltas armadas contra o regime. As autoridades iranianas confirmaram que agências de espionagem norte-americanas e israelenses estiveram diretamente envolvidas. De acordo com a Fundação de Assuntos de Mártires e Veteranos do Irã, um total de 3.117 pessoas perderam a vida durante esses protestos, incluindo 2.427 civis inocentes e pessoal de segurança.
À margem da marcha, foram exibidos vários veículos queimados e danificados durante os recentes motins. Além disso, em resposta a um insulto ao Alcorão Sagrado durante os incidentes de janeiro por operativos treinados pelo Mossad, alguns manifestantes seguraram cópias do livro sagrado com a frase: “A verdade não queima”.
Vários mísseis de cruzeiro — incluindo o Soumar, Noor e Qadir — além de mísseis balísticos como o Zolfaghar, Haj Qassem e Emad, foram expostos na Praça Azadi. Também foram mostrados pedaços de aeronaves israelenses que teriam sido abatidos durante a guerra de 12 dias em junho.
Em um comunicado oficial, os manifestantes afirmaram que sua presença unificada representa uma “manifestação clara da maturidade política e coesão nacional” diante de uma “guerra híbrida abrangente” movida pelos EUA, Israel e seus aliados.
As manifestações comemoram a derrubada da ditadura do Xá Reza Pahlavi, que tinha total apoio dos Estados Unidos, no inverno de 1979. O Imam Khomeini retornou do exílio em 1º de fevereiro de 1979, e a queda definitiva do regime ocorreu em 11 de fevereiro, quando os militares abandonaram sua lealdade ao xá e se alinharam à Revolução.
O Ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que a presença do público carrega uma mensagem clara ao mundo e fortalece a posição do Irã na diplomacia e nas negociações.
“Sentimo-nos encorajados nos campos da diplomacia e das negociações por nosso povo e nossas forças armadas”, declarou ele.
Araghchi descreveu o aniversário como um “bom dia”, apontando para a participação “magnífica” e o apoio público ao caminho diplomático da República Islâmica. Ele acrescentou que tal apoio se traduzirá em uma presença mais forte nas arenas internacionais.
O Ministro do Petróleo, Mohsen Paknejad, referindo-se às sanções petrolíferas, afirmou que o setor de energia desenvolveu soluções para remover as restrições existentes.
“Não enfrentaremos problemas graves”, disse ele, enfatizando que as vendas de petróleo continuarão apesar das medidas impostas.
O Ministro da Defesa, General de Brigada Aziz Nasirzadeh, descreveu o comparecimento deste ano como sem precedentes.
“Nunca vi uma presença tão entusiástica em nenhum outro ano. Esta presença é mais poderosa do que qualquer bomba ou míssil”, afirmou Nasirzadeh, acrescentando que o Irã responderá a ameaças de formas que “os inimigos não podem imaginar”.
O Ministro da Inteligência, Esmail Khatib, disse que as manifestações deram expressão concreta à unidade nacional. Segundo ele, a melhor forma de preservar essa coesão é através do apoio mútuo, do engajamento construtivo e da tolerância respeitosa às diferentes visões.
O Ministro da Educação, Alireza Kazemi, descreveu os atos como uma manifestação de autoridade nacional e legitimidade, servindo como a “melhor resposta” às ameaças internacionais, particularmente de “Israel” e seus apoiadores.
O chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Eje’i, juntou-se aos manifestantes em Teerã e afirmou:
“Nunca devemos nos separar do povo. Estas pessoas, que sempre estiveram ao lado da Revolução, merecem o mais alto nível de serviço”, declarou Eje’i.
Durante a marcha em Teerã, o chefe do Judiciário conversou diretamente com os participantes para ouvir suas demandas, reforçando que o aniversário não é apenas simbólico, mas um sinal de engajamento público contínuo diante da pressão estrangeira.
Felicitações de todo o mundo chegaram ao Irã pelo 47º aniversário da vitória da Revolução Islâmica.
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, emitiu um comunicado parabenizando o Líder da Revolução Islâmica, Aiatolá Saieed Ali Khamenei, e o presidente Masoud Pezeshkian.
“Em nome do povo e do Governo de Reconciliação e Unidade Nacional da República da Nicarágua, estendemos nossas mais calorosas e revolucionárias felicitações”, afirmou Ortega.
Enquanto isso, o primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, enviou uma mensagem ao presidente Pezeshkian parabenizando-o pela ocasião nacional.
Mahdi al-Mashat, presidente do Conselho Político Supremo do Iêmen, também enviou saudações, destacando o progresso científico e militar do Irã. Segundo ele, tais conquistas são fruto de décadas de resistência contra sanções e agressões americanas sob a liderança de Khamenei.
O Ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, publicou uma mensagem e uma foto com seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi, estendendo cumprimentos ao governo e ao povo do Irã.
O presidente Asif Ali Zardari, do Paquistão, destacou as raízes profundas na história, língua e cultura que unem as duas nações, desejando progresso e paz ao Irã.





