Oriente Próximo

Iranianos comemoram 47 anos de sua revolução em mais de mil cidades

Em um comunicado oficial, os manifestantes afirmaram que sua presença unificada representa uma "manifestação clara da maturidade política e coesão nacional"

Nesta quarta-feira (11), os iranianos celebraram o aniversário da Revolução Islâmica com marchas nacionais que reuniram milhões de pessoas. Multidões tomaram as principais praças da capital Teerã e espaços públicos em cerca de 1.400 cidades e vilas, enfrentando temperaturas baixas, chuva e neve em uma demonstração de unidade nacional, em meio a provocações e ameaças dos EUA e de Israel nas últimas semanas.

Em Teerã, os participantes se reuniram a partir das 9h30 (horário local) e seguiram em direção à Praça Azadi, onde o presidente Masoud Pezeshkian discursou para a multidão. Os manifestantes entoaram palavras de guerra condenando décadas de crimes dos Estados Unidos contra a nação iraniana, bem como as atrocidades do regime israelense.

Também foram exibidas fotos dos mártires da guerra de oito anos entre Iraque e Irã, da guerra de 12 dias contra os EUA e “Israel” em junho, e dos recentes protestos apoiados pela CIA e pelo Mossad.

Cerca de 7.200 jornalistas nacionais e quase 200 representantes da imprensa estrangeira cobriram os eventos, documentando a participação pública e combatendo as mentiras da imprensa imperialista que costumam minimizar ou caracterizar erroneamente tais manifestações.

A grande participação popular ocorre após os protestos de 8 e 9 de janeiro, que começaram com queixas econômicas mas tornaram-se revoltas armadas contra o regime. As autoridades iranianas confirmaram que agências de espionagem norte-americanas e israelenses estiveram diretamente envolvidas. De acordo com a Fundação de Assuntos de Mártires e Veteranos do Irã, um total de 3.117 pessoas perderam a vida durante esses protestos, incluindo 2.427 civis inocentes e pessoal de segurança.

À margem da marcha, foram exibidos vários veículos queimados e danificados durante os recentes motins. Além disso, em resposta a um insulto ao Alcorão Sagrado durante os incidentes de janeiro por operativos treinados pelo Mossad, alguns manifestantes seguraram cópias do livro sagrado com a frase: “A verdade não queima”.

Vários mísseis de cruzeiro — incluindo o Soumar, Noor e Qadir — além de mísseis balísticos como o Zolfaghar, Haj Qassem e Emad, foram expostos na Praça Azadi. Também foram mostrados pedaços de aeronaves israelenses que teriam sido abatidos durante a guerra de 12 dias em junho.

Em um comunicado oficial, os manifestantes afirmaram que sua presença unificada representa uma “manifestação clara da maturidade política e coesão nacional” diante de uma “guerra híbrida abrangente” movida pelos EUA, Israel e seus aliados.

As manifestações comemoram a derrubada da ditadura do Xá Reza Pahlavi, que tinha total apoio dos Estados Unidos, no inverno de 1979. O Imam Khomeini retornou do exílio em 1º de fevereiro de 1979, e a queda definitiva do regime ocorreu em 11 de fevereiro, quando os militares abandonaram sua lealdade ao xá e se alinharam à Revolução.

O Ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que a presença do público carrega uma mensagem clara ao mundo e fortalece a posição do Irã na diplomacia e nas negociações.

“Sentimo-nos encorajados nos campos da diplomacia e das negociações por nosso povo e nossas forças armadas”, declarou ele.

Araghchi descreveu o aniversário como um “bom dia”, apontando para a participação “magnífica” e o apoio público ao caminho diplomático da República Islâmica. Ele acrescentou que tal apoio se traduzirá em uma presença mais forte nas arenas internacionais.

O Ministro do Petróleo, Mohsen Paknejad, referindo-se às sanções petrolíferas, afirmou que o setor de energia desenvolveu soluções para remover as restrições existentes.

“Não enfrentaremos problemas graves”, disse ele, enfatizando que as vendas de petróleo continuarão apesar das medidas impostas.

O Ministro da Defesa, General de Brigada Aziz Nasirzadeh, descreveu o comparecimento deste ano como sem precedentes.

“Nunca vi uma presença tão entusiástica em nenhum outro ano. Esta presença é mais poderosa do que qualquer bomba ou míssil”, afirmou Nasirzadeh, acrescentando que o Irã responderá a ameaças de formas que “os inimigos não podem imaginar”.

O Ministro da Inteligência, Esmail Khatib, disse que as manifestações deram expressão concreta à unidade nacional. Segundo ele, a melhor forma de preservar essa coesão é através do apoio mútuo, do engajamento construtivo e da tolerância respeitosa às diferentes visões.

O Ministro da Educação, Alireza Kazemi, descreveu os atos como uma manifestação de autoridade nacional e legitimidade, servindo como a “melhor resposta” às ameaças  internacionais, particularmente de “Israel” e seus apoiadores.

O chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Eje’i, juntou-se aos manifestantes em Teerã e afirmou:

“Nunca devemos nos separar do povo. Estas pessoas, que sempre estiveram ao lado da Revolução, merecem o mais alto nível de serviço”, declarou Eje’i.

Durante a marcha em Teerã, o chefe do Judiciário conversou diretamente com os participantes para ouvir suas demandas, reforçando que o aniversário não é apenas simbólico, mas um sinal de engajamento público contínuo diante da pressão estrangeira.

Felicitações de todo o mundo chegaram ao Irã pelo 47º aniversário da vitória da Revolução Islâmica.

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, emitiu um comunicado parabenizando o Líder da Revolução Islâmica, Aiatolá Saieed Ali Khamenei, e o presidente Masoud Pezeshkian.

“Em nome do povo e do Governo de Reconciliação e Unidade Nacional da República da Nicarágua, estendemos nossas mais calorosas e revolucionárias felicitações”, afirmou Ortega.

Enquanto isso, o primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, enviou uma mensagem ao presidente Pezeshkian parabenizando-o pela ocasião nacional.

Mahdi al-Mashat, presidente do Conselho Político Supremo do Iêmen, também enviou saudações, destacando o progresso científico e militar do Irã. Segundo ele, tais conquistas são fruto de décadas de resistência contra sanções e agressões americanas sob a liderança de Khamenei.

O Ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, publicou uma mensagem e uma foto com seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi, estendendo cumprimentos ao governo e ao povo do Irã.

O presidente Asif Ali Zardari, do Paquistão, destacou as raízes profundas na história, língua e cultura que unem as duas nações, desejando progresso e paz ao Irã.

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