Nesta quarta-feira (14), foram realizados, em Teerã, capital da República Islâmica do Irã, cortejos fúnebres em homenagem aos cidadãos mortos por provocadores armados nos últimos dias. Cerca de 300 mártires, entre policiais e civis, foram sepultados.
O cortejo fúnebre foi o maior em termos de número de mártires de uma só vez em Teerã. A procissão partiu da Universidade de Teerã em direção ao Cruzamento Valiasr, com a presença de uma grande multidão, expressando a coesão nacional, a unidade entre o povo e a solidariedade em torno da posição revolucionária da República Islâmica.
Um correspondente da emissora libanesa Al Mayadeen relatou que os iranianos ergueram bandeiras do país e entoaram palavras de ordem denunciando os provocadores.
Momentos antes, o Ministério da Inteligência do Irã anunciou a prisão de vários agentes envolvidos nas recentes provocações. O Ministério atribuiu à cooperação pública a ajuda na identificação e detenção de suspeitos ligados à violência e destruição em toda a capital. Os provocadores incendiaram duas mesquitas, bloquearam uma rodovia e mataram dois membros das forças voluntárias Basij, de acordo com o ministério.
O chefe da polícia nacional do Irã confirmou que 297 provocadores responsáveis por danos à propriedade pública foram identificados e presos. Nos últimos dias, as operações também resultaram na morte de dois infiltrados e ferimentos em outros 17, além da apreensão de armas, explosivos e outros materiais em seus esconderijos. O Ministério da Inteligência iraniano afirmou que os manifestantes atacaram tanto civis quanto policiais usando diversas armas, incluindo armas de fogo, facas, machados e ferramentas de caça. As autoridades abriram 20 processos ligando os detidos a grupos armados filiados ao Estado de “Israel”.
As autoridades da República Islâmica confirmaram um amplo envolvimento estrangeiro nos atos de sabotagem. De acordo com as investigações oficiais, os “manifestantes” receberam apoio operacional dos Estados Unidos e do Mossad, serviço de espionagem israelense.
As autoridades iranianas reiteraram seu compromisso em melhorar as condições econômicas, ao mesmo tempo em que evitam que a interferência externa afete a estabilidade nacional.
Enquanto isso, o comandante do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã (IRGC), o Major-General Mohammad Pakpour, alertou os Estados Unidos, “Israel” e seus mercenários que qualquer “erro de cálculo” será recebido com uma resposta decisiva e esmagadora.
Em um comunicado, o Major-General Pakpour afirmou que o IRGC permanece no mais alto nível de prontidão para desmantelar os “planos delirantes” elaborados pelos Estados Unidos e por “Israel”. O comandante identificou o presidente norte-americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netaniahu, como os principais arquitetos do recente derramamento de sangue.
O General Pakpour também prestou homenagem às massivas manifestações nacionais realizadas em 12 de janeiro, elogiando a “visão e coragem” dos iranianos que se solidarizaram com os mártires da segurança. Ele afirmou que a grande presença de público nas cerimônias fúnebres refletiu a dignidade inabalável da nação e sua firme recusa em se curvar à pressão externa e ao terrorismo patrocinado por Estados.
Também nesta quarta-feira (14), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, emitiu um alerta a Donald Trump, instando-o a ignorar os apelos de “Israel” para que o país imperialista ingresse em um conflito militar direto com a nação persa. Araghchi destacou um padrão histórico de comportamento do regime sionista, que tem buscado consistentemente atingir seus objetivos regionais através do sangue norte-americano.
Araghchi observou uma mudança na transparência desses esforços, afirmando que, embora “Israel” “sempre tenha buscado arrastar os Estados Unidos para travar guerras em seu nome”, o regime agora está “dizendo em voz alta a parte que antes era mantida em segredo”. Ele citou especificamente relatos de que o regime israelense desempenhou um papel direto nas provocações violentas recentes.
“Com sangue em nossas ruas, Israel está explicitamente se vangloriando de ter ‘armado manifestantes com armas reais’ e [alegando que] ‘esta é a razão para as centenas de mortos'”, disse Araghchi.
Ele se referia especificamente a uma publicação do jornalista israelense Tamir Morag:
“Reportamos hoje no Canal 14 [de “Israel”]: atores estrangeiros estão armando os manifestantes no Irã com armas de fogo reais, o que é a razão para as centenas de funcionários do regime mortos.”
“O Presidente Trump deve saber agora exatamente aonde ir para interromper as mortes”, disse Araghchi.
Autoridades policiais do Irã afirmam ter demonstrado contenção máxima em relação às provocações, tentando separar as pessoas comuns, preocupadas com o aumento do custo de vida, dos agentes estrangeiros que atacaram as forças de segurança.




