O governo do Irã, por meio do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, formalizou, nesta segunda-feira (6), a rejeição de uma proposta de cessar-fogo de 15 pontos apresentada pelos Estados Unidos. A República Islâmica considera que os termos são irreais e buscam apenas uma interrupção temporária que permitiria o reagrupamento de forças adversárias para a continuidade de agressões futuras, sem oferecer garantias de um encerramento definitivo das hostilidades. O plano norte-americano, transmitido por intermédio do Paquistão e outros países mediadores, inclui exigências como a interrupção das atividades nucleares iranianas, restrições ao programa de mísseis defensivos e a reabertura do Estreito de Ormuz, pontos que foram categoricamente descartados sob a justificativa de que as demandas são excessivas e incompatíveis com a soberania nacional.
Em contrapartida, o Irã preparou e entregou uma resposta estruturada em dez pontos fundamentais, formulada após duas semanas de deliberações em altos níveis decisórios. Este documento estabelece como condições primordiais o fim permanente das agressões, a compensação financeira pelos danos infligidos à infraestrutura do país — incluindo ferrovias e parques industriais farmacêuticos — e a suspensão total das sanções econômicas. A contraproposta iraniana também sugere a criação de um protocolo de segurança específico para a navegação no Estreito de Ormuz, mantendo a posição de que qualquer diálogo diplomático é inviável sob ultimatos ou ameaças militares de infraestrutura vital.
A mediação do conflito está sendo conduzida centralmente pelo Paquistão, com o Marechal de Campo Asim Munir mantendo comunicações diretas entre o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, e o chanceler iraniano, Abbas Araghchi. O Japão, por meio da primeira-ministra Sanae Takaichi, também tem buscado negociar com o país persa, visto que o país depende da região para mais de 90% de suas importações de petróleo. No mercado de hidrocarbonetos, a expectativa em torno dessas negociações causou uma oscilação no preço do petróleo WTI, que recuou de um pico de 115 dólares para aproximadamente 111 dólares por barril.
Paralelamente à proposta absurda feita por Donald Trump, a emissora libanesa Al Mayadeen noticiou que mediadores regionais e internacionais vêm buscando estabelecer um cessar-fogo de 45 dias entre o Irã e os Estados Unidos. As negociações estão sendo conduzidas por intermediários do Paquistão, Egito e Turquia, que estão mediando comunicações indiretas entre o enviado norte-americano Steve Witkoff e o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi.
A proposta trabalhada pelos mediadores divide-se em duas fases: a primeira estabeleceria uma trégua de 45 dias para negociar o fim permanente da guerra, com possibilidade de prorrogação, enquanto a segunda focaria em um acordo abrangente para encerrar as hostilidades. Em resposta, o Irã rejeitou categoricamente arranjos temporários e recusou fazer concessões sobre suas demandas, negando-se a reabrir o Estreito de Ormuz em troca de uma trégua curta.





