Ninguém vai esperar que Hélio Schwartsman escreva um artigo admitindo a surra que EUA-“Israel”, mini-OTAN e monarquias árabes, juntos, levaram do Irã em uma guerra de 39 dias. Foi preciso que ele escrevesse um texto com o título Uma guerra só com derrotados, publicado na Folha de S. Paulo, nesta quinta-feira (9).
É um artigo curto, com três parágrafos, que inicia dizendo que “a guerra deflagrada por EUA e Israel contra o Irã encaminha-se para ser um desses conflitos sem vencedores, ainda que todas as partes reclamem ter logrado brilhante vitória. O regime iraniano pode de fato congratular-se por ter sobrevivido a um inimigo militarmente muito superior, mas é só”. Só? Então, para refrescar a memória do nobre jornalista, vamos apresentar a lista de 10 pontos que o Irã pôs sobre a mesa para aceitar um cessar-fogo pelo qual EUA-“Israel” estavam implorando:
- Não agressão: Compromisso fundamental dos EUA em garantir a não agressão contra o território iraniano.
- Controle do Estreito de Ormuz: Manutenção do controle e regulação do tráfego marítimo no estreito pelas forças armadas iranianas.
- Aceitação do enriquecimento: Reconhecimento do direito do Irã de enriquecer urânio para seu programa nuclear.
- Fim das sanções primárias: Levantamento imediato de todas as sanções diretas aplicadas pelos EUA ao Irã.
- Fim das sanções secundárias: Remoção de sanções contra entidades estrangeiras que fazem negócios com instituições iranianas.
- Anulação de resoluções do Conselho de Segurança da ONU: Término de todas as resoluções anteriores da ONU que visam o Irã.
- Fim das resoluções da AIEA: Encerramento de todas as resoluções da Agência Internacional de Energia Atômica sobre o programa nuclear iraniano.
- Compensação por danos de guerra: Pagamento de indenizações ao Irã pelos danos sofridos durante o conflito.
- Retirada militar dos EUA: Saída total das forças de combate dos Estados Unidos de suas bases na região do Oriente Médio.
- Cessar-fogo em todas as frentes: Interrupção das hostilidades em todos os campos, incluindo o fim dos ataques de Israel contra o Hesbolá no Líbano e outros grupos da região.
Sugerimos que Hélio Schwartsman releia o item 2 e repita a expressão “mas é só”. O Irã passou a controlar a mais importante rota de petróleo do mundo e é impossível retirar do país esse controle. Inúmeros jornais estão criticando Donald Trump pela façanha, pois antes da guerra o Irã nunca havia imposto o controle da passagem.
Voltando ao início de seu parágrafo, é preciso relembrar que essa guerra de agressão é um crime de guerra e também um crime contra a humanidade. EUA-“Israel”logo de cara, bombardearam propositadamente uma escola em Minab. O saldo é de 175 mortos. Desse grupo, a Anistia Internacional e agências locais detalharam que pelo menos 110 eram crianças. Os poucos sobreviventes estão com ferimentos muito graves, pois foram disparados 3 mísseis Tomahawk contra o local.
Schwartsman segue alegando que “a coluna dos ônus é extensa demais para ser ignorada: cerca de duas dezenas de suas principais lideranças, incluindo o aiatolá Ali Khamenei, foram assassinadas, o país sofreu enorme destruição de vidas e de infraestrutura, notadamente a militar, e comprou décadas de inimizade com os países vizinhos do Golfo Pérsico que atacou”.
O assassinato de Khamenei, membros de sua família e assessores, é outro crime de guerra, pois não se tratava de um combatente. Essa monstruosidade teve um efeito contrário ao que desejava o imperialismo, pois em vez de iniciar uma revolta contra o governo no país, unificou como nunca a nação que tomou as ruas exigindo vingança.
Os derrotados
O jornalista diz que “os EUA entraram numa guerra de escolha da qual não precisavam apenas para escancarar que fizeram uma péssima escolha. Nenhum dos cambiantes pretextos que Donald Trump alegou para atacar o Irã foi plenamente alcançado, os EUA sacrificaram ainda mais sua já decadente credibilidade internacional, além de terem provocado uma onda global de inflação”.
A escolha, na verdade, foi do imperialismo, a prova disso é que toda a imprensa, incluindo a “democrática” Folha de S. Paulo, apoiou o dito fascista americano. A crítica veio apenas depois, quando o plano fez água.
O imperialismo cometeu o crime perfeito contra Trump: culpado pela guerra, culpado pela paz. Agora, já existem elementos mais do que suficientes para sacá-lo do poder.
“Desta vez”, segundo Schwartsman “Trump perdeu pontos até com o público MAGA, que é irredutivelmente isolacionista. De positivo (para o mundo, não para Trump), resta que ficou mais difícil para o Partido Republicano manter o controle das duas Casas do Legislativo após as eleições de novembro”. Errado, o positivo para o mundo é o imperialismo afundar de vez em sua crise, e Trump tem sido útil nesse sentido.
O fortalecimento do Partido Democrata não trará nada de bom, basta ver o que fizeram Obama e Biden em seus governos.
Segundo Schwartsman, em seu último parágrafo “o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, ao contrário de Trump, tinha apoio popular para ir à guerra, desde que obtivesse uma vitória inconteste. Não a ter conseguido só reforça agora os muitos erros de segurança (nem falo dos políticos e morais) cometidos por sua administração desde antes da ação do Hamas em 7 de outubro de 2023. Se uma vitória sobre o Irã era a esperança de Netanyahu para vencer as eleições de outubro, a ausência dela pode ser o prego definitivo no caixão de seu governo”.
Como alguém poderia esperar uma vitória incontestes após a experiência da Guerra dos Doze Dias? “Israel” rastejou por um cessar-fogo e o Irã mostrou que era a verdadeira potência miliar no Oriente Médio. Seu propalado “Domo de Ferro” se comportou como uma verdadeira peneira enferrujada, além do custo bilionário para poder operar. Sem falar que o estoque de mísseis do sistema se esgotou em uma velocidade espantosa.
Quanto 7 de outubro, não se trata dos “muito erros” de segurança. A heroica atuação da Resistência Palestina foi fundamental. O que também exigiu um acordo de cessar-fogo vindo dos EUA em socorro dos sionistas.
Relatórios do Departamento de Reabilitação do Ministério da Defesa confirmou que mais de 20.000 soldados foram tratados por ferimentos de guerra (o número deve ser bem maior). Os palestinos destruíram mais de 1000 blindados, um feito espetacular.
Ao contrário do que diz Schwartsman, até o momento, essa guerra tem um grande perdedor: o imperialismo e isso inclui seu assassino de aluguel.
O Irã surge como uma potência militar e inspira todos os países oprimidos a se levantarem contra seu opressor, o imperialismo





